Presos incendeiam e fogem de manicômio judiciário, lugar de tortura e morte
Terça-feira, 18 de outubro de 2016

Presos incendeiam e fogem de manicômio judiciário, lugar de tortura e morte

Uma rebelião de presos no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, ocasionou na fuga de detentos e incêndio de sete pavilhões do estabelecimento no início da noite desta segunda-feira (17). 

A fuga e revolta dos “pacientes” com o local levanta críticas sobre as precárias condições as quais são mantidos, onde não há nada além de tortura e encarceramento. Apesar de tantas críticas do ponto de vista jurídico e médico, os manicômios são realidade no país, traduzindo muitas vezes em prisões perpétuas para pessoas internadas.

Os horrores do manicômio judicial são velhos conhecidos dos leitores e leitoras do Justificando. Inclusive, o texto mais lido da história do portal é exatamente sobre esse tema. Trata-se do artigo de Thayara Castelo Branco sobre o “holocausto manicomial” – a história do hospital psiquiátrico de Barbacena, maior hospício do país que exterminou dezenas de milhares de pessoas.

Para o Defensor Público, Bruno Bortolucci Baghim, ninguém jamais pode ser obrigado a viver em um local como aquele – “Considerando o horror que é um manicômio judiciário, nada mais justo. Não damos a atenção adequada aos que padecem de enfermidades psiquiátricas, optando por tratar criminalmente o que é questão de saúde. Que fujam todos. Nenhum ser vivo pode ser obrigado a se submeter ao que ocorre lá dentro”.

Rebelião no manicômio judiciário é ato de legítima defesa! Instituição ilegal, lugar de prisão perpétua, tortura e morte. A fuga do hospício e a destruição do lugar compõem um acontecimento de extrema beleza, sem ironia – afirmou em suas redes sociais o Promotor de Justiça em Goiás e colunista do Justificando, Haroldo Caetano, uma das maiores autoridades brasileiras na pauta antimanicomial. 

O Promotor de Justiça encabeçou uma vitoriosa luta em seu Estado, fechando o Manicômio Judiciário, para que pessoas que realmente necessitem de tratamento sejam atendidas por outras alternativas, sem internações forçadas em manicômios. O tratamento de saúde mental em Goiás se tornou referência nacional, mas agora enfrenta o risco de regredir aos tempos sombrios.

Enquanto isso, em todo país, a prática manicomial continua ao arrepio dos direitos humanos e da lei, que desde 2001, após ampla batalha do movimento antimanicomial, prevê a internação apenas em locais com o devido tratamento, onde seja “estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros”. A lei antimanicomial é uma dentre tantas descumpridas pelo Poder Público brasileiro.

Terça-feira, 18 de outubro de 2016
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