Precisamos falar sobre feminismo
Sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Precisamos falar sobre feminismo

Em tempos de globalização digital, torna-se cada vez mais comum nos deparamos com matérias publicadas em redes sociais e em mídias impressas que nos apresentam grandes reflexões sobre como as opiniões que permeiam uma sociedade podem ser tão intolerantes ou ainda extremistas. Vagamente temos a oportunidade de lermos conteúdos que nos tragam uma posição imparcial e que nos ajude na formação de opinião. Em tempos de bombardeio informacional e intolerância generalizada, ficamos frequentemente sujeitos a emitir opiniões sobre aquilo que pouco entendemos. Dessa forma, são necessários discernimento e capacidade intelectual para segregar certos entendimentos.

Recentemente as opiniões sobre o movimento feminista tomaram conta de todos os veículos informacionais possíveis e imagináveis. Opiniões polarizadas que variam entre amor e ódio ao movimento vieram como uma gigantesca onda deixando um enorme rastro de dúvidas e incoerências.

Ainda sem um parecer concreto, resolvi pesquisar maiores explicações para evitar julgamentos equivocados.

Busquei, na herança jurídica que meu pai deixou de sua época de bancos acadêmicos, o significado da palavra Feminismo, e o que encontrei nos livros foi completamente diferente daquilo que vejo na realidade.

“(In verbis) FEMINISMO. Do latim femina (mulher), é empregado para indicar o sistema ou regime que preconiza a emancipação política da mulher, tornando-a, em relação aos direitos, igual ao homem.[1]”

 

Todas aquelas informações que continuamente ouvimos sobre como as diferentes gerações de feministas – de Simone de Beauvoir à Camille Paglia – transicionam entre ódio e aceitação dos homens à total independência da mulher, inclusive negando sua natureza humana de procriação, parecem adaptações interpretativas acerca do real significado da palavra feminismo.

Dentre todas suas variações temporais e intelectuais, o feminismo nada mais é aquilo do que aquilo pelo qual nós, mulheres, passamos a vida inteira lutando: igualdade de direitos.

O que se percebe é que ao longo dos anos houve uma desconstrução acerca do que a figura dos homens representam na sociedade. Antigamente, homens se sobrepunham ao sexo oposto por sua força física – inclusive por uma questão de sobrevivência – sobrando às mulheres apenas serviços domésticos. Mas, em nossa conjuntura social atual percebe-se uma reestrutaçao de conceitos. Nos dias de hoje, a força física não se sobrepõe ao intelecto afinal, o que se pretende é encontrar, em meio a uma procura inquietante, líderes com mentes inteligentes e inovadoras e, não existem hormônios para esses atributos.[2]

Ainda que tipologicamente, é inverossímil perceber que o movimento em si é mais profundo e concreto do que a mídia realmente apresenta. O feminismo é o profundo anseio pela igualdade dos direitos sociais, econômicos, jurídicos e políticos que permitam que a mulher alcance seus objetivos dentro de uma conjuntura social.  É essa uniformidade de direitos que garantirá à mulher o livre exercício ao seu direito de cidadania, à livre expressão, aos seus direitos fundamentais e essenciais que proporcionem uma vida digna. Esse feminismo, sem dúvidas, é o que me representa.

É aquele que a mídia não mostra, que a sociedade pouco oferece seus devidos créditos. Dentre todas as distorções intolerantes e extremistas que a era digital alcança, o feminismo se mostra mais simples em sua tipologia e mais forte em sua essência. É aquele dever social para que o sexo não intervenha nos direitos e que todos sejam vistos, protegidos e amparados pela sociedade de forma igualitária. Definitivamente, se grande parte das pessoas soubessem o que esse movimento de fato significa, teríamos mais homens e mulheres feministas, lutando por uma causa nobre  e grandíssima relevância social.

Jéssica Cassemiro é pós graduanda em Direito Societário pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Advogada.

[1] Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. 7 ed.  Volume II – Rio de Janeiro, Forense, 1982 – 4v. página 282.
[2] ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Sejamos todos feministas. Companhia das Letras – ano 2012.
Sexta-feira, 27 de novembro de 2015
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