Ministro do STJ faz enquete sobre intervenção militar e recebe críticas
Sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ministro do STJ faz enquete sobre intervenção militar e recebe críticas

Nessa quinta-feira (28), o Ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Geraldo Og Fernandes, mais conhecido como Og Fernandes, foi duramente criticado por criar, em seu perfil no Twitter, uma enquete em que perguntava se o Brasil deveria sofrer intervenção militar. A enquete terminou com uma vitória apertada do não.

Após a repercussão e grande polêmica, o ministro se manifestou mais uma vez em seu perfil dizendo que “estamos numa democracia. Ouvir a opinião das pessoas é a regra. Como juiz, continuarei a assegurar o direito de expressão”. 

A justificativa, entretanto, não convenceu. O professor de Ciência Política na UnB, Luis Felipe Miguel, ressalta a gravidade da atitude do ministro e chama a atenção para o saudosismo em retomar o regime militar no Brasil. Em seu perfil no Facebook, o professor foi direto:

“O fato do Og Fernandes, ministro do STJ, fazer uma enquete no twitter para saber se deve ou não haver uma intervenção militar confirma três coisas: que nossa elite judicial é moral e intelectualmente desqualificada, que ela despiu a máscara e assume sem rodeios seu reacionarismo e que há um movimento importante em curso para colocar um golpe old style no horizonte das possibilidades.”

De acordo com o professor doutor em Direito Constitucional, Paulo Iotti, o comportamento do ministro cabe denúncia ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Não desafiem a inteligência nem deturpem a CF, que prevê Forças Armadas sempre subordinadas à autoridade civil e nunca para se sobrepor a ela”, completou. 

No twitter, a enquete também foi:

Para o professor de Ciência Política na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Frederico de Almeida, o episódio envolvendo Og Fernandes evidencia o estado de decadência alcançando pelo Brasil nesses últimos dois anos de crise. Em suas redes sociais, Almeida arrematou: 

“É inacreditável o descalabro ao qual chegamos após dois anos de crise. É por isso que eu insisto: não tem resistência possível em torno da ‘defesa da constitucionalidade’, da ‘legalidade’ da ‘institucionalidade’. Esse caldo entornou faz tempo, e se a gente insistir nessa tecla vamos ser atropelados por aqueles que controlam as instituições, a legalidade, a Constituição, a democracia.”

Sexta-feira, 29 de setembro de 2017
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