Promotor de Justiça dos EUA cresce no país por defender visão mais humana da carreira
Terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Promotor de Justiça dos EUA cresce no país por defender visão mais humana da carreira

“Quando falamos de reforma da justiça criminal (…) reclamamos, tuitamos, protestamos contra a polícia, contra a legislação penal e contra as prisões. Raramente, se não nunca, falamos sobre o promotor” – afirmou o promotor de justiça em Boston, Adam Foss, na palestra proferida no TED, evento de repercussão mundial que reúne pessoas com ideias inspiradoras e criativas.

Foss deixa claro desde o início que é exceção na carreira responsável por promover a acusação contra réus e ré pelos mais variados crimes. A originalidade de seu pensamento se deve a promover outras formas de justiça que não seja o encarceramento. “Os promotores são os agentes mais poderosos no sistema de justiça criminal. Nosso poder é praticamente ilimitado. Na maioria dos casos, nem o juiz, nem a polícia, nem o Legislativo, nem o prefeito, nem o governador, nem o presidente podem interferir em nossas decisões” – afirmou.

O promotor de justiça destaca o caso de Christopher, preso pelo roubo de 30 laptops de uma loja de departamento. O jovem ainda pretendia vender os aparelhos na internet, quando foi preso e o caso encaminhado ao profissional.

Diferentemente de outros,Foss estabeleceu serviços comunitários, recuperou mais de 70% dos notebooks e planejou com o jovem uma linha de financiamento para pagar o restante dos aparelhos. Anos mais tarde, uma vida que teria sido desperdiçada no cárcere com profundos custos para o estado, estava restabelecida na comunidade. O jovem acabou se formando na universidade e conseguiu um trabalho bem sucedido em um banco.

“Ao longo do caminho, com a ajuda e orientação do promotor distrital, do meu supervisor e dos juízes, aprendi o poder que o promotor tem, de mudar a vida das pessoas, em vez de arruiná-las” – afirmou o promotor.

O promotor de justiça destaca os danos causados pela motivação externa e da própria carreira vir apenas quando o resultado é a “vitória” em juízo, isto é, a condenação  – “Somos julgados internamente e externamente pelas sentenças e vitórias em juízo e, assim, promotores não são incentivados a serem criativos em posicionamento ou inclinação de caso”.

Foss conclui a palestra afirmando a responsabilidade da sociedade de cobrar promotores de justiça para que não se tornem apenas “acusadores” – Qual a melhor forma de usarmos nosso tempo? Como você gostaria que os promotores usassem o tempo deles? Por que estamos gastando US$ 80 bilhões num sistema carcerário que sabemos ser ineficaz, quando poderíamos utilizar esse dinheiro em educação, em tratamentos psiquiátricos, em tratamentos para viciados e em investimentos nas comunidades, para o desenvolvimento delas? – afirmou.

Terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend