A luta contra a corrupção é seletiva
Quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A luta contra a corrupção é seletiva

Luta contra a corrupção ou cinismo?

Todos concordamos em que a corrupção é um monstro que corrói as bases políticas e institucionais de um país. As práticas corruptas, sejam elas do cotidiano de cada cidadão ou da gestão nacional de alto nível, destroem qualquer possibilidade de criar uma sociedade mais justa, mais digna.

Lutar contra a corrupção, por tanto, é dever de qualquer um que se considere democrata. Infelizmente, no Brasil, essa luta se transformou em cinismo.

Sempre critiquei o PT por sua falta de autocrítica neste ponto. A corrupção no partido existe, sim. Um simples discurso vitimizador sem assumir erros profundos, é inaceitável. O PT tem a obrigação de cortar de raiz e na própria carne as práticas corruptas dentro de sua estrutura. Dito isso, preocupa-me que só a corrupção petista provoque críticas, gritos e panelaços. Onde está o clamor popular contra Cunha depois de descobertas suas contas na Suíça?

Onde estão aqueles que saíram à Avenida Paulista com cartazes contra as artimanhas petistas na Lava Jato ou as supostas pedaladas fiscais de Dilma? Onde estão eles para denunciar as fraudes bilionárias da operação Zelotes? Onde está a imprensa em São Paulo investigando os escândalos de desvios no estado?

Quando a luta contra a corrupção é profundamente seletiva e serve como um tosco instrumento partidário, perde toda legitimidade. Não é a ética cidadã quem toma as redes, as manchetes e as ruas, é a hipocrisia de aqueles que nunca julgaram com um mínimo de imparcialidade.

As práticas ilegais dos gestores da coisa pública, dos representantes democráticos, devem ser analisadas além de siglas partidárias, porque seu compromisso último não é com um partido é sim com a sociedade.

Indignação contra todos os que utilizem o público para fins ilícitos. Sem importar nomes ou sobrenomes.

Da forma como está sendo levada a cabo, não é luta contra a corrupção, é cinismo.

Esther Solano Gallego é Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo
Quarta-feira, 14 de outubro de 2015
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