Direita autoritária no Parlamento Europeu
Terça-feira, 13 de maio de 2014

Direita autoritária no Parlamento Europeu

Por Maristela Basso.

Nos dias 22 a 25 de maio próximo serão realizadas as eleições para o Parlamento Europeu, único órgão da União Europeia cujos membros são escolhidos pelos cidadãos dos 28 países membros, isto é, por cerca de 500 milhões de pessoas. No Parlamento Europeu estão representadas as grandes tendências políticas existentes nos países-membros, e sua sede fica em Estrasburgo, na França.

Mas isto é sabido. Contudo, o que se vê de novo nas campanhas eleitorais em curso é um retrocesso sem precedentes na região: o avanço da direita autoritária, racista e xenófoba. No lugar de discussões sobre o futuro da União Europeia e dos seus problemas econômicos, cujos efeitos são sentidos desde a última crise de 2011, causada pela dificuldade de alguns países-membros de pagarem suas dívidas, os partidos candidatos às eleições preferem defender teses racistas, contra imigrantes, gays e islâmicos. A sensação do momento é o “Partido Pela Independência do Reino Unido” (UKIP), que representa a mais retrógrada direita britânica e que, pelos últimos resultados das pesquisas de intenções de votos, deve liderar a votação na União Europeia. Votações no mesmo sentido devem se repetir em outros países-membros, nos quais a onda dos eurocéticos promete chegar à praia como um tsunami. Na Áustria, o “Partido da Liberdade da Áustria” – FPÖ está em terceiro lugar nas pesquisas, com 19% das intenções de votos. Na Holanda, o “Partido Pela Liberdade” – PVV, que representa a extrema-radical direitista, já está em segundo lugar, com 17% das intenções de votos. Na Dinamarca, os eurocéticos do “Partido Popular Dinamarquês” estão em primeiro lugar, com 26% dos votos. E o mesmo fenômeno é encontrado na Finlândia, com o “Partido dos Verdadeiros Filandeses”, na Hungria, com o “Movimento por uma Hungria Melhor” e na Grécia como o partido neonazista – “Aurora Dourada”. Sem falar na França, cujo partido de extrema-direita, a “Frente Nacional” (FN), liderado por Marine Le Pen, desponta em primeiro lugar com 24% das intenções de votos.

Esses são apenas alguns exemplos com os quais se podem ter uma ideia do que acontecerá com a Europa Ocidental depois das próximas eleições euro-parlamentares.

Os cidadãos dos países-membros do Bloco votam proporcionalmente para cerca de 750 representantes, que se agrupam por matiz político-partidário-ideológico (e não por nacionalidades) entre Democratas-Cristãos, Democratas Progressistas, Liberais Pela Europa, Verdes, Reformistas, Conservadores, Trabalhistas, dentre outros.

Sem dúvida, as eleições deste ano chocam pela retrogradação histórica. Os riscos são, portanto, enormes se as decisões políticas do Bloco forem para as mãos dos direitistas-eurocéticos, cuja doutrina política se assenta sobre duas pilastras ultrapassadas: a desconfiança e a descrença no presente e no futuro da União Europeia. Os eurocéticos pregam um modelo econômico-social contrário à federalização dos países-membros da União Europeia, defendem o conceito e o modelo antigo e já superado (na Europa Ocidental) de soberania nacional. Ademais, postulam pelo fim da independência decisória das instituições e órgãos da União Europeia. Isto é, pretendem retroceder em mais de meio século de construção da integração dos países do Bloco e de superação das diferenças e animosidades nacionais.

Senão bastassem, os eurocéticos querem acabar com o livre trânsito dos cidadãos nos países-membros, botar para correr os imigrantes e aumentar o coro racista e xenófobo. São, como se vê, anti-europeus, cuja intenção é claramente minar o esforço por uma Europa unida, livre, igual e fraterna, para outra na qual as nacionalidades e as diferenças sobressaem. Uma Europa que não terá pudor de sepultar o célebre Édito do Imperador Romano Caracala de 212, que concedeu a cidadania romana a todos os habitantes livres do império e representou um dos primeiros e mais importantes passos da história da superação das diferenças entre homens iguais.

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Terça-feira, 13 de maio de 2014
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