Advogados comentam ataque de Cunha à OAB
Quarta-feira, 8 de julho de 2015

Advogados comentam ataque de Cunha à OAB

Esta semana, o  Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, desferiu um duro golpe contra a Ordem dos Advogados do Brasil e seu presidente, Marcus Vinícius Furtado Coêlho. Segundo o parlamentar, a Ordem é um "cartel" que está "sem credibilidade". Quanto a Coelho, Cunha o chamou de "agente do Molon", em referência ao parlamentar do PT/RJ.

As divergências entre OAB e Cunha são antigas e datam do tempo em que o parlamentar propôs acabar com o Exame da Ordem. Nesta semana, a OAB Federal encomendou uma pesquisa do Datafolha, que constatou que 74% dos entrevistados acreditam que o financiamento privado de campanha, aprovado na Reforma Política da Câmara, estimula a corrupção. Cunha foi o grande personagem desta aprovação, sob críticas de que estaria legislando em causa prõpria. De acordo com  a revista Galileu, a campanha do parlamentar recebeu doações de mais de R$6 milões de empresas privadas. 

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Procurados pelos Justificando, personagens importantes da OAB se posicionaram sobre a declaração de Eduardo Cunha. Segundo o presidente da OAB, a pesquisa é do Datafolha, portanto os números são do instituto. Sendo assim, as ideias devem brigar e não as pessoas.  "As instituições devem se respeitar. O debate de ideias e a divergência de opiniões são próprios de uma democracia. Ofensas e desacatos não vão mudar os números da opinião pública", afirma.

"Vivemos em uma sociedade democrática e plural. O presidente da câmara deve aprender a conviver com opiniões divergentes. Ninguém é dono da verdade, mas todos devem se respeitar. Da divergência e do debate de ideias surgem os melhores caminhos", concluiu Coêlho.

Para o advogado especializado em Direito Civil, João Biazzo, as declarações de Eduardo Cunha revelam uma postura inflexível, de um político incapaz de aceitar uma opinião popular contrária à dele. "Ele prefere atacar levianamente uma entidade com histórica atuação em defesa da sociedade e das instituições brasileiras a dialogar democraticamente na defesa de sua posição", diz. 

Biazzo é pré-candidato à presidência da OAB de São Paulo – e para ele, a Ordem, nas últimas gestões, não vem cumprindo integralmente seu papel institucional, está distante dos advogados e ausente dos debates mais importantes para o País. "A entidade compromete seu prestígio ao permitir a politização da estrutura dirigente e ao privilegiar projetos pessoais em detrimento do seu papel social como defensora do Estado Democrático de Direito", concluiu o jurista. 

O deputado federal, advogado e ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse, em seu discurso na plenária da Câmara dos Deputados, que as declarações do parlamentar Eduardo Cunha ofenderam não só à ordem, que é respeitada em todo o Brasil, mas a todos os advogados do País. "A memória de combatentes como Sobral Pinto, Evandro Lins de Silva e tantos outros que desceram as masmorras para defender a liberdade do Brasil foi ofendida dos por Eduardo Cunha", disse. 

 

 

 

 

 

Quarta-feira, 8 de julho de 2015
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