Vestir sombras, expandir silhuetas: as mulheres, a ditadura e a cartografia das cidades
Quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Vestir sombras, expandir silhuetas: as mulheres, a ditadura e a cartografia das cidades

 

Vestir una sombra[1]

Lo más difícil es cercarla, conocer su límite allí

donde se enlaza con la penumbra al borde de sí misma.

Escogerla entre tantas otras, apartarla de la luz

que toda sombra respira sigilosa, peligrosamente. (…)

Muitos são os “elementos da paisagem que transportam a carga da história”[2]. Se atenta aos fios multidirecionais que se entrelaçam nessa tessitura, percebo que “ao invés de postular o caráter mutuamente exclusivo da cultura e da natureza ocidentais”[3], devo desvendar para além das molduras culturais ou naturais “a força dos elos que as unem. Essa força geralmente se esconde sob camadas e camadas de lugar-comum[4] que compõem as paisagens.

Foi assim que resolvi vestir o escafandro e mergulhar na seiva das cidades. O mapa, seria cartografado pelas mulheres sem rosto[5] que a ditadura tentou silenciar e a historiografia, em regra, reservou lugar de coadjuvantes, meras companheiras dos homens da luta[6].

Tomei Ranúsia Alves Rodrigues por fio condutor da trajetória. Seu corpo foi encontrado inteiro e o rosto desfigurado a tiros na Praça Sentinela, Jacarepaguá, Rio de Janeiro, aos 27 de outubro de 1973. Amanhã serão 43 anos completos[7]. Compondo a cena, três corpos masculinos carbonizados no interior de um veículo:

O corpo de Ranúsia entrou no IML/RJ pela guia n° 20 do DOPS e a necropsia, feita pelos Drs. Hélder Machado Paupério e Roberto Blanco dos Santos, confirma a versão oficial da repressão de que foi morta em tiroteio ao reagir à prisão. Na certidão de óbito de n° 17.414 está como desconhecida, tendo como declarante José Severino Teixeira. Laudo e fotos de perícia de local (Ocorrência n° 947/73 e ICE n° 6995/73) mostram Ranúsia metralhada, tendo ao fundo o Volkswagen incendiado, onde estavam carbonizados Ramires, Vitorino e Almir. Foi enterrada como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (RJ), em 31 de dezembro de 73, na cova n° 22.706, quadra 21. Em 02 de abril de 1979 seus restos mortais foram para um ossário geral e, em 1980/1981 para uma vala clandestina com cerca de 2.000 outras ossadas de indigentes.[8]

Enquanto em abril de 1979, os restos mortais de Ranúsia ocuparam um palmo de ossário, nasci. Nascemos. Eu em abril de 1979. Ela em junho de 1945.

Pariram-nos em um mesmo município, num planalto da Borborema de muitos agrestes[9], intermédio entre o sertão e a zona da mata. Mata atlântica rareada, que sobrevive em reservas, naturalizando-se em seu lugar, desde o Brasil Colônia, a cana de açúcar[10].

Mas não permanecemos lá. No tear desse tecido, seguimos a cana de açúcar e chegamos ao Recife. E, no caso de Ranúsia, ela se dirigiu para além dos limites da cidade. A partir dos corredores universitários da graduação em enfermagem, protagonizou lutas que lhe renderiam prisão em 1968, no Estado de São Paulo[11], sendo expulsa da universidade, a qual, por ‘lei’, deveria ser ‘sem partido’[12].

Ranúsia tinha partido[13]. Partiu à clandestinidade, atuando como militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário – PCBR e na clandestinidade pariu. Sua filha Vanúzia ficou com Almerinda, garantindo com isso a proteção da menina, que permaneceu residindo em um bairro da zona norte de Recife[14]. Hoje, essa história reverbera e inspira elos de sororidade[15], a exemplo do Coletivo de Mães Feministas Ranúsia Alves[16].

Dentre os relatos de protagonismo de Ranúsia, o do médico Lurildo Saraiva[17], dando voz a uma mulher que insistia em ramificar as redes de combate e desarticular a ditadura civil-militar, mesmo que o capital seguisse derramando sangue sob o pretexto da ordem e dos bons costumes:

Era extremamente generosa, dócil, apegada à profissão de Enfermagem, que escolhera para ajudar ao próximo. Valente e guerreira. Incursa no Decreto-Lei 477, feito pelos generais para afugentar os jovens da conscientização política e da luta pelas liberdades democráticas, não se furtou a continuar o seu trabalho de ajudar fundamentalmente os enfermos pobres, ontem, como hoje, a sofrerem pela própria doença e pelo descaso com os hospitais universitários, carentes de tudo. Lembro-me que a vi no enterro do Padre Henrique Pereira Neto, este uma das primeiras vítimas do terror da era Médici, de olhos úmidos, em plena Avenida Caxangá, ao lado da minha irmã, como ela, enfermeira. No ano de 1970, quando eu era interno no Hospital Pedro II, por volta das nove horas das sextas feiras, quase sempre me trazia um enfermo pobre para medicar e, sobretudo, companheiros, que militavam em luta clandestina, mostrando na pele estigmas das torturas ocorridas no DOPS. Eu os via de modo sorrateiro, com nomes falsos, tentando burlar a vigilância dos agentes direitistas, que pululavam nas unidades da UFPE, que, ulteriormente, viria a saber ser um dos centros de tortura política no país.

Olho meus pés fixos em lugares e espaços e não me contenta resumir o escafandro dessa seiva aos pontos de vida e não vida de Ranúsia. Sei que há mais sombras a vestir. Na paisagem, a luta de Ranúsia ainda está presente, porque ela não é luta de uma só, mas de todas nós. São suas “silhuetas em série”[18] que busco:

Através das minhas esculturas de terra/corpo, eu me torno uma com a terra… Eu me torno uma extensão da natureza e a natureza se torna uma extensão do meu corpo. Este ato obsessivo de reafirmar meus laços com a terra é realmente uma reativação das minhas crenças primitivas… uma força feminina onipresente, a imagem posterior se engloba dentro do útero, é uma manifestação da minha sede de viver[19].

ana-mendieta-serie-silhuetas-05

Trabalho de Ana Mendieta (Silueta Series, 1973-1980)

A paisagem[20] contemporânea, com “uma escavação feita abaixo do nosso nível de visão convencional[21], pode revelar “os veios de mito e memória existentes sob a superfície[22]. Assim, sigo na tentativa de “perceber o contorno fantasmagórico de uma paisagem antiga, sob a capa superficial do contemporâneo[23] e com ela, “perceber, intensamente, a permanência dos mitos essenciais[24].

Fiando as cobertas que dão contorno às sombras de Ranúsia, as ruas, ruelas e praças surgem na cartografia escondida das cidades.

No Rio de Janeiro, a Praça que a abriga está no bairro da Paciência. Suas companheiras na localidade são Soledad Barret Viedma e Terezinha Viana de Assis. Elas estão na região administrativa XIX (RA XIX) da área de planejamento 5 (AP5) do Rio de Janeiro, ocupando espaços cuja memória da região remete ao uso militar[25]. Ranúsia passou a ocupar oficialmente o repertório geográfico daquela cidade[26]. Agora ela está materializada em uma praça.

Há quilômetros dali, chego ao conjunto habitacional da Jova Rural, na cidade de São Paulo. Surgiu a partir da desapropriação de terras para regularização de ocupação de famílias. Entregue em 1989, Ranúsia está ali junto a Telma Regina Cordeiro Correia e, novamente, a Terezinha Viana. Nas imediações, a voz de dez mulheres moradoras do bairro que resolveram fundar uma associação de mulheres amigas da Jova Rural, que declara ter como missão a “formação de futuras gerações promovendo a educação, a cultura e a assistência à mulher, à criança, ao adolescente e à família; garantindo o exercício de sua cidadania e propiciando o desenvolvimento comunitário[27].

Ainda no Estado de São Paulo, o Parque Oziel, na cidade de Campinas, guarda a “Ruela Ranúsia Alves Rodrigues”, cujo conjunto de moradoras narra a história do que foi considerada nos anos 80 a maior ocupação urbana da América Latina. Invadiram e enfrentaram disputas judiciais, alcançando uma vitória coletiva que, na fala firme e precisa de Marli B. dos Santos Nascimento (Malú), resume-se à seguinte fórmula: “lugar que o pessoal não é de luta, não vai à luta, não enfrenta, não acontece. Aqui só aconteceu por causa disso”. Ao final, Malú cantaCaminhando e cantando (…) vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer[28].

De volta a Recife, Pernambuco dos sertões, dos agrestes e das matas, reencontro Ranúsia Alves Rodrigues. Ela agora está na comunidade do Buriti, bairro da Macaxeira, terra que seguira até então o destino tradicional dos estatutos históricos da propriedade privada no Brasil, desde as sesmarias às doações coloniais e às concessões imperiais, sendo parte integrante do Engenho Apipucos[29].

O flerte perene e de longa duração entre o público e o privado fez aquele chão chegar ao início do século XX como gleba desmembrada de um engenho em fogo morto, destinada a empreendedores privados da indústria têxtil, a qual à época ganhava contornos desenvolvimentistas no Nordeste e no Sul do país[30], perpetuando o discurso do progresso.

Naquele bairro implementar-se-ia a geografia higienista e produtiva da vila operária[31]. Na linha de produção, elas: tecelãs, fiandeiras, urdideiras. Mulheres trabalhadoras que, ao longo dos anos, organizaram sindicatos e perceberam que os salários baixos as deixavam endividadas no armazém do patrão e reféns da moradia que ele fornecia. As ruas por onde transitavam ou onde moravam, pela ‘graça’ do patrão, o nome era da parentela do “Coroné Othon”[32]. Quando os vigias se excediam, o poder público respondia que nada podia fazer, pois ali era propriedade privada[33].

Mas elas não se contentaram. Quando a fábrica não mais apitava e a área era simplesmente improdutiva e ociosa, elegeram o momento da posse e retorno democrático de Miguel Arraes em 1987 como ideal para invadir e ocupar:

Apreendia o segmento popular aquela conjuntura como um momento carregado de oportunidades, requerendo atitudes e iniciativas rápidas, vigorosas, como forma de antecipação das decisões públicas, criando situações de forte pressão sobre o Estado. Essa pressão impunha a necessidade de soluções urgentes, por parte do Estado em resposta à problemática habitacional, consoante com o ambiente que circundava o governo em instalação. (…) emergem elementos de cunho ideológico associados à postura do governante, e, neste sentido, destaca: o “Governo novo que chegou, a gente, também, tinha muita esperança, pois era um governo de esquerda”. (…) a realidade mostrava: “Muita gente sem ter onde morar aproveitou a oportunidade do Governo. Nosso Governo Popular. Aproveitamos e ocupamos a terra”[34]

Em sistema de autoconstrução[35], consolidou-se em terra firme Ranúsia Alves Rodrigues (CEP 52.090-785), ao lado de Sonia Maria Lopes Morães (CEP 52.090-790) e bem próxima à Pauline Reichstul (CEP 52.090-510). Ruas da ocupação do Buriti, que foram contempladas oficialmente na cartografia da cidade do Recife nos anos 90[36].

São muitas e em vários endereços. Sombras cujas vestes cartografam as forças dinâmicas da disputa entre capital e trabalho, os espaços de luta, os lugares de moradia e vida de guerreiras sem rosto. Estão nos lugares distantes e inóspitos das cidades. Lugares onde os relevos são de difícil construção e fixação.

Regiões sujeitas às intempéries no decorrer do tempo e ao capricho dos espaços cedidos aos fluxos das águas. Lugares a revelar que “os mitos e lembranças da paisagem partilham duas características comuns: sua surpreendente permanência ao longo dos séculos e sua capacidade de moldar instituições com as quais ainda convivemos[37].

Mas as silhuetas de sombras, vestidas ou não, seguem irmanadas à terra e não se furtam a “vivenciar o local, [a] usar o arquivo dos pés”[38], a integrar a paisagem, resistir e expandir nos mapas[39] a cartografia da luta pela ressocialização da terra e pela democratização da política.

Ranúsias vivem e somos muitas, assim como são muitos os agrestes.

Renata Nóbrega é mulher, membra da AJD (Associação Juízes para a Democracia) e juíza do trabalho no TRT da 6ª Região. Foi agente de polícia, delegada e serventuária da justiça federal. Curiosa e precisando de poucas horas de sono para viver, vai deixar para dormir quando morrer. É casada com uma mulher que adora dormir. Mestranda em História Social pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Percebe que o capital rotula, pintando peles de cores e apelidando sexos de frágeis, mas acredita na paleta viva do arco-íris e na força da luta nada frágil do feminismo revolucionário para rearranjar a estrutura dinâmica de gênero e classe.
Compõe a coluna Sororidade em Pauta em conjunto com as magistradas Célia Regina Ody Benardes, Daniela Valle da Rocha Müller, Elinay Melo, Fernanda Orsomarzo, Gabriela Lenz de Lacerda, Juliana Castello Branco, Laura Rodrigues Benda, Patrícia Maeda, Renata Nóbrega e Sofia Lima Dutra.
Imagens: Trabalho de Ana Mendieta (Silueta Series, 1973-1980)


[1] Julio Cortázar publica em 1969 Ultimo Round, onde se lê, dentre os vários fragmentos ‘Vestir una sombra’: “Lo más difícil es cercarla, conocer su límite allí donde se enlaza con la penumbra al borde de sí misma. Escogerla entre tantas otras, apartarla de la luz que toda sombra respira sigilosa, peligrosamente. Empezar entonces a vestirla como distraído, sin moverse demasiado, sin asustarla o disolverla: operación inicial donde la nada se agazapa en cada gesto. La ropa interior, el transparente corpiño, las medias que dibujan un ascenso sedoso hacia los muslos. Todo lo consentirá en su momentánea ignorancia, como si todavía creyera estar jugando con otra sombra, pero bruscamente se inquietará cuando la falda ciña su cintura y sienta los dedos que abotonan la blusa entre los senos, rozando la garganta que se alza hasta perderse en un oscuro surtidor. Rechazará el gesto de coronarla con la peluca de flotante pelo rubio (¡ ese halo tembloroso rodeando un rostro inexistente!) y habrá que apresurarse a dibujar la boca con la brasa del cigarrillo, deslizar sortijas y pulseras para darle esas manos con que resistirá inciertamente mientras los labios apenas nacidos murmuran el plañido inmemorial de quien despierta al mundo. Faltarán los ojos, que han de brotar de las lágrimas, la sombra por sí misma completándose para mejor luchar, para negarse. Inútilmente conmovedora cuando el mismo impulso que la vistió, la misma sed de verla asomar perfecta del confuso espacio, la envuelva en su juncal de caricias, comience a desnudarla, a descubrir, por primera vez su forma que vanamente busca cobijarse tras manos y súplicas, cediendo lentamente a la caída entre un brillar de anillos que rasgan en el aire sus luciérnagas húmedas” [CORTÁZAR, Julio. Ultimo Round. Barcelona/México: Editorial RM, 2010 (1969)].

[2] SCHAMA, Simon. Paisagem e Memória. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

[3] Idem.

[4] Idem.

[5] Sobre memórias de acontecimentos que teimam em nos manter vestidas de sombras, o livro de Svetlana Aleksiévitch, A guerra não tem rosto de mulher, uma bela recomendação da companheira de ‘Sororidade em pauta’, Gabriela Lenz de Lacerda.

[6] SOUSA, Príscila Paula. Mulheres e memórias: uma análise da historiografia sobre a ditadura militar brasileira. CAMPINAS: Dissertação (mestrado) – UNICAMP/IFCH, 2016.

[7] Falando em datas, Juliana Ribeiro Castello Branco, companheira de ‘Sororidade em pauta’, despertou-me para o fato de que hoje, 26 de outubro de 2016, faz dois anos da vitória em segundo turno da Presidenta Dilma Vana Rousseff. Sobre os acontecimentos misóginos que se seguiram à eleição, nosso texto coletivo ‘Lutemos pela democracia como mulheres que somos’, acessível em http://justificando.com/2016/09/07/lutemos-pela-democracia-como-mulheres-que-somos/. Registro, ainda acerca das datas, que amanhã, aniversário de morte de Ranúsia, é também a data de nascimento do ex Presidente Lula, de 1945. São 70 anos. Ficam os registros.

[8] Memorial do Cemitério de Ricardo de Albuquerque, acessível em http://www.cartografiasdaditadura.org.br/files/2014/03/Cemiterio-Ricardo-de-Albuquerque_final_1.pdf, com a emocionante narrativa de Cecília Coimbra sobre o momento em que encontrou os corpos: “E aí eu sei que a gente, em outubro de 73, que foi a morte do seu tio, não me lembro o dia [27], sei que o Romildo: ‘Abre aí!’. Fomos abrindo, mostrando pra imprensa, a entrada e saída dos livros que a gente ia pesquisar, e aí abrimos em outubro de 73, aí nós vimos: um homem desconhecido, um homem desconhecido, um homem desconhecido e uma mulher (Ranúsia Alves Rodrigues)… […] Aí a gente olhou de onde veio: uma praça em Jacarepaguá [Praça Sentinela] […]. Aí o Romildo: ‘São eles! Cecília, encontrei meu irmão! São eles!’. Eu disse: ‘Calma, Romildo, vamos pro cemitério de Ricardo de Albuquerque, Romildo, calma’. Eu fico arrepiada quando me lembro disso. Eu digo: ‘Calma, a imprensa tá aí, e a gente não sabe, vamos voltar amanhã de manhã pra cá’. Não falamos nada! Imagina o seu pai se segurando diante da imprensa e dando declaração e não falando nada”.

[9] Gabriela Martin, referindo-se ao plural do geografo Mário Lacerda de Melo, diz que “os agrestes constituem zonas de transição, sendo melhor falar talvez em ‘manchas de agreste’ entre o litoral e o semiárido. O índice pluviométrico é maior que no sertão e menor que no litoral e a vegetação é arbórea. Correm nos agrestes rios de curto percurso e cursos d’água menores, em cujas margens, não raro, encontram-se gravuras e pinturas rupestres sobre formações rochosas arredondadas. MARTIN, Gabriela. Pré-história do Nordeste do Brasil. Recife: UFPE, 2013. Especificamente quanto aos vários agrestes ver MELO, Mário Lacerda de. Os agrestes: estudos dos espaços nordestinos do sistema gado-policultura de uso de recursos. Recife: SUDENE, 1980.

[10] DABAT, Christine Rufino. Moradores de Engenho: relações de trabalho e condições de vida dos trabalhadores rurais na zona canavieira de Pernambuco segundo a literatura, a academia e os próprios atores sociais. Recife: UFPE, 2012.

[11] Ranúsia foi presa pela primeira vez em Ibiúna/SP, em 1968, quando do 30º Congresso da UNE.

[12] O Decreto Lei 477/69 autorizava que a instituição de ensino promovesse a expulsão por processo sumário e inquisitório não superior a 20 dias. A regulamentação do decreto ficou ao encargo do então Ministério da Educação e Cultura, acessível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0477impressao.htm.

[13] Ao menos até o momento, estudantes de enfermagem da UFPE gozam da liberdade constitucional de expressão, de modo que o diretório acadêmico do curso se chama Diretório Acadêmico Ranúsia Alves – DARA. Para saber mais, http://daraenfufpe.blogspot.com.br/ e https://www.facebook.com/daraufpe.

[14] Apenas em 1991, com a abertura dos documentos do DOPS, é que Vanúzia, aos 22 anos, teria sabido acerca da verdadeira história de Ranúsia. Dentre outros, http://www.jornaliadoed.com.br/2008/03/blog-post.html#.WA61JPkrLIU. Tentei acessar Vanúzia, para me sentir mais habilitada a inferir e divagar acerca de relações de sororidade porventura estabelecidas entre Almerinda, Ranúsia e outras mulheres desse ponto da corrente, mas como não consegui retorno, deixo aqui em aberto o devir da trama. Ao menos nessa parte, as sombras não foram completamente vestidas…

[15] Sobre sororidade, nosso artigo O que é sororidade e por que precisamos falar sobre, acessível em http://justificando.com/2016/06/02/o-que-e-sororidade-e-por-que-precisamos-falar-sobre/.

[16] Para mais informações, acessar https://www.facebook.com/coletivodemaesfeministasranusiaalves/?fref=ts.

[17] Texto integral acessível em http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/120290/Elegia-para-Ran%C3%BAsia.htm.

[18] Trabalho desenvolvido pela artista Ana Mendieta de 1973 a 1980, a série reivindica o espaço à maneira feminina, sem usurpar a natureza, numa busca para encontrar o lugar e não para dominar o espaço. Tradução livre de trechos publicados por BEST, Susan. The Serial Spaces of Ana Mendieta. In Art History. ISSN 0141-6790. vol. 30 n. 1. Fevereiro de 2007, pp 57-82. No mesmo artigo: “Mendieta’s essentialism can be characterized as a reliance upon an ahistorical idea, mother earth, to generate the Silueta Series. Thus the traditional link between the female body and nature is supported and a received idea about sexual difference is retained. More precisely, Mendieta subscribes to an idea of feminized nature, or what I have described elsewhere as feminized space. (…) In short, the siluetas show her form as both continuous with nature and differentiated from it, claiming and claimed by nature. In one of her most succinct formulations of this double action, she described the siluetas as ‘visualizing the body as an extension of nature and nature as an extension of the body’”.

[19] Ana Mendieta, acessível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Mendieta#cite_note-4.

[20] “Num quadro de estudo das paisagens nenhum elemento isolado, quer seja de ordem natural ou social, é determinante para a apreensão da totalidade das paisagens enfocadas. Por outro lado, o inverso também é verdadeiro, sob pena de cair-se na superficialidade do apenas visível, palpável e não verdadeiramente articulado nas dimensões sinergéticas necessárias à compreensão de seus arranjos e composições. Esta característica intrínseca ao estudo das paisagens evoca o princípio da relação em que a soma das partes é maior que o todo, assim como o todo é maior que a simples adição das partes”. In. GOMES, Edvânia Torres Aguiar. Recortes de paisagens na cidade do Recife. Recife: FUNDAJ – Massangana, 2007.

[21] SCHAMA, Simon. Paisagem e Memória. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

[22] Idem.

[23] Idem.

[24] Idem.

[25] Daniela Valle, companheira de ‘Sororidade em Pauta’, chamou a minha atenção para isso e, posteriormente, acessei documentação municipal que confirma as reminiscências históricas daquela paisagem: “A presença de amplos vazios motivou o governo federal a instalar na região bases militares como por exemplo, a Vila Militar, as bases aéreas de Campo dos Afonsos e Santa Cruz, e, ainda, as áreas de treinamento e experimentação, como o Campo do Gericinó. Assim, foi necessária a construção de conjuntos habitacionais para atender inicialmente a população militar, e em seguida para setores populares civis. Igualmente, a baixa ocupação incentivou, nos anos 60, o poder estadual – na época Estado da Guanabara – a transferir os moradores das favelas erradicadas da Zona Sul para conjuntos habitacionais da região”. Acessível em http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4290214/4105682/06.AnexoVIDescricaoeMapadaAreadePlanejamento5.pdf.

[26] Através do Decreto Municipal (RJ) n. 8105, de 14 de setembro de 1988, houve o reconhecimento “como Logradouros Públicos da Cidade do Rio de Janeiro, com denominações oficiais aprovadas, a avenida, as ruas e as praças (…) situadas no Bairro de Paciência – XIX Região Administrativa – Santa Cruz”.

[27] Para saber mais, http://amigasdejovarural.blogspot.com.br/ e https://www.facebook.com/amigasdejovarural

[28] Parque Oziel – o outro lado da história, acessível em https://www.youtube.com/watch?v=TKR7vwxoUqM. Música referida por Malú no documentário: Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré.

[29] Para saber mais, acessar http://engenhosdepernambuco.blogspot.com.br/2014/12/nome-historico-ibipupura-ibipupura.html

[30] Apresentando a história oral de trabalhadoras e trabalhadores da fábricas de tecido em Pernambuco, o documentário Tecido memória, acessível em https://www.youtube.com/watch?v=MRsQU4Pt-QI. Sobre memória feminina, de filha, mãe e vida operária nas indústrias do Vale do Itajaí – SC, O fio da história, entre agulhas e tecidos, acessível em https://www.youtube.com/watch?v=A8-xK0I8G7s.

[31] LIMA, Rosa Maria Cortês de. Tecendo os fios da trajetória urbana: origem, ocupação e uso do território. Florianópolis: 2009, acessível em http://unuhospedagem.com.br/revista/rbeur/index.php/anais/article/viewFile/3260/3193

[32] Informação dada pelo pós-graduando Emanuel Moraes Lima dos Santos (UFPE), durante a apresentação de Os trabalhadores de tecidos e o cotidiano da vila operária, em dezembro de 2015. Programação acessível em http://www.pe.anpuh.org/arquivo/download?ID_ARQUIVO=60971.

[33] Tecido memória, acessível em https://www.youtube.com/watch?v=MRsQU4Pt-QI.

[34] LIMA, Rosa Maria Cortês de. Tecendo os fios da trajetória urbana: origem, ocupação e uso do território. Florianópolis: 2009, acessível em http://unuhospedagem.com.br/revista/rbeur/index.php/anais/article/viewFile/3260/3193.

[35] LIMA, Rosa Maria Cortês de. A cidade autoconstruída. Rio de Janeiro: Tese (Doutorado) – UFRJ/IPPUR, 2005, acessível em http://www.ippur.ufrj.br/download/pub/RosaMariaCortesDeLima.pdf, e onde se lê que “processos autoconstrutivos, são desenvolvidos pelos segmentos de baixa renda, por iniciativa própria ou espontaneamente, e aqueles empreendidos através da ação pública. (…)a autoconstrução de moradia integra a prática da população pobre, ao longo do tempo, sendo intensificada, no espaço urbano, na medida em que as relações tornam-se mais complexas e aprofunda-se a desigualdade”. No trabalho há imagens de construção, onde mulheres trabalham na alvenaria de suas casas.

[36] Leis Municipais n. 15.966/94 e n. 16.139/96, nas quais foram denominadas “ruas e praças situadas na Vila da COHAB, no bairro da Macaxeira, projeto Buriti”, acessíveis em https://leismunicipais.com.br/legislacao-municipal/2880/leis-de-recife?q=ran%C3%BAsia.

[37] SCHAMA, Simon. Paisagem e Memória. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

[38] Idem.

[39] https://goo.gl/maps/Gbsr8uQiwQt

Quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend