Orgulho de ser vira-lata
Terça-feira, 11 de agosto de 2015

Orgulho de ser vira-lata

Junho de 2013 é um marco na vida política brasileira. Foi ali que se iniciaram os protestos e manifestações que, desde então, vêm se repetindo nas ruas de diversas cidades do país com as mais diferentes pautas e com uma frequência inédita em nossa história.

Um outro ingrediente, porém, chama a atenção na vida política brasileira: o ódio. Ao lado do velho complexo de vira-latas, o ódio vem se tornado um intenso sentimento nacional. Ele esteve presente nas polarizadas eleições de 2014 e é sentimento cativo nos protestos. Os adjetivos nada lisonjeiros, as simplificações e as mistificações vão se alastrando como incêndio: de um lado os coxinhas, os reaças e os panelaços da varanda gourmet; do outro, os petralhas, os bolivariano, os comunas e por aí vai…

É preciso, porém, refletir um pouco sobre a eclosão do ódio e denunciar sua escalada irracional, apontando seus perigos e armadilhas. A primeira vítima do ódio é a democracia. Como, afinal, estabelecer diálogos respeitosos, ainda que nem sempre serenos, se o opositor é logo de saída reduzido à condição de inimigo e seu discurso é simplificado e desqualificado?

Quando as pessoas protestam movidas pelo ódio – ou mais precisamente, quando confundem ódio com consciência política -, colocam em xeque os quatro ideais sobre os quais a democracia se funda (Cf. Norberto Bobbio, O futuro da democracia [1]): a tolerância [2]; a não-violência [3]; a fraternidade [4]; e a renovação gradual da sociedade através do livre debate de ideias e da mudança das mentalidades e do modo de viver [5].

E quando os ideais democráticos estão em xeque, ameaçados em seu cerne pela escalada do ódio, o que está em jogo não é apenas um modelo político, mas também a integridade das pessoas. O ódio, afinal, é uma forma ingênua e perigosa de culpar alguém ou algumas pessoas (os reaças para uns, os comunas para outros) por todos os nossos males. Substitua-se as palavras reaças e comunas (tão frequentes nos discursos atuais) por negros, judeus ou gays: é desnecessário dizer a que nível de violência esses discursos de ódio podem levar. E a violência, ao negar o diálogo e o debate, acaba por negar o próprio fazer político e democrático.

O que se pretende aqui não é deslegitimar as manifestações de rua, tenham elas pautas mais à esquerda ou mais à direita. Em uma democracia, todos podem fazer ouvir a sua voz e os seus anseios. O que se pretende, além de identificar a escalada do ódio para poder neutralizá-la, é também levantar algumas questões, ainda que fiquem sem respostas: o que os protestos – todos eles – devem significar para nós neste momento? Será que vivemos um tempo de profundas mudanças no Brasil? Será que o atual modelo de representação política se esgotou? Quais os problemas da democracia brasileira? Como melhorá-la e aperfeiçoá-la? De que modo a internet alterou o modo como se faz e como se pensa a política?

Parece-me, de fato, que o atual modelo de representação política esgotou-se. O Estado está inchado e ineficiente, a educação e a saúde pública são de péssima qualidade (salvo honrosas exceções), a corrupção e o capitalismo de compadrio andam de mãos dadas, os lobbys de poderosos interesses financeiros sequestraram a democracia, a participação popular nas decisões políticas é praticamente inexistente, nossas vidas são virtualmente investigadas pelos governos e, ao mesmo tempo, a internet possibilita a organização de movimentos populares como jamais se viu.

Impossível prever o desfecho das mudanças em curso, mas podemos levantar três cenários. O primeiro deles é o retrocesso autocrático. As autocracias encontram lastro justamente no ódio e na intolerância: um grupo de pessoas é rotulado como culpado por todos os nossos males. A partir disso, dá-se a perseguição violenta de todo e qualquer opositor: prisões injustificadas, torturas, desaparecimentos, assassinatos. Nesse sentido, a autocracia é sempre infantilizadora. Os cidadãos são reduzidos a súditos e comparados a filhos: é comum a imagem do tirano como um "pai" e a do resistente como um "filho rebelde". A autocracia é, em suma, a renúncia à autonomia e, consequentemente, à política.

O segundo cenário, parafraseando Tomasi di Lampedusa, é aquele em que as coisas mudam para que tudo permaneça como está. Ou seja, o atual modelo, mesmo esgotado, continuaria se arrastando como um moribundo: mudar-se-ia o partido de plantão, mas as regras do jogo, muito mais fisiológicas do que democráticas, permaneceriam as mesmas. Faríamos novas regras, algumas mudanças legais no financiamento de campanhas eleitorais e tudo continuaria igual: péssimos serviços públicos, ineficiência estatal, níveis alarmantes de corrupção, etc, etc.

O terceiro cenário é certamente o mais difícil e mais trabalhoso de se construir, mas é também o único caminho viável para salvar a democracia: a reforma política e do Estado. Um aspecto dessa reforma é ideológico e deriva das diversas e contraditórias respostas que podemos dar a seguinte pergunta: o que esperamos do Estado?

Outro aspecto é prático e, em certa medida, independe da ideologia: como deixar o Estado mais capacitado e eficiente para realizar seus propósitos? E, a reboque desse problema não-ideológico, um outro problema não menos importante: como tornar as instituições democráticas mais sólidas, mais transparentes e menos sujeitas à corrupção e aos incentivos desonestos de interesses espúrios? Enfrentar esses desafios exigirá, em primeiro lugar, que se contenha e se desarme a escalada do ódio. Exigirá, em seguida, um intenso – e às vezes tenso – diálogo entre os diversos setores e interesses sociais em conflito, mas sem violência e sem golpismo. Seremos capazes?

A massa

O ódio, quando sentido em massa, tem uma força persecutória e destruidora que não se pode subestimar. As mais terríveis autocracias que conhecemos se valeram amplamente desse sentimento. Em Massa e Poder [7], depois de analisar detidamente as características, o ritmo e o afeto das massas, Elias Canetti analisa seus símbolos (o fogo, o mar, a chuva, o rio, a floresta, o trigo, o vento, a areia, os montes, os montes de pedra e o tesouro) e os associa a algumas nações. O símbolo de massa dos alemães, diz ele, é a floresta e já foi também o exército:

"O exército, porém, era mais do que um exército: era a floresta em marcha. Em nenhum país moderno do mundo o sentimento pela floresta manteve-se tão vivo quanto na Alemanha. O caráter rígido e paralelo das árvores eretas, sua densidade e seu número impregnam o coração do alemão de profunda e misteriosa alegria. Ainda hoje ele gosta de visitar a floresta na qual seus antepassados viveram, e sente-se em harmonia com as árvores.

"(…) Ao longo dos troncos visíveis, os olhos se perdem numa distância sempre constante. A árvore isolada, porém, é maior que o homem, e segue sempre crescendo, rumo ao gigantesco. Sua constância tem muito daquela mesma virtude do guerreiro. Numa floresta onde se podem encontrar tantas árvores da mesma espécie reunidas, as cascas, que de início parecem couraças, assemelham-se mais aos uniformes de uma divisão do exército. Sem que eles o percebessem claramente, o exército e a floresta confundiram-se inteiramente para os alemães. O que, para outros, podia afigura-se árido e ermo no exército possuía para o alemão a vida e a luminosidade da floresta. No exército, ele não sentia medo; sentia-se protegido; sentia-se um entre muitos. O caráter íngreme e retilíneo das árvores, ele o transformou em regra para si. (…). Não se deve subestimar o efeito desse antigo romantismo da floresta sobre o alemão. Eles o acolhem em centenas de canções e poemas, e a floresta que nestes figurava era amiúde caracterizada como 'alemã'" (Canetti, 1995, p. 169-170).

Canetti nada nos diz sobre o símbolo de massa dos brasileiros, mas ao diferenciar as florestas alemãs das tropicais nos dá uma pista preciosa. É fácil, segundo Canetti, notar nas florestas alemãs a pureza e o isolamento das árvores umas em relação às outras e, com isso, a ênfase na verticalidade. Nas florestas tropicais, ao contrário, "as plantas trepadeiras emaranham-se, crescendo em todas as direções. Os olhos se perdem na proximidade; trata-se de uma massa caótica e desarticulada, de uma vivacidade a mais variegada, a qual afasta qualquer sensação de uma ordem ou repetição uniforme".

Não me parece exagero dizer que também para nós, brasileiros, a floresta se converteu em um símbolo de massa. A enormidade da selva amazônica, que chamamos de "o pulmão do mundo"; a mata-atlântica e o pantanal; todos nos enchem de orgulho por sua grandeza, beleza e pela diversidade exuberante e alucinante da fauna e da flora. O verde predominante em nossa bandeira transborda pelos quatro lados e comprime todo o resto. Desde Pero Vaz de Caminha a floresta dá o tom: tudo que se planta por aqui cresce e floresce. Nossas várzeas têm mais flores e nossos bosques têm mais vida. O coqueiro que dá côco é onde amarro a minha rede. São tantas as canções e poemas que acolhem nossas matas que seria impossível enumerá-los.

Os desfiles das escolas de samba e os blocos de carnaval, que recentemente voltaram a se expandir, reforçam a floresta tropical como nosso símbolo de massa. A percussão do samba lembra o barulho das florestas. Os blocos, com os movimentos caóticos e sensuais de seus integrantes, assemelham-se a trepadeiras se enroscando. As escolas de samba na avenida parecem aves coloridas e árvores exuberantes. Sua forma contida entre duas plateias e seu ritmo calculado, transformam-na, porém, em um outro símbolo de massa que se integra ao da floresta tropical: o rio. Não é uma simples coincidência que uma das mais conhecidas músicas de Paulinho da Viola refira-se ao desfile da Portela, sua escola de samba favorita e que mimetiza o rio como símbolo de massa inclusive na cor: "não posso definir aquele azul, não era do céu nem era do mar, foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar"[6]. Aliás, a divisão das alas no interior das escolas são cardumes em formação, integrando-se assim nas avenidas os símbolos da floresta e do rio concomitantemente.

Em suma, enquanto as florestas alemãs conduziram ao exército, as nossas florestas conduziram à carnavalização da vida. Não é outra coisa o que expressa de modo tão irretocável a letra da canção Rio 42 de Chico Buarque: Se a guerra for declarada em pleno domingo de carnaval, se aliste, meu camarada, a gente vai salvar o nosso carnaval com direito à tropa do general da banda dançando o samba em Berlim [7]. Note-se, ainda, que 42 refere-se não apenas ao ano de 1942, quando o Brasil declarou guerra contra o Eixo e, portanto, contra a Alemanha, mas é também a temperatura do carnaval no verão do Rio de Janeiro, uma cidade intitulada por nós mesmos como a mais bela do mundo e que, além de ser a capital do samba, é a inequívoca expressão da mata como nosso símbolo: os morros e a mata atlântica — muito mais do que o mar — se impõem de forma onipresente e avassaladora na paisagem urbana.

Somos, enfim, diversos como as nossas florestas e completamente miscigenados. Abrimos os braços aos estrangeiros como se fossemos nós mesmos a terra em que a cultura alheia cresce e floresce. E mesmo quando imitamos os estrangeiros, o fazemos antropofagicamente: o cheeseburger vira x-burguer, os Beatles viram bloco de carnaval [8] e a trágica música Sunday Bloody Sunday, do U2, vira um alegre samba que só não soa ofensivo se for olhado sob a luz da antropofagia tropical um tanto nonsense e absurda (compare, se quiser, a versão original com legendas em português [9] e a versão tupiniquim [10]).

E mesmo o desmatamento acelerado da selva amazônica e a quase extinção da mata-atlântica é, para nós, muito mais do que um desastre ambiental. É também um atentado conta o nosso símbolo de massa e, paradoxalmente, um reforço do nosso complexo de vira-latas: celebramos assim nossa incompetência e, com ela, nossa insuperável falta de organização.

Os protestos

A massa de protesto não é um fenômeno propriamente novo no Brasil. Mas há, aqui e no mundo, um novo tipo de massa que podemos chamar de virtual, formada pela rede mundial de computadores e que se manifesta sobretudo nas redes sociais. Os atuais protestos têm sido organizados a partir dessas redes e isso, talvez, possa nos dizer algo a respeito da escalada do ódio em nosso país.

Não analiso aqui esse novo tipo de massa. Limito-me a constatar que o ódio encontra nas redes sociais um espaço propício para se manifestar e se propagar. Nem todos, é evidente, manifestam-se nas redes da mesma maneira. O caráter ambíguo de tudo o que é instrumental revela-se aqui também. Assim, diversas manifestações de rua organizadas pela internet têm por bandeira combater justamente a proliferação do ódio: são exemplos a parada gay, a marcha das vadias, os bicicletaços, o churrasquinho de gente diferenciada, entre tantos outros. O ódio, contudo, também encontrou nas redes um espaço fértil: a ausência de contato físico, a impossibilidade do confronto corporal, a suspensão temporária de uma certa reserva diante dos desconhecidos, o desaparecimento de toda e qualquer forma de timidez e, não menos importante, o formato rápido e fluido das redes, tudo contribui para que as pessoas não reflitam detidamente, mas apenas exponham de forma curta e simplificada as suas certezas e convicções.

O narcisismo individualista que se expressa nas redes não é de modo algum incompatível com a massa. A voracidade com que muitos se expõem em fotos e pensamentos é só aparentemente o cultivo da individualidade. Como, porém, há nas redes pouco espaço para reflexão, prevalece em muitos casos o reforço das pequenas certezas, os estereótipos e as convicções superficiais. Assim, as mais diversas manifestações de exposição pública, sejam elas fotográficas, estéticas ou políticas, não favorecem a construção do diálogo com quem pensa e sente de modo diferente. Ao contrário: os estereótipos são reforçados e as diferenças, repelidas. Aquilo que parecia individualidade original revela-se apenas sentimento gregário. É fácil notar nesse contexto a forte tendência à proliferação do ódio virtual. Um ódio que atinge não apenas indivíduos – e, nesse caso, precisamos aprender a rir como faz Chico Buarque [11] – mas também grupos e identidades minoritárias como negros, nordestinos, homossexuais, mulheres, ciclistas etc., além, é obvio, da proliferação de um ódio político-partidário quem vem reduzindo o debate político a um lamentável Fla-Flu.

É ainda nesse espírito que uma parcela de manifestantes, ainda que pequena, pede abertamente o retorno da ditadura militar. Não podemos desconsiderar a possibilidade de o crescimento do ódio em nosso país transformar a carnavalização da vida em exército. O ódio já está nas ruas e anda de mãos dadas com o nosso velho complexo de vira-latas (ainda mais acentuado em nosso imaginário depois dos 7 x 1). Juntos, clamam por ordem e desejam no fundo do coração que nossas florestas tropicais sejam tão ordenadas quanto as temperadas florestas alemãs. Nem a antiga rivalidade futebolística contra a Argentina consegue explicar tão bem a torcida maciça dos brasileiros contra nossos hermanos e a favor de seus algozes na final da Copa do Mundo do Brasil: a Alemanha passa a ser também o modelo admirado.

O ódio, como já disse, transforma o opositor político no inimigo interno que deve ser combatido pelo exército restaurador da ordem perdida (uma ordem que, na verdade, nunca existiu). Já aconteceu outras vezes e pode acontecer de novo. Muito melhor, ao meu ver, é reconhecermos com dignidade nossa condição de vira-latas, tão de acordo com a nossa mestiçagem (o problema está no complexo e não na condição).

Não precisamos nem devemos renunciar à floresta tropical como nosso símbolo de massa cultural: a miscigenação humana e cultural nos faz bem. A dificuldade maior, talvez, seja a de superar a floresta como símbolo de massa no que diz respeito à vida política e aos interesses públicos. As regras do jogo democrático, que podem e devem ser aperfeiçoadas no sentido de garantir maior participação, transparência e eficiência estatal, devem colocar ordem nas disputas políticas (inclusive no que diz respeito à gestão do futebol brasileiro), sem ceder, de um lado, à carnavalização que transforma a corrupção em pizza, e, de outro lado, à militarização da vida que além de não resolver o problema da corrupção e de solapar a democracia, encontra respaldo popular nos piores sentimentos: o ódio sentido em massa e o complexo de vira-latas.

Para evitar os dois piores cenários, o do retrocesso à ditadura e o do autoengano, aquele em que se mudam algumas coisas para que tudo continue como está, temos apenas um caminho: transformar o complexo de vira-latas em orgulho, desarmar a bomba do ódio (uma armadilha ruim para todos) e partirmos para a grande oportunidade proporcionada pelo tempo da revolução informática: discutir civilizadamente a reforma política, a eficiência do Estado e a reinvenção da democracia. Vamos nessa?

Guilherme Arruda Aranha é Doutorando e Mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor de Filosofia do Direito, Introdução ao Estudo do Direito e de Direito e Literatura na Pontifícia Universiadade Católica de São Paulo.

REFERÊNCIAS
1 BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
2 Tolerância: a tolerância não é uma virtude especial, é apenas um modo de dizer: "eu me proibio de proibir a livre expressão daqueles que pensam e vivem de um modo diferente do meu". Bobbio observa que a tolerância é ainda um ideal domocrático alcançado após séculos de cruéis guerras de religião.
3 A não-violência: segundo Karl Popper o que distingue essencialmente um governo democrático de um não-democrático é que apenas no primeiro os cidadãos podem livrar-se de seus governantes sem derramamento de sangue. Bobbio nota que, mesmo sendo tão frequentemente ridicularizadas, são as regras formais da democracia que introduzem pela primeira vez na história as técnicas de convivência destinadas a resolver os conflitos sociais sem recurso à violência. Apenas onde essas regras são respeitadas o adversário não é mais um inimigo que deve ser destruído, mas um opositor que amanhã poderá ocupar o nosso lugar.
4 A fraternidade: segundo Bobbio a democracia só pode sustentar-se com o reconhecimento da irmandade que une todos os homens em um destino comum.
5 Segundo Bobbio, apenas a democracia permite a formação e a expansão das revoluções silenciosas, como vem sendo há mais de um século a transformação das relações entre os sexos – e que “talvez seja a maior revolução dos nossos tempos”
6 https://www.youtube.com/watch?v=TeF8W3WMycA
7 https://www.youtube.com/watch?v=Yu73r4FcVXQ
8 https://www.youtube.com/watch?v=SFWJDY0MYZM
9 https://www.youtube.com/watch?v=IR_BHnOSnGw
10 https://www.youtube.com/watch?v=NK1YY9l8vDQ
11 https://www.youtube.com/watch?v=gO5M8OsOdsE
Terça-feira, 11 de agosto de 2015
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