Aylan
Quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Aylan

Passei o dia tentando ignorar a foto que me comoveu desde cedo. Atendimentos, audiências e peticionamentos foram minha válvula de escape. Porém, eis que surge a noite e com ela a lembrança de algo impossível de esquecer. Finalmente, olho detidamente a foto e torço para que aquele corpo esteja inerte por um sono profundo, daqueles que apenas os inocentes conseguem usufruir. A tentativa é vã e a emoção, como sempre, faz com que eu recorra aos versos. Que Aylan possa, finalmente, encontrar a paz que lhe foi sistematicamente negada por todos nós.

 

Aylan

Deitado na areia molhada

O mar lhe lavava as feridas

De uma travessia para longe de casa

Com passagem apenas de ida

 

O destino era a terra de sonhos

A ilha da mitologia

O Egeu lhe fechou as portas

Não eram o berço da democracia?

 

O motivo a vovó já falou

A política, às vezes, é dura

Uma carícia e o pranto jorrou

Não se via sinal de ternura

 

Seu fantoche os chamou de enxame

Em um discurso de ódio e rancor

E nas águas de um pranto constante

A humanidade, hoje, naufragou.

Victor Hugo Siqueira é Defensor Público no Maranhão.
Quinta-feira, 3 de setembro de 2015
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