Por um Rio de Janeiro seguro e democrático
Terça-feira, 25 de outubro de 2016

Por um Rio de Janeiro seguro e democrático

A disputa do segundo turno eleitoral na cidade do Rio de Janeiro tem revelado ao país várias polarizações importantes da política nacional. O confronto entre direitos humanos e a política de tolerância zero; a tensão entre o proselitismo fundamentalista e uma visão multicultural  e participativa; a oposição entre a privatização e a democratização da cidade. Marcelo Crivela e Marcelo Freixo são, por vários motivos, antíteses na forma de interpretar e intervir sobre a administração pública e sobre o exercício da atividade política.

Um aspecto destas polarizações merece especial destaque: o tema da segurança pública.

 

Histórica questão não resolvida na cidade do Rio de Janeiro (e em todo o país) a violência é, sem dúvida, uma das mais expressivas preocupações do povo carioca e de grande parte das brasileiras e dos brasileiros.

 

Seja pela ação espetacularizada da mídia, seja pela vivência real dos cidadãos, acuados pelo terror de Estado, o Rio de Janeiro transformou-se ao longo dos anos em triste exemplo de insegurança urbana, de corrupção e de violência policial. Para tristeza daqueles que amam a cidade maravilhosa a ação desastrada dos governos estadual e municipal tem servido para acirrar ainda mais o problema.

Nesta segunda etapa do processo eleitoral está posta sobre a mesa a chance de escolher entre a manutenção do caos e a construção de alternativas. E, neste aspecto, Freixo tem experiência e qualidades de sobra para mudar e construir as novidades necessárias a esta mudança. Oriundo de legítimas lutas políticas por direitos e contra a brutalidade policial Freixo foi presidente da CPI das Milícias, atuou como professor no sistema prisional e reúne consigo especialistas, militantes e ativistas políticos com grande acúmulo na construção de propostas que possam mudar a condução da administração pública municipal no campo da prevenção à violência na cidade.

Enquanto o programa do PSOL propõe protagonismo do município na ação de prevenção à violência as indicações do seu adversário indicam o aprofundamento do “jogo de empurra” que quer retirar das mãos da prefeitura qualquer responsabilidade sobre a construção de uma cidade segura. A chance para alterarmos a velha arquitetura institucional na área da segurança é mudarmos a forma pela qual os diferentes entes federativos se engajam na construção de uma sociedade sem violência e sem discriminação.

O debate da segurança pública no Rio de Janeiro nestas eleições terá impacto em todo o país. A construção de uma experiência de gestão democrática da segurança numa cidade tão relevante quanto a capital fluminense pode deflagrar em outros cantos a crença na possibilidade de outros horizontes para debatermos o tema. Como se canta no jingle de Freixo, uma gestão diferente na área da segurança na cidade do Rio pode nos mostrar que sim, é possível.

Sem dúvida esta mudança dependerá primeiro da eleição de Marcelo Freixo, no próximo dia 29, mas, dependerá também da capacidade que ele e o seu partido terão de organizar maioria parlamentar, de compor sem perder coerência e identidade ideológica e, o mais necessário e difícil, de ser radical (no sentido de intervir sobre as grandes questões) sem ser sectário e nem irascível. Que não nos falte coragem para romper com os velhos discursos, derrotar o fundamentalismo e para construir um Rio de direito, de cidadania e de democracia. Vai ser diferente!

Felipe da Silva Freitas é doutorando em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Criminologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (GPCRIM UEFS)

Terça-feira, 25 de outubro de 2016
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