“A justiça do nosso país está em cheque”, afirma Débora Maria do movimento Mães de Maio
Quarta-feira, 28 de setembro de 2016

“A justiça do nosso país está em cheque”, afirma Débora Maria do movimento Mães de Maio

Nesta terça, 27, o  Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) anulou o julgamento que condenou os policiais militares envolvidos no massacre do Carandiru, em 1992. Oficialmente, 321 policiais militares, que usaram mais de 360 armas, 25 cavalos e 13 cachorros para entrar no Pavilhão 9, deixaram ao menos 111 detentos mortos. Desses, 74 estavam em julgamento.

Ivan Sartori, relator da ação, sugeriu que os desembargadores mudassem a decisão dos jurados para absolver os réus. Para ele, a absolvição era clara, uma vez que  – “Não houve massacre, houve legítima defesa”.

A decisão causou espanto em muitas organizações de direitos humanos. Débora Maria, militante do movimento Mães de Maio, afirma: “A justiça do nosso país está em cheque”.

Débora, mãe de uma das 439 pessoas mortas em chacinas, em maio de 2006, nas periferias de São Paulo, diz que o mesmo judiciário que apoia chacinas, fazendo referência a carta em que 58 promotores de São Paulo parabenizaram a ação policial nos crimes de maio, é o que diz que não foi um massacre o que aconteceu no Carandiru. “Que ordem é essa? Ordem e progresso é matar os nossos filhos? Com a canetada, anulando e arquivando”, denuncia.

 

“Dizem que existe a bancada da bala, do boi e da bíblia no Congresso. As Mães de Maio conhecem a bancada da caneta assassina. É inaceitável, o Judiciário não tem um olhar humano, pelo pai, pela família. Eles dão o aval e selam a impunidade na ponta da metralhadora da segurança pública.”

 

Para Débora, após essa decisão que absolve os policias militares do massacre do Carandiru, São Paulo vai se deparar com um aumento das chacinas, que serão ainda mais perversas porque haverá a certeza da impunidade. “Eu faço o papel de mãe, correspondo a dor dessa mãe do filho encarcerado. Não é só porque meu filho era um trabalhador que eu não vou sentir a dor de uma mãe do cárcere e até mesmo da dor de uma mãe de um policial. Nós não vamos parar de lutar.”

As Mães de Maio repudiam a decisão do TJSP e alertam para a necessidade emergencial da desmilitarização da policia militar e também do judiciário, que deveria fazer o controle da ação policial, mas continua “dando carta branca para matar”.

Quarta-feira, 28 de setembro de 2016
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