Ativistas se mobilizam por imigrantes presos após confronto com grupo xenófobo
Quarta-feira, 3 de maio de 2017

Ativistas se mobilizam por imigrantes presos após confronto com grupo xenófobo

Foto: 78º DP/Facebook/Al Janiah

A prisão de seis pessoas que se opuseram à marcha anti imigração que ocorreu na Avenida Paulista mobilizou políticos, ativistas e juristas pela liberdade na audiência de custódia que acontecerá nessa quarta feira, 03, no Fórum Criminal da Barra Funda. As acusações são de explosão, associação criminosa, lesão corporal e resistência.

Os grupos de direita faziam uma manifestação contra a Lei de Migração, aprovada no Senado. Dentre os discursos, bradavam que os imigrantes vão tirar a saúde do povo brasileiro e vão causar problemas de segurança. Os imigrantes, que trabalham em um restaurante próximo ao local, protestaram contra a marchar e o confronto se iniciou, sendo que ambas as partes se acusam mutuamente pelo início do conflito. Cerca de oito pessoas ficaram feridas e somente quem se opôs à marcha xenófoba foi preso, enquanto os manifestantes que marcharam foram tratados como vítimas. 

Como denunciou o advogado dos manifestantes presos, Hugo Albuquerque, no 78º Distrito Policial, para onde foram levados, dificultou por horas o contato entre eles e o profissional, enquanto manifestantes de direita tiveram livre acesso no ambiente. Além disso, Albuquerque se queixou da falta de informação passada pela polícia civil para os trabalhos da defesa. Em vídeo publicado na página dos Jornalistas Livres, o Advogado que estava do lado de fora da delegacia, explicou o ocorrido.

Entre os presos está o imigrante Hasan Zarif, integrante do grupo Palestina Para [email protected] e proprietário do restaurante e bar palestino Al Janiah, localizado no bairro do Bexiga, na região central. Outro preso palestino foi identificado como Nur e ficou ferido no confronto. O Al Janiah é local conhecido por reunir refugiados e ter entre os clientes pessoas ligadas a diversas pautas dos direitos humanos.

Segundo o jornalista Antônio Martins, do Outras Palavras, dentre os presos, estão também pessoas que foram levadas da calçada do Distrito sob a acusação única e exclusiva por parte de militantes de grupos de direita, como o Movimento Brasil Livre. Em vídeo publicado nas suas redes sociais, Martins denunciou o ocorrido:

 

Os presos serão levados ao Fórum da Barra Funda para a audiência de custódia, procedimento que obriga a polícia a apresentar presos em flagrante a um(a) juiz(a) de direito em até 24 horas. Ativistas solidários já organizam uma vigília em frente ao fórum pela liberdade de Hasan.

Procurado pelo Justificando, o Professor Salah H. Khaled Jr. da Universidade Federal do Rio Grande, lamentou que “distopia é a palavra que me imediatamente me ocorre. Ela descreve “um lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação”. Quem poderia prever que a promessa da Constituição Cidadã não apenas não se concretizaria, como mergulharíamos em um futuro distópico dolorosamente real e do qual não há saída aparente?”

“As pessoas estão assumindo pautas completamente alienígenas à realidade concreta que efetivamente vivem. Como pode prosperar a islamofobia no Brasil quando não é sequer possível mobilizar os gatilhos habituais da guerra ao terror, estranhos ao nosso contexto histórico e geográfico? Como é possível que a xenofobia se torne tão disseminada em um país cuja população é miscigenada, sendo ela própria objeto de discriminação nos ditos países de Primeiro Mundo?” – questiona o professor.

Como dialogar com tanta insensatez? Os potenciais interlocutores emitem uma cacofonia incompreensível, produto do consumo regular de uma dieta cultural de ódio, cuja capacidade para a colonização de corpos e almas é assustadora. Os resultados são visíveis: o ódio pode transitar livremente como se estivesse amparado pela liberdade de expressão, enquanto são banalizadas práticas policialescas absolutamente autoritárias, cuja “legitimidade” é dada pela etiqueta “terrorismo”, um recurso retórico que autoriza todo tipo de exceção. O episódio de ontem é infelizmente mais um capítulo dessa saga, cujo final é difícil de vislumbrar – conclui.

Quarta-feira, 3 de maio de 2017
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