O papel da Linguística Forense em uma investigação
Quinta-feira, 30 de julho de 2015

O papel da Linguística Forense em uma investigação

Dando continuidade à nossa proposta de esclarecer quanto ao uso das ciências forenses de forma pontual, nosso tema será a linguística. A linguística forense é um ramo da linguística aplicada que se dedica ao contexto investigativo. Chamadas de emergência, pedidos de resgate, comunicações de ameaça, bilhetes de suicídio, cartas anônimas e verificação de plágio são alguns exemplos de atuação do linguista forense. A linguagem de textos jurídicos como: testamentos, sentenças e estatutos, também é objeto de estudo.

Padrões específicos de uso da linguagem (vocabulário, colocações, pronúncia, ortografia, etc) são passíveis de análise e identificação. A partir do perfilamento linguístico é possível inferir: faixa etária; gênero; orientação sexual; nível de instrução; profissão; origem geográfica; preferências e hobbys; opção religiosa e classe social. No “Caso Prinzivalli”, por exemplo, um renomado linguista chamado W. Labov disse que não havia nenhuma dúvida de que Prinzivalli não poderia ter feito o telefonema de ameaça de bomba porque a pessoa que fez a ameaça de bomba tinha um sotaque inconfundível da Nova Inglaterra (região de Boston), enquanto Prinzivalli tinha um igualmente inconfundível sotaque de Nova York. Outros casos famosos tiveram o auxílio desta ciência, como o caso do Unabomber em que Jim Fitzgerald, linguista do FBI, atuou.

Jim Fitzgerald que fez mestrado em linguística, criou, desenvolveu e implementou o CTAD (Communicated Threat Assessment Database), um banco de dados contendo todas as comunicações ameaçadoras e criminais. No CTAD, cada palavra e recurso lexical em cada comunicação é totalmente pesquisável e comparável ​usando parâmetros tanto comportamentais quanto linguísticos. Em 2012 a análise linguística forense resultou na confirmação de que dois assistentes do escritório da promotoria da Louisiana foram responsáveis ​​por centenas de postagens em um blog. Tais postagens foram muito prejudiciais para um determinado caso.  Ambos foram forçados a renunciar as suas posições.

No Brasil, o FSI (Forensic Sciences Investigations) tem peritos em análise de interrogatórios, depoimentos e confissões. Através da constante especialização, atualização e pesquisa nesta área é possível identificar incongruências que auxiliam as investigações e a busca pela verdade real nos tribunais. Em um dos casos mais chocantes dos últimos anos, o homicídio de uma criança em São Paulo, especialistas analisaram mais de 3 horas de interrogatório do suspeito e apontaram elementos importantes para a acusação. (Confira o caso)

Nos Estados Unidos, um relatório defendendo reformas em relação à pena de morte descobriu que confissões falsas em casos de pena capital podem ser minimizadas pela gravação e análise do interrogatório. Esse procedimento, segundo o comitê, ajudará a prevenir condenações injustas, dissuadindo coerção policial, entre outros problemas. De acordo com um estudo de 2004, citado no relatório dessa comissão, mais de 80% dos 125 casos documentados de confissões falsas no estudo ocorreu em casos de homicídio, e 20% dos réus nesses casos receberam sentenças de morte. A necessidade de análise dessas confissões demonstra a importância da linguística forense para a Justiça.

Esperando que o conteúdo abordado tenha sido interessante e útil, contamos com a sua curiosidade em saber sobre as ciências forenses auxiliando a Justiça na próxima postagem…

Um abraço pontual!

Mônica Azzariti é fonoaudióloga e Coordenadora do Laboratório de Fonoaudiologia e Linguística Forense do F.S.I. Brasil.
Quinta-feira, 30 de julho de 2015
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