10 vezes que o Papa Francisco provou ser um defensor dos direitos humanos
Quinta-feira, 16 de julho de 2015

10 vezes que o Papa Francisco provou ser um defensor dos direitos humanos

Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, Soberano do Vaticano e líder máximo da Igreja Católica, desde que tomou posse em 2013, vem impressionando o mundo com suas atitudes consideradas "franciscanas", causando uma grande revolução em uma das religiões mais tradicionais e conservadoras do mundo.

A postura do pontíficie é muito diferente de quando era o arcebispo da arquidiocese de Buenos Aires. Bergoglio ficou conhecido por abraçar posicionamentos comuns às alas conservadoras da Santa Sé – era fortemente oposto ao casamento gay, aborto e eutanásia.

Provavelmente ainda seja, porém o tom e teor de seus discursos estão mais alinhados aos direitos e pautas humanitárias do que propriamente endossando as opiniões conservadoras católicas – fato que, inclusive, gerou forte oposição à sua figura dentro da Igreja.

Essse seu posicionamento gerou repercursão no plebisctio popular que foi realizado, neste ano, na Irlanda. A votação aprovou o casamento gay dentro de um país onde a maioria das pessoas são católicas. No Brasil, ainda não houve efeito concreto, ao passo que as posições religiosas reacionárias tomam cada vez mais corpo no campo político. Mas enquanto aguardamos essa evolução, vamos aprender como se faz para amar "uns aos outros sobre todas as coisas". 

Confira 10 momentos em que o papa se mostrou defensor dos direitos humanos

10- Quando ele se posicionou contra o direito penal 

Em junho de 2014, a Argentina, assim como no Brasil, discutiu o código penals. Lá, como aqui, predomina a falsa sensação de que quanto mais dura a pena, menos crime vai existir.

“Em nossa sociedade tendemos a pensar que os delitos se resolvem quando se pega e condena o delinquente, não levando em consideração o antes dos danos cometidos e sem prestar suficiente atenção à situação em que as vítimas estão. Portanto seria um erro identificar a reparação somente o castigo, confundir justiça com vingança, o que só contribui para incrementar a violência, que está institucionalizada. A experiência nos diz que o aumento e o endurecimento das penas com frequência não resolvem os problemas sociais e nem consegue diminuir os índices de delinquência.”

Sendo contra as medidas discutidas, o pontíficie enviou uma carta para um dos maiores criminalistas da atualidade, o então ministro da Suprema Corte Argentina Eugenio Raúl Zaffaroni, colocando sua visão contrária ao direito penal. Na carta, assim escreveu Francisco:

 

9- Ele preferiu não condenar gays

Depois de ficar uma semana no Brasil, na Jornada Mundial da Juventude , o papa Francisco concedeu uma entrevista aos jornalistas credenciados no avião que o levava de volta para Roma. Quando foi questionado pela jornalista da Globo, Ilze Scamparini, sobre o lobby gay dentro do vaticano, o pontíficie foi claro na defesa dos direitos aos homossexuais quando disse que jamais poderia julgar um gay.

“Diz que não se deve marginalizar estas pessoas por isso. É preciso integrá-las à sociedade", comentou Francisco. "O problema não é essa orientação. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema".

Tudo bem, não foi a frase revolucionária da vida, mas, sim, tem muito poder e já é um passo rumo à convivência harmônica. Os efeitos do posicionamento sobre a questão gay refletiu, por exemplo, na decisão da Irlanda, um país com maioria católicos, em aprovar, por plebiscito popular, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

8- Quando ele defendeu o divórcio contra a violência doméstica 

Pois é. Mesmo quando óbvio salta aos olhos, quando ele é dito e reconhecido pelo cargo máximo, deve se comemorar. E muito. Em junho deste ano, o papa Francisco fez uma declaração histórica e disse que a separação de uma família pode ser "moralmente necessária", como em casos de violência.

"Algumas vezes, ela [a separação] pode tornar-se mesmo moralmente necessária, quando se trata de proteger o cônjuge mais frágil ou as crianças das feridas mais graves causadas pela intimidação e pela violência, a humilhação e a exploração".

O líder dos católicos ainda pediu que a comunidade cristã se ajude e disse não gostar das afirmações que existem "famílias consideradas em situação irregular" perante à Igreja.Segundo um relatório divulgado pela OMS, em 2013, mais de um terço de todas as mulheres do mundo são vítimas de violência física ou sexual, o que representa um problema de saúde global com proporções epidêmicas.

7- Ele, pelo menos, reconhece o machismo

Calma lá que seria sonhar muito alto se o Papa reconhecesse que uma Igreja, cuja cúpula é somente composta por homens ,tem características intrinsecamente machistas. Mas, considerando todo o passado, ao menos admitir que o machismo existe é um importante passo.

Neste ano, na visita às Filipinas, Francisco fez declarações de improviso durante uma reunião de jovens numa universidade católica na capital Manila, depois que percebeu que quatro das cinco pessoas que falaram com ele no palco eram homens. “Há apenas uma pequena representação feminina aqui, muito pequena. As mulheres têm muito a nos dizer na sociedade atual. Às vezes, nós, os homens, somos muito 'machistas'", disse.

Francisco aproveitou que, embora a proibição da Igreja Católica Romana em relação à ordenação de mulheres seja definitiva (bem que falamos "calma lá"), ele quer promover mais freiras e outras mulheres a cargos mais importantes no Vaticano.

6- "Não se pode fazer guerra em nome de Deus"

Essa aqui vai pelos séculos de guerras promovidas em nome do Deus Católico. Talvez, esses dias ficaram para trás, sepultados, quando Francisco lembrou cristãos mortos e feridos no Níger, no final de janeiro deste ano, durante protestos contra as caricaturas de Maomé publicadas pela revista francesa Charlie Hebdo, e afirmou que “não se pode fazer guerra em nome de Deus”.

"Eu gostaria que orássemos juntos pelas vítimas das manifestações dos últimos dias no amado Níger. Foram atos de brutalidade contra os cristãos, contra as crianças, contra as igrejas", disse Francisco durante a audiência geral, realizada semanalmente, na Sala Paulo XVI do Vaticano. 

5- Ele classificou o capitalismo como "ditadura sutil"

Essa foi histórica e quase derrubou das cadeiras os tradicionais católicos apegados ao passado. O Papa, em seu ultimo discurso realizado na Bolívia para movimentos sociais, classificou o  sistema capitalista como uma ditadura sutil, que causa inúmeras exclusões e injustiças sendo a mudança mais que necessária. Assim discursou, quase ao som de Turn Down For What:

“Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…. E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco.”

Para o pontíficie, no capitalismo sente-se o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia chamava “o esterco do diabo”(!!), no qual reina a ambição desenfreada de dinheiro e o serviço ao bem comum fica em segundo plano.

4- Para ele, todo mundo tem direito à terra, moradia e trabalho   

No mesmo discurso realizado na Bolívia, Francisco se destacou justamente por chocar os mais tradicionalistas. Em apenas um parágrafo do seu discurso pela busca dos três t's – terra, teto e trabalho -, Francisco chocou os dois p’s – o patronalismo e o patriomonialismo, como quando falou sobre direitos dos trabalhadores autônomos – “Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer?  Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais?"

"A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral."

Pensa que acabou? Não… Francisco estava em com tudo e mais um pouco nesse dia – "uma economia justa deve criar as condições para que cada pessoa possa gozar de uma infância sem privações, desenvolver os seus talentos durante a juventude, trabalhar com plenos direitos durante os anos de atividade e ter acesso a uma digna aposentadoria na velhice".

3- "Prisão não deve ser exclusão"

A Bolívia deu o que falar. Em seu ultimo ato na viagem, Francisco visitou a Penitenciária de Palmasola, considerada a mais violênta do país, que abriga cerca de 5 mil detentos, apesar de ter capacidade para apenas 600.Ele ouviu o depoimento dos reclusos, que foi um pedido de socorro pelas condições que vivem dentro do presídio. Quando discursou disse que "prisão não é sinônimo de exclusão", destacando a importância do processo de reinserção.

Para familiares dos reclusos, Francisco  se mostrou mais especialista em segurança pública do que muito doutor na praça:

"A reclusão forma parte de um processo de reinserção na sociedade. São muitos os elementos que jogam contra este lugar. Sei muito bem: a superlotação, a lentidão da Justiça, a falta de terapia ocupacional e de políticas de reabilitação, a violência e a falta de facilidade de estudos universitários, pelo qual faz necessária uma rápida e eficaz aliança interinstitucional para encontrar respostas"

Depois de reforçar seu papel de líder mundial, Francisco foi simplesmente um pastor que se aproxima das ovelhas mais feridas do rebanho para reconfortá-las. Quando se apresentou aos presos, disse que ali, diante deles, estava um homem perdoado. 

 

2-  Para ele, quem vende armas é hipocrita 

No Brasil, existe uma bancada no congresso que é conhecida como "Bancada BBB" (bala, boi e bíblia). Essa junção de políticos foi assim chamada por defender pautas extremamentes reacionárias e retrógradas. Baseados na bíblia, os políticos dessa categoria propõem pautas que vão desde a negação de direitos até a legalização e dissiminamento das armas de fogo. 

O Papa Francisco, mais uma vez, foi na linha inversa desse entendimento. Ele não acredita que um cristão pode produzir, vender ou defender o uso da arma. Isso seria uma grande contradição. 

"Quem fala de paz e não a faz está em uma contradição. E quem fala de paz e favorece a guerra com a venda de armas é um hipócrita",

O papa deu essas declarações durante o voo de volta após uma visita de poucas horas a Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, se referindo às vendas de armas e os conflitos no mundo. "Em nosso tempo, o desejo de paz e o compromisso por construí-la contrastam com o fato de existirem no mundo vários conflitos armados. É uma espécie de terceira guerra mundial combatida por partes e, no contexto da comunicação global, se percebe um clima de guerra", afirmou Francisco.

1-Ele é contra a pena de morte

No começo de 2015, o papa Francisco entregou para o presidente da Comissão Internacional contra a Pena de Morte, o espanhol Federico Mayor Zaragoza, uma carta fazendo declarações contra a pena de morte como punição.

Em sua carta, embora tenha dito que "em algumas ocasiões" é justificável a legítima defesa, ressaltou que seus "pressupostos não são aplicáveis ao meio social".

É provavel que, quando pensamos em uma religião, esperamos que ela seja contra a pena de morte. No entanto, o crescimento de um certo fanatismo religioso que acredita que o inimigo deva ir para a fogueira tem deixado essa concepção em cheque. Felizmente, o Papa , além de se posicionar contra a pena por princípios religiosos, reconheceu a realidade do judiciário mundial, que muitos teimam em não ver – "a pena de morte perde toda legitimidade em razão da defeituosa seletividade do sistema penal e da possibilidade de erro judicial".

"Em um  Estado de direito, a pena de morte representa um fracasso, porque obriga a matar em nome da justiça. Nunca se alcançará a justiça matando um ser humano".

Pensando nas injustiças do direito penal que são cometidas, ele acredita que a pena capital é um "recurso frequente ao qual lançam mão alguns regimes totalitários e grupos de fanáticos, para o extermínio de dissidentes políticos, de minorias, e de todo sujeito etiquetado como perigoso ou que pode ser percebido como uma ameaça para seu poder ou para a execução de seus fins". Tá bom ou quer mais?

 

Quinta-feira, 16 de julho de 2015
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