Porque Better Call Saul é uma série obrigatória para quem faz Direito
Domingo, 12 de abril de 2015

Porque Better Call Saul é uma série obrigatória para quem faz Direito

//Por Brenno Tardelli

Para Coluna Lifestyle
Alerta: Contém spoilers.

 

Tudo bem, posso queimar minha língua. Apenas terminei a primeira temporada de Better Call Saul, além de ter assistido toda série Breaking Bad. Feito este pequeno aviso, Saul Goodman, também conhecido como James McGill, é um dos melhores advogados que um cliente poderia contratar. Explico o porquê.

Apesar de ser praticamente o estereótipo do jeitinho brasileiro, Goodman tem algo que é muito mais valoroso do que qualquer demérito por sua malandragem: ele é contraditoriamente, absolutamente e incondicionalmente fiel às pessoas que defende.

Seja uma frágil senhora em busca de seu testamento, ou um poderoso e cruel traficante, quem tem como advogado alguém como Saul Goodman, pode se sentir seguro que o patrono está fazendo de tudo para defender seus interesses, não importa o quanto financeira e profissionalmente ferrado ele esteja.

A série se passa justamente nesse pano de fundo. Todas as frustrações e insucessos de Saul atrás de uma boa notícia para seu escritório, localizado em uma micro sala no fundo de um salão de beleza. Não interessa a motivação e método de Saul, as coisas sempre sairão pior do que imagina.

Uma das cenas que melhor expressa isso pode ser logo percebida no primeiro e segundo episódio, quando Saul arma uma situação para captar um cliente rico que traria bons honorários. Ele contrata dois jovens para simularem serem vítimas de um atropelamento, para então o advogado aparecer como salvador e “livrá-lo” de um problema jurídico.

Ocorre que, por acidente, os jovens confundem o carro do cliente com o de uma avó de um perigoso traficante, Tuco Salamanca (fãs de Breaking Bad o conhecem de outros carnavais). Após uma sequência de cenas, Tuco descobre a armação e leva Saul e os dois jovens para assassiná-los no deserto. O primeiro, educado o tempo todo, escapa da punição capital e assume como missão livrar os dois insolentes jovens da pena de morte, convencendo o “juiz” Tuco a ser justo e magnânimo. O discurso do advogado de convencimento ao juiz arbitrário é uma das mais fantásticas cenas que vi nos últimos tempos.

Agora, é verdade. Não é lição para ninguém simular um acidente de carro para conquistar alguém. No entanto, analisar a série é colocar toda essa malandragem no personagem e perceber o quanto é contraditória quando comparada com diversas ações éticas que o advogado toma ao longo da série, sempre em respeito ao cliente e outros colegas de profissão (a cena mais emblemática ocorre quando Saul furta a casa de um cliente para “salvá-lo” processualmente, além de ajudar muito outra advogada, sua amiga Kim).

Para quem está inserido no mundo do Direito, Better Call Saul trata da ética do advogado, do fantástico talento de improvisação do personagem, mas também da dificuldade e da luta que é a advocacia. Para quem já era fã de Breaking Bad, ainda melhor, pois, além de todo cuidado artístico, há o uso e abuso de cenários meticulosamente pensados, para construção de cenas que apesar de parecessem monótonas são justamente o oposto.

Brenno Tardelli é Diretor de Redação no Justificando. Advogado.

Domingo, 12 de abril de 2015
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