Um dia após não, Grécia vive ressaca da festa com misto de confusão e medo sobre futuro
Segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um dia após não, Grécia vive ressaca da festa com misto de confusão e medo sobre futuro

Mesmo com a decisão histórica de não acatar as medidas de austeridade impostas pela comunidade europeia, os gregos voltaram à “vida normal” nesta segunda-feira (06/07) ainda com um misto de confusão e medo sobre o futuro do país.

Fotos: Ludmilla Balduino

A festa que celebrou o resultado do referendo realizado neste domingo (05/07) – e que continuou pela madrugada da segunda, na praça Syntagma, com danças típicas e gritos de guerra regados a cerveja  – deixou uma grande “ressaca” pelas ruas de Atenas. Mesmo quem votou no "não" e comemorou na noite de ontem sente que, apesar da vitória, este é um momento de introspecção e cautela que beira a tristeza e até o desespero.

Em um dos caixas eletrônicos do Banco Nacional da Grécia, no bairro de Omonia, era possível sacar apenas € 50: as notas de € 20 estavam em falta, e as pessoas tinham de se contentar em retirar as de € 50. A fila era sempre constante, até um dos funcionários do banco avisar que o caixa estava sem dinheiro e que as notas seriam repostas dentro de meia hora, dispersando os correntistas.

Com sua nota já guardada na carteira e voz embargada, o servidor público Nikolaos Sidiropoulos emocionou-se ao falar sobre o futuro da Grécia na zona do euro. "Eu confio plenamente no [primeiro-ministro Alexis] Tsipras e acho que ele é o melhor negociador que temos no momento. Não quero que o país deixe a União Europeia. Somos gregos, somos europeus. Tenho uma irmã que mora na Alemanha e conversamos muito sobre as situações daqui e de lá. E percebemos que somos iguais. Não há diferenças entre os povos. Eu tenho filhos, minha mulher está grávida, e eu realmente não sei que erro cometemos para passar por essa situação", disse, em prantos.
 
Nikolaos definiu ansiedade como seu principal sentimento em relação aos acontecimentos de ontem. "Essa instabilidade na Grécia pode levar a União Europeia para um futuro desconhecido. Ela pode não apenas afetar a gente, como também outros países do continente. E essa situação só vai melhorar se os governos começarem a se preocupar mais com as pessoas, e não apenas com os bancos."

A dona de casa Paraskui Yannacopoulos diz estar assustada com o resultado de ontem. "As pessoas que votaram no ‘não’ realmente não sabem porque elas votaram nessa opção. Eu votei no sim porque quero continuar na União Europeia e não há outro jeito de sobreviver". Sobre seus planos pessoais para o futuro, ela é enfática: "eu não tenho um plano. Se nem o governo tem um plano, como eu posso ter um?"
 
Logo depois de sacar sua cota de € 60 em um caixa eletrônico nas redondezas da praça Omonia, um dos centros financeiros da cidade, a aposentada Christina Tsedourou, diz que votou no não duas vezes: contra as políticas de austeridade que a União Europeia pretende implementar, e contra o próprio referendo, no qual ela também não concordou. "Eu me declaro comunista, sou contra qualquer tipo de conversa com a União Europeia. Consegui tirar meu dinheiro, foi um alívio, mas a situação não está boa. No fim das contas, dizemos um grande não, mas que significa sim", diz.

Via Ópera Mundi 

Segunda-feira, 6 de julho de 2015
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