Maíra Zapater fala sobre um país democraticamente imaturo, cujo povo ama a violência
Quarta-feira, 15 de julho de 2015

Maíra Zapater fala sobre um país democraticamente imaturo, cujo povo ama a violência

Um encontro na Paulista com uma manifestação pela “intervenção militar constitucional” marcou a entrevista da Professora e Colunista do Justificando Maíra Zapater. Um grupo de pessoas pedindo por algo que não existe – isto é, uma autorização da Constituição de uma intervenção militar – infelizmente, é menos isolada do que parece.

“Tem pessoas dizendo que prefeririam uma ditadura a uma democracia e aí acho que é o momento da gente pensar o que estamos vivendo, essa crise de representatividade que nos faz preferir alguém que nos mande a alguém que nos ensine a pensar”.

Para Zapater, isso é apenas um dos reflexos do país imaturo democraticamente, extremamente conservador e de um povo violento – características que estimulam a crença na pena, no castigo penal e no crime como grande solucionadores de problemas.

Essa mentalidade violenta, para Maíra, permeia todos os setores sociais, inclusive para quem se identifica com um posicionamento progressista, sendo, como exemplo, a esquerda punitivista – Agressor de mulheres? A solução para esse problema, que é a violência de gênero, é punir os agressores. Ah, homofobia é um problema? A solução é punir os homofóbicos e se é de racismo, tem que punir o racista. Aí, na verdade, a gente acaba vendo dois lados de uma moeda com uma solução única

Como contornar a situação então? Para ela, o que precisa haver é distinção entre punição e responsabilização. “A gente tem a sensação de que se não punir, não utilizar o Direito Penal, não estamos reconhecendo o dano. Me parece que não é verdadeiro. Acho que o reconhecimento por parte do Estado, por parte da sociedade de que aquela discriminação existe, dar voz àquelas pessoas pode ter um efeito social muito mais poderoso que uma punição”.

A última da crença da brasileira na aumento da punição como remédio para os problemas foi a redução da maioridade penal, anunciando mais uma derrota para quem não vê nos presídios brasileiros algo de benéfico para o país. A luta fica para a contenção, para que nenhum direito seja deixado de lado, nesta Democracia que já está muito frágil.

Veja o Justificando Entrevista desta semana com a Professora e Colunista Maíra Zapater

 

Quarta-feira, 15 de julho de 2015
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