Sem mandado, polícia invade com arma de fogo Escola Nacional do MST
Sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Sem mandado, polícia invade com arma de fogo Escola Nacional do MST

Na manhã desta sexta-feira (04), cerca de 10 viaturas da polícia civil e militar invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em Guararema, São Paulo, que pertence ao Movimento dos Sem Terra (MST). A ação brutal e fora da ordem judicial faz parte de uma operação contra o Movimento em três estados – Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. 

A falta de mandado judicial foi confirmada pela Advogada do Movimento e colunista do Justificando, Giane Ambrósio Álvares.

Segundo Alessandra Carvalho, que estava no local, policiais chegaram por volta das 09h25 apresentando, por uma foto de Whatsapp, um mandado de prisão de pessoas que não estavam na escola. Gilmar Mauro, liderança do MST, confirmou a apresentação da imagem do celular como mandado de prisão à Carta Capital – “Os policiais apresentaram em um celular um mandado de prisão de uma mulher, mas ela não se encontrava no local, era do Paraná.”

Apesar de estarem sem mandado, os policiais pularam o portão da Escola e a janela da recepção e entraram atirando em direção às pessoas que se encontravam na escola. Os estilhaços de balas recolhidos comprovam que nenhuma delas são de borracha e sim letais.

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Segundo confirmação do MST, os presos sob acusação de desacato em São Paulo são a cantora Gladys Cristina de Oliveira e o bilbiotecário Ronaldo Valença Hernandes, de 64 anos. Ronaldo teve sua costela fraturada. O Delegado Eduardo Peretti Guimarães ouviu ambos e, em seguida, os liberou.

Ao Justificando, a Secretaria de Segurança Pública de SP afirmou que a ingressaram na Escola para cumprir o mandado de prisão de Margareth Barbosa de Souza. Além disso, afirmou que policiais foram recebidos com violência ao chegar no local, o que justificou o ingresso forçado no local e uso da força contra as pessoas. 

Margareth não estava na escola e, logo, não foi presa.

No Paraná, houve prisão de oito integrantes

No Paraná, oito integrantes do MST foram presos por acusação furto de gado e organização criminosa. Em nota, o Movimento esclareceu que o objetivo é “prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná. Até o momento foram presos seis lideranças e estão a caça de outros trabalhadores, sob diversas acusações, inclusive organização criminosa”.

Os Acampamentos contestam e ocupam a área que consideram grilada pela empresa de reflorestamento Araupel – “Denunciamos a escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção”.

“Lembramos que sempre atuamos de forma organizada e pacifica para que a Reforma Agrária avance. Reivindicamos que a terra cumpra a sua função social e que seja destinada para o assentamento das 10 mil famílias acampadas no Paraná” – concluiu.

No Mato Grosso do Sul, 3 viaturas policiais com placas do Paraná entraram no Centro de Pesquisa e Capacitação Geraldo Garcia (CEPEGE), em Sidrolândia. A ação procurava por militantes do MST que, supostamente, estariam naquele centro. Ninguém foi preso.

Juristas expressam solidariedade ao MST

O advogado e ativista de direitos humanos, Renan Quinalha, expressou em suas redes sociais apoio ao movimento: “A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do MST, que fica em Guararema|SP, é um templo da esquerda brasileira e latino-americana, realizando há anos um trabalho incrível de formação política e educação popular. Eu lá estive em, pelo menos, uma dúzia de atividades, encontros, reuniões e celebrações dos amigos da ENFF. Em todas elas, fui acolhido por companheirxs valorosxs e aprendi demais nessas oportunidades. Em tempos de ocupação de escolas pelos secundaristas por mais direitos e liberdades, não podemos permitir que a polícia invada, a tiros, com agressões e sem qualquer mandado judicial, a ENFF. Toda solidariedade ao MST!”.

Marina Ganzarolli, da Rede Feminista de Juristas, também repudiou a ação violenta da PM. “Criminalizar o movimento social é criminalizar o povo. A Rede Feminista de Juristas repudia veementemente a invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes. A DeFEMde é solidária e está à disposição do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.”

Sexta-feira, 4 de novembro de 2016
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