Para especialista, “Distritão” dificulta eleição de parlamentares que falem por minorias
Terça-feira, 15 de agosto de 2017

Para especialista, “Distritão” dificulta eleição de parlamentares que falem por minorias

O Justificando recebeu em seu estúdio o coordenador do Movimento Transparência Partidária, Marcelo Issa, para uma conversa sobre reforma política e as verdadeiras intenções que, segundo o especialista, cercam as propostas recentemente apresentadas pelos parlamentares. 

Reforma política, de acordo com Issa, “é um tema muito amplo (…) qualquer modelo que se adote, seja pra sistema eleitoral, seja pra sistema de governo, tem seus prós e seus contras e tem até uma questão que é normativa, de preferência ideológica da pessoa ou do grupo”.

“Toda essa bandalheira, todos esses escândalos que têm surgido e vindo à tona nos último tempos, têm nos partidos um de seus principais veículos”, acredita Issa. Para ele, a “operação dos esquemas se dá no mais das vezes por intermédio dos partidos e no nível de transparência que existe dentro dos partidos é muito baixo. A população não consegue saber, nem os próprios filiados.”

Voto distrital

Em relação ao Distritão, PEC aprovada pela Câmara dos Deputados no último dia 1o de agosto, Marcelo Issa explica que existirá um dificultador ainda maior para que minorias sejam representadas:

“O voto proporcional prioriza o partido, e aí é importante que você analise qual o partido seu candidato está filiado e permite que grupos minoritários sejam representados com mais facilidade, porque num sistema majoritário como o Distritão, candidatos do movimento negro, do movimento feminista, LGBT, enfim, de setores que têm mais resistência ficariam de fora e estariam ali só os mais votados, os quais tem maiores chances de ser chapa branca e defender aquilo que a sociedade entende como ‘normal’, aquilo que não cria muita polêmica.”

Considerando que há atualmente uma “crise de representatividade do Congresso”, Issa complementa que “o problema do Distritão é que ele favorece quem já está lá dentro, quem já é conhecido, ou quem já tem mandato. Imagina um candidato pouco conhecido, que precisa ser o mais votado, ou estar entre os mais votados do seu estado… É muito difícil pra essa pessoa alcançar a quantidade suficiente de votos”.

Terça-feira, 15 de agosto de 2017
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