Filho do pedreiro Amarildo ainda não passou por audiência de custódia
Sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Filho do pedreiro Amarildo ainda não passou por audiência de custódia

Foto: Reprodução/PMERJ

Amarildo Gomes da Silva, 22 anos, foi preso nesta quinta-feira (5), por suspeita de associação ao tráfico e porte ilegal de arma de fogo, na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Ele é um dos filhos do pedreiro Amarildo, morto por PMs em 2013 e símbolo de resistência em casos de abuso e violência policial.

Preso desde ontem, o rapaz ainda não passou por audiência de custódia, conforme noticiado pela revista eletrônica Consultor Jurídico. Ele foi encaminhado na tarde desta sexta-feira para fazer exames no IML (Instituto Médico Legal).

O 1º tenente da PM-RJ, Ítalo Mario Scalercio Neto, relatou que foi até a casa de Amarildo depois que o cão treinado da PM deu um sinal. Após a entrada ter sido permitida pela mãe do rapaz, Elizabete Gomes da Silva, o cão “foi direto onde estava Amarildo e sinalizou ao pé da cama”. Lá foram encontrados um cigarro de maconha de 0,7 gramas, 45 munições e uma pistola 9 milímetros, com numeração raspada.

Já a mãe de Amarildo contou em seu depoimento que estava com o filho em casa quando um policial pulou o muro com um cachorro. Ela afirma que o PM pediu a chave para que outros policiais entrassem também e que não sabia que o filho guardava a arma. Segundo o advogado Rafael Faria os policiais não tinham mandado para entrar na casa.

Ainda segundo a polícia, em um primeiro momento Amarildo confirmou que os objetos eram dele, mas na delegacia explicou que estava com a pistola pois “bandidos ligados ao traficante ‘Nem’ haviam dito que iriam matá-lo pois o mesmo havia se associado ao traficante Rogério 157 [da facção Comando Vermelho]”. 

O caso Amarildo

O pedreiro Amarildo Dias de Souza desapareceu em julho de 2013, após ter sido levado pela polícia para prestar esclarecimentos na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade. A determinação partiu do então comandante da Unidade, major Edson Santos, que pedia aos policiais que localizassem suspeitos de ligação com a venda de drogas na região. Sob as ordens de dois oficiais da UPP, Amarildo foi torturado, morto e seu corpo foi ocultado posteriormente. 

Em outubro do mesmo ano, o Ministério Público denunciou 25 policiais militares por envolvimento na morte. Dos 25, 13 foram condenados pela 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2016. Entre eles está o major Edson Santos e o tenente Luiz Felipe Medeiros, subcomandante da UPP na época.

“Infelizmente, sabemos que ele não sumiu. Amarildo morreu. Não resistiu à tortura que lhe empregaram. Foi assassinado. Vítima de uma cadeia de enganos. Uma operação policial sem resultados expressivos. Uma informação falsa. Um grupo sedento por apreensões. Um nacional vulnerável à ação policial. Negro. Pobre. Dentro de uma comunidade à margem da sociedade. Cuja esperança de cidadania cedeu espaço para as arbitrariedades”, afirmou a juíza Daniella Alvarez Prado na decisão.

Sexta-feira, 6 de outubro de 2017
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