Um ano de muito pano pra manga
Sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Um ano de muito pano pra manga

Esse ano de 2015 tem sido apontado como um “ano que não termina”. Aquele lapso temporal de 365 dias que poderia ser lembrado apenas como o centenário da 1ª Guerra Mundial, para que o mundo não se esquecesse do tamanho que a violência pode tomar – o que logo depois já não se mostrou verdadeiro, posto que este conflito só ganhou a alcunha de 1ª Guerra Mundial quando eclodiu a 2ª, duas décadas depois – começou com os atentados ao hebdomedário Charlie Hebdo em Paris, e, sinceramente, não me arrisco a dizer como acaba.

Mas, com todo o otimismo de quem trabalha com Direitos Humanos, quero aqui colocar a seguinte perspectiva: se tivemos o já mencionado ataque ao Charlie Hebdo, o recrudescimento do conflito na Síria, as massas de proporções bíblicas de refugiados para a Europa, a retórica apocalíptica e violenta do Estado Islâmico, o rompimento da barragem em Minas Gerais, os atentados de Paris, a histeria em torno do que se imagina ser uma suposta “ideologia de gênero”, os projetos de lei e de emenda constitucional com temas “cortina-de-fumaça” de Eduardo Cunha, as mil reviravoltas da temporada final (?) de House of Cards do Planalto, e, claro, a Avenida Paulista alternando ocupações dos que pedem pra ficar e dos que pedem pra sair, enquanto escolas foram ocupadas por estudantes em protesto mais pedagógico que muita sala de aula, tivemos igualmente oportunidades incríveis de discutir tudo isso.

Mesmo com todas as dificuldades que a amplificação das redes sociais dá aos debates apimentados por ondas de mudança de avatares, acredito que há muito de positivo a se tirar das discussões sobre os limites da liberdade de expressão e da liberdade religiosa, ou do boleto de cobrança que está chegando para os europeus após dois séculos de neocolonialismo (eufemismo bonito pra “invasão”), e do boleto que chega para nós, no Brasil, de nossos quase cinco séculos como colônia ou ditadura contra míseros 30 de tentativa democrática.

Para 2016, desejo que esses debates rendam frutos de reflexão. Que nossas hashtags saiam das telas dos monitores e se transformem em atitudes.

Às caras e caros leitores, esta colunista informa que entra em férias até a 2ª semana de janeiro. Agradeço a vocês que tiveram o interesse de ler, comentar e compartilhar minhas reflexões nesse ano de 2015, aprendi muito com todos (ou continuo aprendendo, afinal 2015 só acaba quando termina!)

Maíra Zapater é graduada em Direito pela PUC-SP e Ciências Sociais pela FFLCH-USP. É especialista em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo e doutoranda em Direitos Humanos pela FADUSP. Professora e pesquisadora, é autora do blog deunatv.
Sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
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