Sergei Cobra defende luta pelas prerrogativas assistência judiciária e postura política da Ordem
Segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sergei Cobra defende luta pelas prerrogativas assistência judiciária e postura política da Ordem

"A família forense não existe mais na forma ideal". Com discurso realista quanto ao desrespeito das prerrogativas do Advogado, Sergei Cobra é o primeiro pré-candidato à OAB/SP a ser entrevistado pelo Justificando. 

Sócio da banca Zulaiê Cobra Ribeirto Advogados, Sergei já pertenceu a diversos cargos na instituição e compôs o poder no grupo político da atual gestão, mas defende sua pré-candidatura como uma Evolução da OAB, reconhecendo o grande trabalho feitos por colegas. Entre suas bandeiras, estão as prerrogativas, posicionamento político da entidade e defesa da assistência judiciária.

"Juiz já me mandou calar a boca no começo da carreira"

As prerrogativas são a principal bandeira de campanha de Sergei. Muito de sua bandeira e no assunto vem de sua carreira na entidade, uma vez que foi presidente da Comissão de Direito e Prerrogativas da OAB/SP – Eu conheço porque já passei na própria pele. 

Para ele, a Ordem tem deixado a desejar no que se refere a ser uma força poderosa por trás dos advogados, além de impor respeito e limite para juízes e promotores pensarem duas vezes antes de cometerem arbítrios contra a profissão, cada vez mais comuns no que Sergei chamou de cultura do desrespeito

"O advogado não deve ter medo de desagradar as autoridades. Esse é o mandamento que o advogado deve entender, porque ele precisa se comportar com munus público, com essa função de Estado. E se você não tiver uma entidade que pegue esse mandamento legal e coloque em um exponencial muito alto, você não vai conseguir acabar com esse problema cultural" – defende.

OAB tem que se posicionar em questões da sociedade

Sergei aposta na presença da Ordem nos mais variados assuntos da sociedade, como foi o caso de sua defesa da atuação da OAB na questão da velocidade das marginais – A OAB por lei e tradição é a entidade vocacionada para cuidar da sociedade civil e, principalmente, da advocacia. Então tem que se intrometer em tudo, nas questões de segurança pública, saúde, educação.

Essa entrada da Ordem no debate político, para Sergei, tem que ser da forma mais política possível, ouvindo todas as partes, mas tomando uma decisão quanto à postura com um grande cuidado de não tomá-la por conta da popularidade da opinião. É o caso, por exemplo, da redução da maioridade penal, tratada pelo candidato como um grande erro. Tem que se posicionar para dizer que a questão da menoridade penal não guarda relação direta com a criminalidade. 

A maioridade penal é mais um reflexo de um debate que cada vez mais é necessário. Para Sergei, outra pauta que precisa ser debatida é a formação e composição das polícias no país – Polícia precisa ter dignidade, precisa ter formação especial, lei orgânica da Constituição para poder dar conta da criminalidade. Na minha visão, a única forma de combater a insegurança é a reforma das políciais.

Se é verdade que a OAB tem que se posicionar em questões políticas da sociedade, de outro isso não significa partido político. Disse Sergei: Eu tenho muita preocupação que a OAB se politize demais, entre nesse processo partidário. (…) Os dirigentes não podem ter a pretensão de se candidatarem enquanto dirigentes de classe. Isso é fundamental.

Nosso processo político é arcaico, completamente ultrapassado

Para cobrar e esperar um posicionamento da Ordem nas mais variadas questões da sociedade, Sergei defende uma coisa antes de tudo: que ela dê o exemplo. É o caso da pauta da reforma política, uma das mais cobradas pela sociedade civil no Congresso, mas que também é cobrada dentro de sua plataforma de campanha.

Nosso processo político é arcaico, completamente ultrapassado, porque só permite campanha depois da inscrição da chapa. (…) Ninguém pode esperar um mês antes da eleição para conversar sobre a advocacia.

A reclamação sobre o processo político da Ordem de Sergei se une a de outros candidatos, como João Biazzo, e promete ser central no debate político da entidade.

A Defensoria que não está fazendo um trabalho correto com relação à assistência judiciária

Um dos assuntos mais sensíveis à eleição da Ordem não ficou de fora da Entrevista. Sergei identifica um dos reflexos dos problemas no convênio de assistência judiciária na dificuldade que o Advogado tem na inserção de mercado – o advogado hoje não consegue se estabelecer. Ele não consegue ter condições de advogar.

O trabalho de melhora no convênio, que garante o fluxo de grande parte da advocacia, passa pelo diálogo com o governador do Estado e a postura altiva ante a Defensoria Pública – Não adianta a Defensoria Pública tentar convencer o Governador  de que esse valor que paga pro convênio, dando para ela (Defensoria), vai conseguir atender todo mundo.  Não vai. Aliás a Defensoria que não está fazendo um trabalho correto com relação à assistência judiciária. Trata mal os advogados, faz um trabalho de seleção de causas para oferecer à advocacia e tudo isso precisa ser revisto.

O pré-candidato finaliza: Ou o governador entende o processo de respeito, que começa nesse trabalho que nós fazemos para ajudar o Estado, ou então nós teremos que transformar tudo. Porque para fazer (o convênio) do jeito que está, não dá.

Segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend