O populismo demagógico de João Doria como salvação da direita
Terça-feira, 4 de julho de 2017

O populismo demagógico de João Doria como salvação da direita

A eleição de Emmanuel Macron, na França, acendeu o estopim do anti-establishment tanto na Europa, quanto na América Latina e quando o assunto é economia ou ações de políticos relacionadas aos próprios eleitores, o número de repulsa é alto, girando em torno de 70%. (Época, 02/07/2017)

Em seu discurso na corrida presidencial, Macron chamava a atenção para a dicotomia partidária obsoleta dos dias atuais, convocando homens e mulheres de boa vontade para em conjunto, construir uma nova sociedade fundamentada no antigo lema liberdade, igualdade, fraternidade, trabalhando duro hoje, pensando no amanhã.  (em-marche)

O esforço de Macron para construir uma França mais próspera e mais justa é real, ideal e possível sim de acontecer, do mesmo modo que é possível em outras nações desenvolvidas. Na América Latrina e no Brasil, em particular, contudo, esse é um programa de difícil aplicação e mesmo que prosperasse, não obteria resultado semelhante. Primeiro porque a política ortodoxa está bem entrelaçada em partidos e nas leis eleitorais que os protegem; segundo, qualquer ação anti-establishment irá convergir para o populismo e terceiro, esbarrará no analfabetismo político da população.

Alguns círculos da direita no Brasil tentam emplacar o prefeito de São Paulo João Doria Junior (PSDB), como esse anti-establishment, mas sua aparição meteórica espargindo demagogia populista por todos os lados, seja posando para fotografia comendo pastéis quando candidato, seja se paramentando de gari depois de eleito, acabou por minar sua popularidade, fazendo-a despencar, depois da desastrosa ação na Cracolândia. (Exame, 29 jun 2017)

Apesar de ser mostrado como um rosto novo na política brasileira, João Doria foi, em 1987, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo, (EMBRATUR) no governo Sarney. A EMBRATUR, uma autarquia do Ministério do Turismo, era a responsável pela execução da Política Nacional de Turismo. Dentre as ações de Doria à frente do Instituto, está a proposta de redução de verbas para obras de irrigação no Nordeste. Na visão do atual prefeito de São Paulo à época, a seca na Caatinga se constituía num belo cenário turístico. (Carta Capital, 28/06/2017)

Outra ação polêmica foi quando promoveu o turismo brasileiro no exterior. A EMBRATUR de Doria fez uma campanha expondo de forma maliciosa as mulheres cariocas deitadas na praia, com o lema; “um país de cores, sabores e paisagens (…) e repleto de mulheres sensuais”, o que foi considerado por muitos como estímulo ao turismo sexual. (Piauí, 29.03.2017)

Sua gestão pelo Instituto Brasileiro do Turismo foi marcada também por irregularidades. No Tribunal de Contas da União, Doria respondeu a um processo pela forma como a EMBRATUR contabilizou um repasse de US$ 1,3 milhões vindo da Comunidade Econômica Europeia.

Foi acusado de contratar sem licitação, a FOCO-Feiras, Exposições e Congressos Ltda., para realização de eventos turísticos, no Brasil e no exterior. Com as denúncias de irregularidades, a EMBRATUR abriu inquérito para apurar o caso em dezembro de 1988, mas mesmo assim continuou recebendo cobranças da empresa. João Doria Junior à frente da EMBRATUR, fez com a FOCO, um total de 48 eventos. Na gestão seguinte de Pedro Grossi, a FOCO foi apontada como a principal integrante de um esquema de irregularidade, na estatal de turismo, principalmente de aditivos, (DCM, 6/04/2017- Ag. Estado) pratica que ficou bem conhecida na construção de estádios para a Copa do Mundo. Também pagamentos com diárias de hotel e passagens aéreas feitas irregularmente a servidores do órgão, fizeram parte da administração de João Doria na EMBRATUR.

Portanto, o rosto novo que alguns da direita brasileira insistem em vender como um anti-establishment aos moldes de Emmanuel Macron, é alguém que hoje se apresenta como um demagogo populista e que no passado, deixou muitas perguntas sem respostas quando presidente do Instituto Brasileiro de Turismo, no governo Sarney.

Frederico Rochaferreira é escritor – especialista em Reabilitação pelo Hospital Albert Einstein, membro da Oxford Philosophical Society. 

Terça-feira, 4 de julho de 2017
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