Jurista, saia deste esporte que não lhe pertence!
Quarta-feira, 25 de junho de 2014

Jurista, saia deste esporte que não lhe pertence!

Não à toa, nós do Direito somos pessoas ironizadas em um bar. O “Coxinha” engravatado, quando vai puxar um assunto lança todo pomposo um “Veja bem, em que pese esse seu argumento…”. Não adianta, no Direito estamos em um ambiente formal – com sua razão, pois pelas mãos jurídicas passam o destino da liberdade, honra e patrimônio de pessoas, vá lá, temos de ser formais mesmo. Carnelutti tem razão.

Se a formalidade tem que ficar dentro de nossas quatro linhas, já está de excelente tamanho. Nas audiências, apelações, sustentações, nas conversas dentro do habitat jurídico. Saiu disso, vem problema.

Daí que, infelizmente, não sei qual razão, mas o fato é que a burocratização, ou, em outras palavras, a jurisdicionalização formal estruturada é algo viciante, mas exportamos nosso “modus operandi” a uma das coisas mais maravilhosas e informais nesse mundo: o esporte, mais visivelmente nosso amado futebol. Digo isso para STJD e afins.

Para se ter uma ideia, rebaixamos um time – a querida Lusinha – no maior campeonato de futebol nacional para promovermos outro – o Fluminense. Tudo isso em nome do Artigo x, inciso y, alínea w, parágrafo z. Todos sabemos que o clube carioca caiu na bola, mas fazer o que, as leis são mais importantes.

Pois, para tristeza dos varzeanos e varzeanas ao redor do globo, a tendência é internacional. O maior jogador uruguaio que vi jogar, Luiz Suárez, mordeu o ombro do zagueiro adversário, um pouco antes da Celeste marcar o gol da vitória. Dizem que é a terceira vez que o atacante parte para a mordida. A cena é bizarra, mas é futebol e ele é inexplicável.

Não lembro ao certo onde li, mas basicamente Suárez sabe porque mordeu e o zagueiro Chiellini sabe porque foi mordido. As câmeras  frias e descontextualizadas não conseguem captar a magia dentro do campo – apenas mostra a mordida para que a turma do direito entre na jogada. Até onde tinha lido, Suárez tinha até a tarde do dia seguinte para apresentar defesa (?!) e ser submetido a julgamento da FIFA (?!!).

Qual defesa seria possível? Como explicar como se desenrolou a marcação, o que foi dito no ouvido, qual era o calor do momento, a provocação para abalar o psicológico do adversário? Como explicar isso para alguém atrás de uma mesa, com sua roupa social, insanamente voltado à “ordem”? Seria uma criança explicar para um ranzinza porque ela gosta de brincar.

Para o esporte, já basta o árbitro, um controle do dopping e olha lá. Jurista, nem pensar!

Quarta-feira, 25 de junho de 2014
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