Em vídeo, advogado negro relata tortura praticada pela Guarda Municipal e Polícia Civil
Sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Em vídeo, advogado negro relata tortura praticada pela Guarda Municipal e Polícia Civil

O advogado Renato Freitas Júnior, de 32 anos, estava com mais dois amigos no centro da cidade de Curitiba, quando foi abordado pela Guarda Civil Municipal. Sob alegação de que os jovens estavam causando pertubação da ordem, por estarem ouvindo rap, os agentes prenderam o jovem em "flagrante". 

Em vídeo publicado pelo Mídia Ninja, Freitas relata ter sido sido hostilizado, assim como as outras duas pessoas com as quais estava. “Eu só disse que se revistassem meu carro eu queria estar presente para reconhecer algo que eventualmente fosse encontrado, se fosse encontrado”, argumentou, sabendo que tinha esse direito, por ser advogado. “Quando mostrei minha carteira da OAB, disseram que era falsa. 'Olha pra esse neguinho, olha pra essa foto. Com certeza é falsa'”.

O jovem recebeu voz de prisão e foi algemado com as mãos para trás, quando recebeu um golpe na nuca. Ele relata ter visto seus dois amigos apanharem de maneira mais explícita, com chutes e socos. “Em nenhum momento me falaram porque me prenderam”, disse Freitas. De dentro da viatura, ainda algemado, Freitas postou uma foto na rede social Facebook com uma breve mensagem sobre sua prisão a suspeita de que estava sendo levado para 3º Distrito Policial.

Bastante emocionado, o jovem de 32 anos reproduz o que viveu na chegada à delegacia, no bairro Mercês, quando um dos guardas o deitou no chão e pisou em sua cabeça: “Ele falou 'se eu pisasse na merda eu teria mais problemas do que se pisasse em você', e fez várias ofensas raciais”. Freitas foi despido e colocado sozinho em uma cela, onde ficou por cerca de três horas. “Me deixaram nu na frente de todo mundo, na frente de policiais civis, inclusive de uma mulher policial, e me colocaram numa cela”.

Confira o vídeo feito pela Mídia Ninja

Em nota, a Prefeitura de Curitiba, que responde pela Guarda Municipal, pautou-se apenas nas informações do boletim de ocorrência feito pelos agentes. De acordo com o documento, a Guarda foi acionada por um funcionário da Casa da Leitura da Rua do Rosário, devido o volume da música ouvida pelo jovens do lado de fora. Segundo os agentes, eles foram desacatados por Renato quando solicitaram que reduzisse o volume do som, o que teria justificado a detenção por desacato e perturbação do sossego.

Com informações do Brasil de Fato
Sexta-feira, 26 de agosto de 2016
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