“Quid pro quo” no caos grevista
Quinta-feira, 22 de maio de 2014

“Quid pro quo” no caos grevista

Por Brenno Tardelli.

 

Quem se aventura a vasculhar grandes portais de notícias nos últimos dias, no mínimo entra em pânico. A palavra da vez é “Caos”. Greve de motoristas de ônibus, de policiais, de professores, greve em cima de greve, deixando a população sem acesso a diversos serviços. A solução parece ser trancar a porta e ficar em casa.

Talvez o mais sentido pela população seja a greve dos motoristas de ônibus. Morar em São Paulo e não ter transporte público torna a vida do paulistano mais difícil do que já é. É dizer que para a pessoa moradora da periferia, não bastasse lidar com o péssimo funcionamento das linhas de transporte, passa a suportar sua total ausência, forçada a viver momentos de guerra de sobrevivência no metrô sobrecarregado, ou a peregrinar a pé durante horas.

Enfim, dois dias de paralisação dos motoristas já deixaram os cabelos da mídia em pé, e o estado do caos foi oficialmente instalado. Inevitável pensar no timing do movimento grevista, isto é, às vésperas do maior evento internacional esportivo do mundo.

Sob a ótica do líder sindical, o cenário da Copa proporciona um poder de barganha único – o Estado fica vulnerável, ao passo que exige “perfeição” para os olhos do Padrão Fifa. Aproveitando a vulnerabilidade, fica a indagação: qual greve deixaria passar esse momento único?

O desespero de um lado afeta, em tese, o “quid pro quo” de qualquer negociação. O termo em latim significa “uma coisa por outra”. Em tempos normais, quando manifestações grevistas geram inconvenientes cotidianos, o “quid pro quo” admite outro cenário de barganha, absolutamente diferente de um cenário de exceção.

Em tempos de Copa, inclusive, trata-se de “tradição”: na França, em 1998, pilotos da Air France só voltaram ao trabalho um dia antes da abertura do evento. Na África do Sul, operários dos estádios cruzaram os braços durante uma semana.

Voltando ao Brasil, de fato, terá quem defenda que o direito de greve é válido, desde que não atrapalhe a população (verdadeiro contrassenso, na verdade). No entanto, como se vê, o país apenas repete cenário político internacional pré-Copa. O assunto sai das mãos do Direito e entra em esfera absolutamente político-administrativa. Trocando em miúdos: quem se voluntaria a fazer evento desse porte, deve prever massificação de movimento grevista. Faz parte do jogo. Faz parte do “quid pro quo”.

imagem Yumi Moimi

Quinta-feira, 22 de maio de 2014
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