Estes são os maiores hipócritas do mundo celebrando a liberdade de expressão em Paris
Segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Estes são os maiores hipócritas do mundo celebrando a liberdade de expressão em Paris

Rodrigo da Silva

via Spotniks

A Praça da República, em Paris, reuniu alguns dos maiores amigos da liberdade de expressão… e alguns de seus maiores inimigos.

Mais de um milhão e meio de pessoas se reuniram neste domingo na Praça da República, em Paris, em homenagem às vítimas dos ataques ao Charlie Hebdo, para celebrar a luta contra o terrorismo e a defesa da liberdade de expressão. É a maior marcha da história da cidade e foi acompanhada por outras manifestações que reuniram pelo menos 600 mil pessoas em Lyon, Saint-Etienne e Perpignan. Além da França, diferentes regiões do mundo viram suas populações irem às ruas, como em Londres, Madri, Bruxelas e Tóquio.

Neste domingo, Paris se tornou a capital do mundo e reuniu lideranças de mais de 40 países – entre os quais a chanceler alemã, Angela Merkel, o premiê britânico, David Cameron, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e os líderes de Israel, Benjamin Netanyahu, e da Palestina, Mahmoud Abbas.

Manuel Valls, primeiro ministro francês pelo Partido Socialista, convocou o mundo à manifestação dizendo que sua intenção era celebrar “o amor à liberdade e à tolerância” – e durante toda manhã foi possível ouvir liberté sendo ecoado repetidamente pela população francesa. Mas, como Daniel Wickham aponta, muitos dos 40 líderes presentes na manifestação em Paris não morrem de amores pela liberdade de expressão como ecoavam. Wickham, um estudante da London School of Economics, enumerou em seu twitter uma lista de 20 líderes presentes na marcha e alguns de seus crimes contra a liberdade.  Aqui, reunimos alguns deles.

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Abdullah II, rei da Jordânia – A Jordânia condenou Mudar Zahran, um jornalista palestino do The Jerusalem Post, a 15 anos de prisão com trabalhos forçados. Ele disse ao jornal que foi acusado de “incitar o ódio e atacar a imagem do país”.

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Ahmet Davuto?lu, Primeiro-Ministro da Turquia – A Turquia aprisiona mais jornalistas do que qualquer outro país do mundo. Em 2013, 40 jornalistas turcos foram parar atrás das grades. Atualmente, 7 estão presos.

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Sameh Shoukry, Ministro de Relações Exteriores do Egito – A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras classifica o Egito como o segundo lugar no mundo em número de jornalistas detidos, incluindo este repórter fotográfico que descreve seus 16 meses atrás das grades como um “pesadelo sem fim.”

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Sergey Lavrov, Ministro das Relações Exteriores da Rússia – Na Rússia, no ano passado, um jornalista foi preso por “insultar um funcionário do governo”.

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Enda Kenny, Primeiro-Ministro da Irlanda – Na Irlanda, “blasfêmia” é uma ofensa criminal, condenada desde 2009 e punível com uma multa de até € 25.000. A blasfêmia é definida como “publicação ou matéria manifestamente abusiva ou insultuosa em relação a assuntos sagrados de qualquer religião”. Paradoxalmente, enquanto Enda diz lutar pela liberdade de expressão em Paris, graças à lei, um muçulmano entrou com uma ação legal ameaçando qualquer publicação irlandesa de reimprimir manifestações da Charlie Hebdo que ofendam o profeta Maomé.

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Khalid bin Ahmed Al Khalifa, Ministro das Relações-Exteriores do Bahrein – O Bahrein possui a segunda maior prisão per capita de jornalistas em todo mundo – perde apenas para a Eritreia.

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Ibrahim Boubacar Keïta, presidente do Mali – A repórter francesa Dorothée Thiénot, que contribui para diversas agências de notícias europeias, disse que foi expulsa da cidade de Gao, no Mali, após noticiar as violações dos direitos humanos causados pelo exército do país.

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Antónis Samarás, Primeiro-Ministro da Grécia – A polícia grega agrediu dois jornalistas em um protesto em junho do ano passado. “O comportamento da polícia de choque é intolerável”, disse a organização Repórteres Sem Fronteiras. “O número de casos de violência contra jornalistas causadas pela polícia grega tem crescido durante anos sem qualquer punição significativa sendo imposta para compensar as vítimas”.

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Mehdi Jomaa, Primeiro-Ministro da Tunísia – Na Tunísia, recentemente o blogger Yassine Ayari foi acusado a 3 anos de prisão por “difamar o exército”. A Anistia Internacional condenou a decisão do tribunal militar dizendo que ela era “uma grave violação do direito à liberdade de expressão”.

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Ramtane Lamamra, Ministro das Relações Exteriores da Argélia – A Argélia deteve o jornalista Abdessami Abdelhai por 15 meses sem qualquer acusação. Abdelhai iniciou uma greve de fome em novembro do ano passado em protesto contra a sua detenção sem julgamento em Tébessa, a 600 km de Argel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
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