“É um golpe de Estado”, afirma Zaffaroni sobre governo Temer
Segunda-feira, 16 de maio de 2016

“É um golpe de Estado”, afirma Zaffaroni sobre governo Temer

Hoje (16), em entrevista para o Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais – CLACSO, um dos maiores penalistas do mundo e juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Eugenio Raúl Zaffaroni, falou sobre o momento político no Brasil. Para o renomado jurista, há, em curso, um "golpe de Estado" semelhante ao que aconteceu no Paraguai ou em Honduras.

Na semana passada, Michel Temer assumiu a presidência interina da República. Desde então, Temer já retirou 9 ministérios (Cultura; Comunicações; Desenvolvimento Agrário; e das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos) e foram extintas a Controladoria-Geral da União, a Casa Militar e as secretarias de Portos, Aviação Civil e Comunicação Social da Presidência.

Para muitos, o impeachment da presidenta Dilma foi conduzido sem fundamento jurídico. O juiz de direito André Bezerra, presidente da Associação Juízes para a Democracia, fundada há 25 anos e comprometida com a democratização do Judiciário, ressaltou que o impeachment, "politicamente, parece um desrespeito a esses milhões de brasileiros. (…) E, do ponto de vista jurídico, não há fato determinado".

Zaffaroni comenta, no vídeo da ONG, que a Argentina está em uma situação semelhante à do Brasil. Há, hoje, no país, enorme concentração de renda, ao passo que 150 mil foram demitidos e a inflação está descontrolada. Nessa situação de caos político e econômico, avalia que as pessoas se mobilizarão – mas espera que isso aconteça sem violência.

"Se pudermos poupar a violência, vamos poupar mortos. Todo o resto pode se reverter em um certo momento, os povos ficam tranquilos, os povos movimentam-se, mas, os mortos, não temos condições de ressuscitar", disse.

Assista o vídeo na íntegra.

#JustAcessível: "Acho que o que está acontecendo no Brasil é alguma coisa que seria mais ou menos semelhante com o que poderia ter acontecido conosco se tivéssemos ganhado as eleições. É um golpe de Estado semelhante ao que aconteceu no Paraguai, em Honduras, só que com modalidades folclóricas, vernáculas, diferentes. O espelho disso os brasileiros têm na Argentina. O que está acontecendo: distribuição da renda, concentração de riquezas, tiraram as retenções, as exportações agrárias, mas ainda também nas exportações mineiras que são empreendimentos estrangeiros, temos 150 mil funcionários demitidos, e temos um desemprego e uma inflação que está nas portas de ficar descontrolada. Realmente acho que isso vai trazer a resistência do povo, manifestações públicas, vai trazer de tudo. A única coisa que espero – mas as vezes sou pessimista – é que isto seja sem violência. Se pudermos poupar a violência, vamos poupar mortos. Todo o resto pode se reverter em um certo momento, os povos ficam tranquilos, os povos movimentam-se, mas os mortos não temos condições de ressuscitar".

Segunda-feira, 16 de maio de 2016
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