Lembrança a legado e poemas marcam evento em homenagem a Luiz Gama
Terça-feira, 3 de novembro de 2015

Lembrança a legado e poemas marcam evento em homenagem a Luiz Gama

"Luiz Gama, presente". Com essas palavras dezenas de pessoas encerraram em frente ao túmulo do abolicionista o evento que começara poucas horas antes no principal auditório da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com palestras e homenagens à vida de quem lutou pela libertação de inúmeros escravos nos tribunais em meados do Século XIX.

Apesar de ter atuado como defensor de tantas pessoas, Luiz Gama não era considerado advogado e nunca frequentou formalmente uma Faculdade de Direito, assistindo às aulas no Largo São Francisco apenas como ouvinte, tornando-se um o "rábulas" (pessoa que não é advogada, mas possui profundos conhecimentos jurídicos) mais famoso da história brasileira.

Essa distorção foi corrigida hoje com a inscrição de Gama nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil 133 anos após sua morte, homenagem é inédita na história da entidade. Segundo o Presidente Marcus Vinicius Furtado Coêlho "trata-se de uma justíssima homenagem a quem tanto lutou por liberdade, igualdade e respeito".

Professor destaca o legado de Luiz Gama

A palestra sobre o legado de Luiz Gama foi proferida pelo filósofo negro Silvio de Almeida. Professor no Mackenzie, Almeida descreveu a trajetória de vida do abolicionista que começou em Salvador e teve uma reviravolta quando foi vendido pelo seu pai como pagamento de uma dívida de jogo. Após se libertar, Gama se tornou um influente jornalista e defensor da libertação dos escravos.

Ao contrário de outros abolicionistas, Gama não era dócil quando o assunto se tratava de defender a liberdade alheia – quem diz que ele era dócil e polido quando defendia a liberdade sua e dos outros não o conhece. É de sua autoria a frase de que é justificável por legítima defesa o escravo matar o seu senhor – disse Almeida, que é presidente do Instituto Luiz Gama, ONG que presta assistência jurídica a comunidades carentes e movimentos sociais. Gama emitia pareceres jurídicos que se constrastavam com os de outros abolicionistas, os quais entendiam pela legalidade da escravidão.

Para Almeida, apesar de ter sido promulgada poucos anos após a morte do abolicionista, a Lei Áurea foi fruto de intensa luta política da qual ele foi um dos principais protagonistas.

Depois do evento, uma caminhada até o túmulo de Gama

Após a palestra, dezenas de pessoas se dirigiram até o cemitério da Consolação, logo ao lado da Universidade, para ler poemas em homenagens a Gama. A prática faz parte de uma tradição do movimento negro em São Paulo, que todos os anos visita o túmulo do abolicionista para reverenciar o ícone na história do país.

Em frente ao túmulo, cercados pelo público e por jornalistas, os poetas Jennyfer Nascimento, Pedro Lucas e Tula Pilar, da Companhia Sarau do Binho, recitaram poemas de Gama, que lembrou o amor e a luta no processo da abolição da escravatura brasileira. Abaixo está a declamação de Tula Pilar.

Estavam presentes no evento os coletivos Afromack, Comitê contra o genocídio da juventude negra, CONEN, Uneafro e Movimento Negro Unificado.

Terça-feira, 3 de novembro de 2015
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