O cabo de guerra: uma análise dos protagonistas e resultados do caos no Espírito Santo
Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O cabo de guerra: uma análise dos protagonistas e resultados do caos no Espírito Santo

Foto: Marlon Max (Coletivo TRES16) Para Mídia NINJA

Insegurança, medo, temor, espanto, estes são apenas alguns dos sentimentos que vigoram nos últimos dias nas vidas dos residentes no estado do Espirito Santo (ES), fruto da situação caótica protagonizada pelo desentendimento da Corporação da Policia Militar/ES (PM-ES) e do Governo do Estado, mas neste entrelace de direitos e deveres de ambos os protagonistas, se encontra a população. Esta que por sua vez, sofre amargurada entre as paredes que lhe traziam aconchego o temor da inviolabilidade de sua propriedade e principalmente de sua integridade física.

Nesta senda, o que outrora fora um jogo de xadrez que lhe traria o troféu do clamor popular ou anseio da população, passou a ser um inescusável Cabo De Guerra, onde restou para nós “população” o papel do cabo, que sofre a força dos protagonistas para compreenderem suas atitudes.

De um lado, o Governo, rodeado de incertezas econômicas e com baixíssimo vislumbre no contexto nacional, lutando para afastar a realidade de seus próximos “Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais”, que se encontram no fundo do poço econômico, inviabilizando o pagamento integral e em dia da mesma categoria. Do outro, a PM-ES, que indiscutivelmente sofre com a defasagem de seus ínfimos salários, a notória precariedade de seus instrumentos para o exercício eficiente de suas atividades, em meio a outras reivindicações.

Em contrapartida a justificativa de suas atitudes, deparamo-nos com suas obrigações, deveres legais e morais, que na esfera do Governo refere-se ao reajuste salarial dos soldados e cabos da PM-ES, conjuntamente com a abertura de um diálogo para propor sugestões, que venham a calhar em meio a possibilidade e obrigatoriedade legal do Estado, doravante a PM-ES que inarredavelmente reconhece o valor do seu papel social, aquartelou-se como forma de clamar a colaboração da população nesta luta pelos seus direitos legais, deixando de prestar o mínimo de segurança aos moradores de todo o Estado, sobre a justificativa “paliativa” do Movimento das Marias, que os impedem de deixar seus quartéis.

Como dito, neste cristalino cabo de guerra, é necessário elucidar a realidade da parte obrigatoriamente intrínseca a esta disputa, o Cabo. A população em meio a baixa cobertura midiática que vem ganhando proporções somente a partir do 5º dia de paralisação (8/02), demonstra a face de espanto a esta situação inimaginável, impossibilitando-o de escolher o lado e a forma justa de resolução desta disputa, antes que o cabo se rompa e cheguemos ao caos “pior do que o já instaurado”.

A população não tem ainda uma voz efetiva, pois corroborada por instrumentos constitucionais e infraconstitucionais, defende suas opiniões o que dá margem na continuação da disputa, o que leva ao vislumbrar de indícios de uma ruptura democrática social.

Assim sendo, a escolha de um lado, em que se faça a conscientização do outro, para consagração do consenso é absolutamente necessária e o quanto antes. Em meio aos clamores e gritos de guerra, acompanham os jogadores o desfecho do que resultará o suor derramado de seus rostos, juntamente com a força de seus músculos em alcançar o mínimo a que tem direitos.

A PM-ES em meio as críticas recebidas, sob sangue que goteja sobre suas cabeças, decorrente das responsabilidades não cumpridas, aspira ter seu fardo valorizado pela população, que vê sua implícita realidade diária, talvez agora mais valorizada.

O Governo, inarredável em suas posições, começa a palpar a descrença de sua efetividade na gestão governamental, perdendo em larga escala, o combustível para seu sustento advindo da população, que espera do mesmo o mínimo de segurança, saúde e educação. Para tecer humildemente o vislumbrado como ideal para acalmar e conscientizar estes jogadores de suas atitudes que tendem a romper o cabo, se faz necessário alerta-los que esta competição, não é particular do nosso Estado.

Policiais de outros estados como, Rio de Janeiro e Minas Gerais, encontram-se em real situação de descaso, salários atrasados e parcelados, conjuntamente com as mesmas reclamações da PM-ES, péssimas condições de trabalho, vidas em risco diariamente. Nesse contexto, o resultado da concessão do pleito da PM-ES, advindo dessa situação caótica e de proporções estratosféricas, teria indiscutivelmente uma palavra a ser verbalizada, efetividade.

O vislumbrar do mínimo de efetividade desta greve, que já provocou mais de 100 mortes e 120 milhões em prejuízo, consequentemente levará ao efeito dominó que já começa a se propagar na Policia Civil/ES, afetaria estado por estado, cidade por cidade, cidadão por cidadão. Esta ópera do caos chegará aos ouvidos de todos, em um timbre nem um pouco calmo ou bom.

A realidade é que o Governo deve sim, uma condição salarial para a PM-ES, mas a forma usada para concessão do mesmo, foi o tiro no pé, no ancora “pessoa essencial” deste cabo de guerra, onde sua concessão no contexto estadual, provocará tão somente a queda das peças de dominó que sustentam a democracia e ordem conhecemos hoje. Assim sendo, a realidade é nua e cruel com o cabo e até mesmo com os jogadores, mas as normas do jogo devem ser respeitadas, pois no presente caso, a vitória de um, pode levar a derrota de todos.

José Lucas dos Santos Rodrigues é estudante de Direito na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim/ES. Estagia no Ministério Público do Estado do Espirito Santo 1º Promotoria Alegre/ES.

Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
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