Desigualdade de gênero faz das salas de aula universitárias um espaço hostil às mulheres
Quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Desigualdade de gênero faz das salas de aula universitárias um espaço hostil às mulheres

No último dia 07 de novembro, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realizou uma audiência pública na Universidade de Brasília (UnB) sobre assédio e violência sexual em instituições de ensino superior. Depoimentos chamaram atenção para episódios recorrentes de violência e discriminação contra mulheres em universidades.

Dois dias depois, o tema ganhou forma trágica no suicídio de Ariadne Wojcik, uma jovem de 25 anos, recém-formada pela Faculdade de Direito da UnB. Em uma mensagem publicada em seu Facebook, Ariadne contava ter sofrido assédio sexual praticado por um professor e ex-chefe de estágio. O texto de Ariadne era um apelo de alguém em enorme sofrimento, e ela dizia querer “alertar as pessoas para a gravidade desse tipo de situação”.

Nos dias seguintes, o luto coletivo de estudantes da UnB foi um lembrete de como o sofrimento de Ariadne era familiar a tantas mulheres na universidade. Os enredos variam: silenciamento e riso opressor em sala de aula, violência em relações que deveriam ser de afeto, negligência institucional diante de denúncias ou pedidos de apoio, práticas abusivas de quem deveria apontar caminhos nas primeiras experiências profissionais.

A subalternização pelo gênero faz das salas de aula universitárias um espaço hostil às mulheres. Em 2015, a pesquisa Violência Contra a Mulher no Ambiente Universitário, realizada pelo Instituto Avon/Data Popular, mostrou que dentre as universitárias participantes da pesquisa, 36% já haviam deixado de fazer alguma atividade na universidade por medo de sofrer violência.

Saber que somos muitas é também saber que não estamos sós. Enquanto as estudantes da UnB provocam a ordem patriarcal universitária exigindo que a desigualdade do gênero seja tema de ensino, pesquisa e extensão, a Rede Não Cala de professoras e pesquisadoras exige o fim da violência sexual e de gênero na Universidade de São Paulo (USP), e estudantes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) se mobilizam para que discurso de ódio disfarçado de liberdade de expressão não impeça debates sobre direitos humanos das mulheres.

Para que a memória de Ariadne seja de luta, estudantes, professoras e servidoras se unem para mostrar que a violência contra as mulheres é problema da universidade sim: não só por emprestar espaço a tantas práticas violentas, mas também pela responsabilidade constitucional de ensinar igualdade e não-discriminação.  

  Sinara Gumieri é advogada e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética. Este artigo é parte do falatório Vozes da Igualdade, que todas as semanas assume um tema difícil para vídeos e conversas. Para saber mais sobre o tema deste artigo, siga https://www.facebook.com/AnisBioetica

Foto: Paula Serra/Vaidapé

Quarta-feira, 16 de novembro de 2016
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