Adoção: amor sem condições
Sábado, 21 de junho de 2014

Adoção: amor sem condições

Aos 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção, uma data para refletirmos não apenas sobre a medida legal de assumir outro como filho, mas sobre o real significado da palavra.

Adotar é tomar para si, fazer seu, ter consigo.

Adotamos todos os dias, durante toda a vida. Adotamos posturas, adotamos pensamentos novos, adotamos penteados modernos, adotamos modos de vida. Mas também adotamos pessoas.

Um amigo é por nós adotado, se tornando, várias vezes, muito mais próximo que um irmão.

Um amor é adotado e se torna parte de nós, de nossa vida e não imaginamos a vida sem ele.

Uma causa nos toma de repente e passamos a agir em função dela, adotando-a para dar à vida algum sentido mais nobre e profundo.

O que queremos dizer com isso tudo é que adotar, seja um filho, um amigo ou uma visão de mundo, nos mostra como somos capazes de amar e de nos ligarmos a algo que originariamente não nasceu de nós mesmos.

Voltando à medida legal que permite que sejamos pais e mães, sem que geremos biologicamente nossos filhos, a adoção propriamente dita, essa é uma das formas de amor mais belas que existe.

Eu permito que aquele que até um determinado momento não passava de um estranho, entre em minha vida e me torne pleno, possibilitando que eu exerça papéis que acredito que me trarão felicidade e realização.

Ainda que se diga que adotar é dar uma a chance a quem precisa de uma família, a adoção é na verdade, antes de tudo, a chance que alguém que pretende adotar tem de exercitar o amor de maneira incondicional.

Há quem diga que a medida é lenta, burocrática, cheia de avaliações dispensáveis, mas entregar um filho a alguém requer cuidados.

Exigências são, normalmente, feitas por quem deseja adotar e não por quem quer ser adotado.

Não se ouve uma criança que se encontra numa instituição de acolhimento dizer: “Quero um pai branco, médico e uma mãe bonita, com cabelos lisos, que esteja sempre rindo e tentando me agradar”.

O mesmo não podemos dizer de quem pretende adotar, que traz uma série de expectativas irreais, buscando uma criança ideal, que se encaixe em seus padrões de “filho dos sonhos”.

Claro que as pessoas têm imagens idealizadas dos filhos que querem para si, mas essa idealização só dificulta e afasta a possibilidade de desempenho dos papéis parentais. Quanto mais espero o filho perfeito, mais me afasto da possibilidade de ser pai/mãe.

Quando nos relacionamos com amigos, namorados, esposas, não esperamos – a não ser que sejamos doentes – que eles nos completem em todos os aspectos e atendam todas as nossas necessidades. E mesmo assim os amamos!

Por que em relação a um filho que pretendo adotar exijo tanto e quero tamanha perfeição? Sem querermos entrar no aspecto psicológico (nosso espaço é curto para isso), vale a reflexão: só posso amar o que é perfeito, o que se parece comigo, o que não me mostrará incompleto aos olhos do outro?

Adotar é um ato de amor. Escolher, discriminar, catalogar nos parecem atitudes de quem ainda não se encontra preparado para assumir o outro como parte de si mesmo, ainda que diferente e único.

A adoção é uma medida que precisa ser permeada de cuidados, mas não é impossível nem inatingível para aqueles que se encontram prontos para dar e receber amor, independentemente da cor da pele, da textura dos cabelos, da história de vida daqueles que trazem em si mesmos não só a vontade de ter uma família, mas a oportunidade de realização de um sonho a quem deseja ser pai e mãe no melhor que isso traz em si: o amor sem condições!

 

 

 

Sábado, 21 de junho de 2014
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