OAB de Sergipe é criticada por criar campanha por “mais polícia nas ruas”
Quinta-feira, 21 de julho de 2016

OAB de Sergipe é criticada por criar campanha por “mais polícia nas ruas”

Na última terça (19), a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Sergipe (OAB/SE), lançou a campanha "Ação! Mais polícia nas ruas!" com o propósito de estabelecer uma ação "preventiva" ao crime e a violência. Não é a primeira vez que uma seccional da maior entidade de advogados no Brasil se posiciona de maneira polêmica em relação à situação atual do país.

A ação, encabeçada pelo presidente da OAB/SE Henry Clay Andrade, visa o combate preventivo ao alto índice de criminalidade que vitima a "população sergipana". Para ele, o aumento do contingente policial é uma medida emergencial a ser tomada.

A campanha provocou polêmica e foi intensamente criticada por pessoas ligadas aos direitos humanos. Para a Advogada Militante do Movimento Negro, Laura Astrolabio, houve erro de foco – "deveria ser 'movimento mais escolas em tempo integral, mais cultura, mais saúde de qualidade'. Mas vigiar e punir parece ser mais interessante num país onde a desigualdade social é responsável por tanta violência e não existe vontade política pra sanar o problema. Muito me espanta a OAB lançar uma campanha dessa". 

Para Luiz Fellipe, formado em Direito pela Universidade Federal do Estado, há duas opções para o discurso da OAB –  "Temos duas opções: ou vocês estão defendendo essa proposta de resolução de um problema seríssimo sem conhecimento necessário, ou vocês sabem as implicações do aumento da repressão policial na sociedade (não diminui as taxas de criminalidade e violenta grupos marginalizados, pra começo de conversa) e resolveram defender mesmo assim".

Outro usuário da redes sociais, Bueno Rodrigues Góes, ironizou a campanha: "Estou encantado com tamanha criatividade, inovação e coragem da OAB/SE em propôr a mesma solução que todos os programas policiais carniceiros da tv e do rádio propõem para a violência urbana".

Sergipe tem sido foco de alerta para violações de direitos humanos

A campanha surge em meio à comoção da população e da mídia pelo latrocínio que tirou a vida de um homem que trabalhava como cobrador de ônibus. O caso já havia levantado a atenção pela ocorrência de outra tragédia, quando um apresentador de televisão divulgou nome e foto de um jovem que, segundo ele, teria cometido o crime. O Justificando noticiou o caso.

Quinta-feira, 21 de julho de 2016
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