Bolsonaro, seu bando e a ameaça ao editor do DCM
Terça-feira, 29 de agosto de 2017

Bolsonaro, seu bando e a ameaça ao editor do DCM

O editor do DCM (Diário do Centro do Mundo), Kiko Nogueira, foi ameaçado de morte por um seguidor de Jair Bolsonaro (e certamente seguidor de seus filhos, pois quem gosta de um Bolsonaro, gosta de todos). Deixando de lado o grau de probabilidade de que algo grave venha de fato ocorrer, qual a relação entre a insanidade de um cidadão e a ‘autoridade’ que o representa politicamente? É total e plena, basta olhar para os Estados Unidos.

A Ku Klux Klan não estava extinta e a estátua em homenagem ao líder confederado Robert Lee está de pé desde 1924. A novidade é Donald Trump. É o fato de ele estar no poder que dá coragem para esses grupos ficarem mais mais violentos e lunáticos como James Alex Fields Jr fazer o que fez em Charlottesville.

É Trump que, com seus discursos, fomenta o ódio. Ainda na semana passada, num evento em Phoenix (Arizona), incitou seus eleitores a atacarem a imprensa. Acusou a mídia de manipuladora, de criar ‘fake news’ para prejudicá-lo e classificou jornalistas como ‘pessoas desonestas, ruins, que não amam o país’. Portanto não nos espantemos se em breve algum repórter for seriamente ameaçado ou agredido – ou coisa pior – na terra do tio Sam, porque Donald Trump provoca isso.

É exatamente o que ocorre quando damos espaço e voz para um político do calibre de Bolsonaro. É ele que com seu discurso de ódio incita pessoas como o tal Almanakut que ameaçou Kiko Nogueira a arregaçarem as mangas e colocarem a mão na massa, a praticarem linchamentos. É Bolsonaro quem afirma reiteradas vezes que “haitianos, senegaleses, bolivianos e sírios, a escória do mundo está chegando ao Brasil” quando se refere a imigrantes. E daí somos obrigados a testemunhar o que vimos recentemente em plena avenida Paulista com palestinos sendo agredidos por neofascistas. Representados, malucos de plantão sentem-se autorizados a sair com tacos de beisebol nas mãos agredindo tudo e todos que considerem a ‘escória do mundo’.

É Bolsonaro, com suas homenagens a torturadores, com sua apologia armamentista, com sua postura abjeta e incivilizada, quem banaliza algo hediondo como o estupro. E não será uma indenização de R$ 10 mil para a deputada Maria do Rosário que irá contê-lo.

Como já alertados pela Doutora em Filosofia Marcia Tiburi, vivemos tempos fascistas e o objetivo do fascista é aniquilar seu ‘inimigo’. Pela força, não pelo argumento. É sintomático que nos dias atuais vejamos a polícia adotar uma conduta descaradamente calcada na desigualdade de tratamento e ‘oficializar’ que, sim, a abordagem nos ‘Jardins’ e bairros ricos deve ser uma e a praticada nas periferias outra, como disse o tenente-coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, novo comandante da Rota. Cabe aqui novamente a pergunta feita no início deste texto. Qual a novidade nisso? Nenhuma, sempre foi assim. A diferença é que hoje ele se sente à vontade para assumir isso publicamente nos microfones.

Por essas razões uma ameaça como a recebida pelo DCM não pode ficar barato. O autor tem que ser (e será) processado criminalmente, pagar pelo que fez. E ser vigiado daqui pra frente pois quem ameaça nem sempre o faz por brincadeira. Cão que late também morde. Mas a figura pública que encarna essa violência toda e legitima a histeria de massa que origina atos brutais e bárbaros também precisa ser responsabilizada por isso. Precisa ser colocado em sua conta pois ele tem responsabilidade muito grande ao induzir pessoas a fazerem justiça com as próprias mãos.

Vivemos tempos fascistas e polarizados e se nada for feito veremos isso aqui piorar ainda mais.

Mauro Donato é Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo. 

Terça-feira, 29 de agosto de 2017
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