Temer no G20 e a sensação de missão cumprida
Segunda-feira, 10 de julho de 2017

Temer no G20 e a sensação de missão cumprida

Foto: LUDOVIC MARIN/AFP

A viagem de Michel Temer (PMDB) para participar da cúpula 2017 do G20, que reúne as 20 principais economias do mundo, em Hamburgo, na Alemanha, foi marcada por uma série de reveses a começar por sua indecisão em viajar. E logo depois, o nítido constrangimento durante o evento que foi seguido de um comportamento reprovável, culminando por abandonar o evento antes do fim. Contudo, parece que a missão foi cumprida.

Disposto a participar do encontro, Temer acabou por recuar devido à crise política e institucional. No dia 28 de junho, a Presidência da República informou que a viagem dele para participar da cúpula do G20, estava cancelada, sem dar qualquer justificativa. Talvez porque, na verdade, não precisava prestar justificativas. Pouco mais adiante, no início de julho, no entanto, a imprensa noticia que Temer estava reavaliando com sua equipe a possibilidade de ir ao encontro e, no final do dia, o Planalto confirmou a viagem do presidente.

O constrangimento tem início com a ausência do nome do presidente do Brasil no programa de imprensa distribuído a jornalistas na véspera do evento. O nome que constava era o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e por conta da viagem em cima da hora, um almoço que estava previsto com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, foi cancelado. Durante sua estada na cúpula, Temer destacou-se por não marcar encontros bilaterais com nenhum líder presente na reunião, o que é um dos maiores objetivos dessas reuniões: a oportunidade de estreitar relações.

Em contrapartida, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), das cinco cúpulas do G20 que participou, manteve encontros fechados com líderes das potências: Alemanha, Índia, China, Rússia, Canadá, Espanha, Argentina, Itália, Turquia, entre outros.

Estando fora da agenda para reuniões com os líderes, restou ao presidente brasileiro se valer do comportamento reprovável da bajulação, da lisonja interesseira, quando, estrategicamente abordou o presidente americano que se dirigia a um evento. A rápida conversa com nítido desconforto do presidente estadunidense, Donald Trump, rendeu não só a foto do aperto de mão – que Temer sem demora publicou em seu Twitter -, como passou a emoldurar a participação do Brasil no G20 no site do Palácio do Planalto.

À margem das reuniões e dos afagos dos líderes, Michel Temer não ficou até o final da Cúpula do G20. Dois dias antes do encerramento, deixou Hamburgo rumo a Brasília, trazendo na bagagem o registro do aperto de mão com o presidente americano. Missão cumprida.

Frederico Rochaferreira é escritor – especialista em Reabilitação pelo Hospital Albert Einstein, membro da Oxford Philosophical Society.

Segunda-feira, 10 de julho de 2017
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