Fala machista de Professor de Federal de Rondônia revolta comunidade jurídica
Terça-feira, 25 de outubro de 2016

Fala machista de Professor de Federal de Rondônia revolta comunidade jurídica

Uma palestra sobre “Por que é preciso falar de gênero no Direito?” proferida pela Pesquisadora do Anis – Instituto de Bioética e colunista do Justificando, Sinara Gumieri, na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), tem gerado uma imensa repercussão no meio jurídico após o professor da Universidade, Samuel Milet, proferir palavras de ódio machistas e homofóbicas em relação à palestrante.

Após a palestra da pesquisadora, o Professor criticou os alunos que foram até lá e aplaudiram a fala. Uma aluna interveio e ambos começaram uma discussão, cuja gravação foi autorizada por ele. Milet afirmou que a palestrante era uma “vagabunda”, “bostinha” e “sapatona”. Para ele, Sinara era uma “defensora do aborto” que falava contra a “moral e os bons costumes”.

As palavras de ódio chocaram a comunidade acadêmica e jurídica. Em nota, diversos centros acadêmicos criticaram a atitude do Professor – é inadmissível que um professor de uma instituição de ensino superior do país profira livremente um discurso de ódio que ataca mulheres e pessoas da comunidade LGBT, dentro de sala de aula.

“Por mais Sinaras e menos Samueis em sala de aula Brasil afora, para que finalmente os “tais operadores do Direito” compreendam que “dignidade da pessoa humana” vai além de um termo bonito para usar por aí, é sobre gente concreta, que é humilhada, apanha, sangra e morre por ser quem se é” – criticaram os estudantes.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Rondônia, manifestou “perplexidade e repúdio” à fala do Professor da Federal de Rondônia. A comissão anunciou que tomará providências jurídicas contra o profissional. Já a comissão de ética da universidade afirmou que abrirá um processo administrativo.

Em vídeo divulgado pelo Anis – Instituto de Bioética, a Professora da Universidade de Brasília, Debora Diniz, fala diretamente com o Professor de Rondônia, sobre lidar com o que não concorda em ambiente acadêmico. Por não entender isso, explica Debora, Milet proferiu palavras discriminatórias contra a sua função, devendo se desculpar publicamente à Sinara. Veja abaixo:

Juristas condenam atitude de Professor 

Para a militante feminista e colunista do Justificando, Gabriela Cunha Ferraz, trata-se “mais uma vez de um caso de violação do direito de cátedra e do machismo relacionado à liberdade de cátedra. Uma mulher agredida dentro de sua feminilidade, dentro do indivíduo e não como profissional. É isso que o machismo faz: trazer a discussão acadêmica para o pessoal para desqualificar a mulher”. 

Gabriela ressalta que o episódio, na verdade, reforça a importância de eventos como esse acontecerem – “É importante perceber do episódio como os eventos que pretender discutir gênero são necessários nas universidades, as quais têm um grande problema para resolver dentro do tema, por não saber como lidar, gerando situações como essa. Então, eventos para discutir gênero são fundamentais. Temos que marcar o posicionamento. Essa luta ainda é muito grande”.

A Pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, Maíra Zapater, afirma que a ignorância sobre gênero é comum, mas que o caso espanta pela despreocupação do Professor agredir deliberadamente – “o comportamento do professor Samuel Milet somente espanta pela despreocupação em disfarçar a agressão em liberdade de expressão. Quem atua na área de gênero se depara todos os dias com a confusão entre opiniões morais e argumentos fundamentados, e a profunda ignorância no tema”.

Para Maíra, a hora é de mudança – “A virulência e grosseria do professor são úteis para colocar às claras, sem o verniz de quem ao menos se preocupa em parecer educado, as raízes profundas do sexismo no ambiente acadêmico. Não é possível continuar a formar gerações de operadores do Direito sobre essas bases”.

“O que o episódio revela é um discurso de ódio que agride todas as mulheres que lutam pelos seus direitos. Não se trata de liberdade de expressão, como ele fez questão de dizer enquanto vociferava perante uma turma lotada de estudantes: trata-se de misoginia. Um discurso que, por outro lado, guardadas as devidas proporções, não é um fenômeno isolado dentro das universidades brasileiras, onde muitos professores fazem “graça” ao falarem de estupro, violência doméstica e feminicídio, ridicularizando e oprimindo alunas que a isso se contrapõem”, declarou sobre o caso a Doutora pela Universidade de Brasília, Soraia da Rosa Mendes.

“Sinara nos representa: a violência sofrida por ela violentou todas nós”, concluiu a Professora.

 

Terça-feira, 25 de outubro de 2016
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