Sem que tenha sido julgado, morre Brilhante Ustra, diretor do DOI/CODI
Quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sem que tenha sido julgado, morre Brilhante Ustra, diretor do DOI/CODI

Morreu, na madrugada desta quinta-feira, em Brasília, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que estava internado para tratamento de um câncer. Ustra foi uma figura de destaque da Ditadura Militar, por chefiar o DOI-Codi, departamento de inteligência e repressão a opositores do regime dos tempos de chumbo.

Durante os três anos e quatro meses em que comandou o departamento, na década de 1970, em São Paulo, 502 pessoas teriam sido torturadas no local e 50, mortas pelo órgão.

Apesar de ter sido reconhecido pela Justiça como um torturador, Ustra foi beneficiado pela anistia e jamais fora julgados por seus crimes. A última chance de ter sido julgado acabou com o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da revisão do perdão a acusados de praticar atos de tortura durante o regime militar.

Colunistas do Justificando lamentam ausência de julgamento

Nas redes sociais, colunistas do Justificando lamentaram a falta de julgamento a Ustra: "Lamento profundamente que ele tenha morrido sem ser responsabilizado pelo que fez, assim como lamento o sofrimento que ele causou em tanta gente"  – afirmou o cientista político Frederico de Almeida.

Sobre suas costas e sob sua responsabilidade direta, vai levar o peso de pelo menos 50 casos de mortos e desaparecidos, além dos inúmeros casos de prisões ilegais, torturas físicas e psicológicas, abusos sexuais e outras atrocidades. Infelizmente, estava em liberdade e recebendo vencimentos – elevados – de coronel reformado do Exército brasileiro. Devia ter sido expulso do Exército e devia ter morrido na cadeia, mas a impunidade não permitiu que lhe fosse feita a justiça  – criticou o advogado Renan Quinalha, que também é autor do Livro "Ditadura e Homossexualidade".

Quinalha ainda lembrou do reconhecimento pela Justiça Paulista das torturas de Ustra – Assim será lembrado na história, que não o absolveu e nunca o absolverá.

 

Quinta-feira, 15 de outubro de 2015
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