Especialistas criticam conduta de Deltan em acusação contra Lula
Quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Especialistas criticam conduta de Deltan em acusação contra Lula

Câmera, luz e ação. A coletiva de imprensa em rede nacional proferida ontem, 13, pelo Procurador da República Deltan Dallagnol para acusar o ex-presidente Lula de corrupção e lavagem de dinheiro causou desconforto rendeu comentários no meio jurídico.

A força tarefa do Ministério Público Federal (MPF) falou por mais de três horas com adjetivações, acusações e a apresentação de um PowerPoint, conhecido como PPT, sobre a ligação do apartamento no Guarujá e o ex-Presidente.

Para o Professor de Direito Constitucional da PUC Rio, Adriano Pilatti, Deltan fez um comício com adjetivações e promoveu um triste episódio na história do Ministério Público Federal – O comício de quinta categoria protagonizado há pouco pelo desequilibrado Dallagnol e seus amiguinhos é uma das páginas mais tristes e constrangedoras da história do respeitável Ministério Público Federal. Cordilheiras de acusações, insultos, neologismos policialescos e outros detritos trombeteados com “fundamento” em supostas “evidências” que parecem ter a consistência de uma pluma.

O PPT rudimentar apresentado pelo Procurador na entrevista foi assunto do Professor de Processo Penal da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e colunista do Justificando Salah H. Khaled Jr. – O PPT representa exatamente o que foi a conferência. Não poderia ser mais adequado. Banhados pelos refletores, fracassaram completamente na produção do desejado espetáculo: foi uma performance verdadeiramente deplorável, que produziu um impacto exatamente contrário ao desejado, a não ser que a intenção de desgaste do ex-presidente seja tão grande que sequer se importam com a preservação da própria imagem e da instituição que representam.

A própria denúncia foi alvo de críticas do Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Geraldo PradoO texto acusatório situa-se em um campo na esfera do imaginário que dispensou de modo explícito qualquer vinculação com pretensões de demonstração. Não se trata de uma narrativa que faça sentido “a partir dos fatos”, relativamente aos quais poderia estar ligada de alguma forma. A acusação dispensou esta conexão, que é básica na construção de uma “denúncia”, para buscar apoio, inicialmente, apenas nela própria. 

“Nisso [falta de conexão entre denúncia e fatos] reside seu caráter alucinatório, que está acentuado pelo fato de que até mesmo na condição de narrativa isolada – sem provas dada a impossibilidade de se comprovar algo que existe somente no mundo mental do acusador – a acusação ressentir-se de coerência interna. As pessoas que se derem ao trabalho de ler a denúncia confirmarão o que afirmo” – complementou o Professor.

Quinta-feira, 15 de setembro de 2016
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