Presença de mulheres empoderadas em espaços políticos é questão de sobrevivência
Terça-feira, 27 de setembro de 2016

Presença de mulheres empoderadas em espaços políticos é questão de sobrevivência

Hoje de manhã acordei com a dúvida inquietante de quantas mulheres prefeitas e vereadoras temos no Brasil. Fui correndo ao Google, o santuário cognitivo do século XXI, e digitei a expressão “mulheres prefeitas” . Como não deve de ser um conceito muito digitado nos computadores dos lares brasileiros, algum algoritmo perverso fingiu não entender a frase e devolveu “mulheres perfeitas”: conclusão, uma lista eterna de bundas e peitos (perfeitos, claro).

Minha pequena anedota matinal é muito sintomática da realidade política no Brasil. Atualmente mulheres representam 13% das vereadoras e 12% das prefeitas de todo o país. A menos de uma semana da eleição é urgente falar de gênero na política, da subrepresentação da mulher e de estratégias de mudança. Com o congresso mais conservador da história, uma bancada evangélica fundamentalista empenhada em destruir direitos e empacotar a mulher no padrão “bela, recatada e do lar”, um Ministério branco e masculino, uma grande parte da sociedade conivente com a cultura do estupro, a presença de mulheres empoderadas nos mais diversos âmbitos da representação política é uma questão de sobrevivência.

Vamos falar de mulher, vamos falar de direitos reprodutivos, de políticas afirmativas, de violência doméstica, de estupro, vamos falar de gênero nas escolas. Todo esses temas deveriam fazer parte das campanhas políticas, mas infelizmente, para a maioria dos candidatos são invisíveis. Para a maioria, não para todos. Aqui em São Paulo, por exemplo, a Bancada Ativista, um grupo de candidatos a vereadores cujas origens estão no ativismo, mobilizam estas questões, levantando a bandeira da igualdade. Não, não todos os políticos são iguais.

O voto não é tudo em democracia, aliás, pode ser muito pouco, mas em momentos de retrocesso toda forma de participação ou de luta é importante. Para nós, mulheres, cada momento político é decisivo.

Vamos falar de gênero nesta eleição.

Esther Solano é Doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Federal de São Paulo,

Terça-feira, 27 de setembro de 2016
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