Marx através do próprio Marx: manuscritos inéditos de “O Capital” são expostos em SP
Terça-feira, 5 de setembro de 2017

Marx através do próprio Marx: manuscritos inéditos de “O Capital” são expostos em SP

Foto: Reprodução/Manuscritos de “O Capital”

São Paulo – 31 de agosto. São Paulo recebeu dois especialistas alemães responsáveis pelas publicações das obras completas de Karl Marx e Friedrich Engels reunidos na MEGA (Marx-Engels Gesammt Ausgabe). Estiverem na Universidade de São Paulo como parte dos eventos sobre os 150 anos da publicação do volume I de O Capital.

Carl Erich Otto Vollgraf e Rolf Fritz Hecker, a convite do professor dr. Jorge Grespan e do departamento de História, apresentaram e debateram com os presentes os 65 volumes já publicados do total e 114 que ainda esperam publicação. Entre eles estão as versões e revisões de O Capital, anotações, cartas, fichamentos e fragmentos dos autores publicados diretamente dos manuscritos originais.

O trabalho da MEGA fica reunido no Instituto Internacional da História do Trabalho, em Amsterdã e a aquisição desse material pelas bibliotecas ao redor do mundo tem gerado a redescoberta dos autores e impactado diretamente no resultado das pesquisas baseadas em O Capital, pois o acesso às mais de 1000 páginas manuscritas na elaboração da obra permitem ao leitor acessar diretamente o raciocínio do autor, indo diretamente à fonte.

Foto: Reprodução/Manuscritos de “O Capital”

Durante muitas décadas, especialmente durante os anos de URSS havia uma interpretação oficial de um número restrito de textos de Marx; em outros casos as obras foram editadas conforme o entendimento político do Partido Comunista no período.

Os pesquisadores contavam com as consagradas interpretações marxistas para realizarem seus trabalhos, além das edições disponíveis de Marx e Engels. Com o fim da Guerra Fria e a queda do muro de Berlim, o acesso aos textos originais dos autores se tornou uma realidade.

Por exemplo, os livros sobre os fundamentos da principal obra de Marx, os Grundrisse, onde muitas passagens e conceitos importantes encontram formulações esclarecedoras, foram até os anos de 1950 desconhecidos para o grande público. A recepção dessa obra só começou em 1953 na ainda Alemanha Oriental e os primeiros trabalhos de pesquisa baseados neste material só surgiram uma década mais tarde ainda num circuito muito restrito.

O interesse por Marx não diminuiu com o final da URSS ou com a nova dimensão tomada pelo capitalismo, diferentemente do que muitos analistas interpretaram. O que se viu foi o aumento do interesse pelo livro que desenvolve os conceitos da dinâmica interna da economia capitalista. “É a primeira vez que temos todos os manuscritos de Marx a nossa disposição e isso é um privilégio enorme. Alguns cientistas dizem que algumas pesquisas precisam ser feitas novamente à luz das novas descobertas”, afirma Hecker.

Entretanto, toda essa diversidade de novos estudos está ainda muito restrita aos pesquisadores da América do Sul, pois o único acervo que conta com boa parte dos volumes lançados pela publicação encontra-se somente na UNICAMP. A Universidade de São Paulo, que recebeu os dois pesquisadores, por exemplo, não abre programa de aquisição de novos livros há mais de uma década.

Enquanto isso, parte dos trabalhos publicados pela MEGA já estão disponíveis. Todas as versões de O Capital editadas por Marx e posteriormente por Engels estão disponíveis.

Ana Paula Salviatti é historiadora pela Universidade de São Paulo e doutoranda em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP.

Terça-feira, 5 de setembro de 2017
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