Temer negocia com ruralistas e afasta chefe de combate ao trabalho escravo
Quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Temer negocia com ruralistas e afasta chefe de combate ao trabalho escravo

André Esposito Roston. Foto: Reprodução.

A fim de negociar votos parlamentares para barrar mais uma denúncia criminal em trâmite no Congresso, o Presidente Michel Temer exonerou o Auditor-Fiscal do Trabalho André Esposito Roston do cargo de Chefe de Divisão de Combate ao Trabalho Escravo da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho.

As informações são da coluna de Mônica Bérgamo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União na última semana e provocou a revolta de pessoas ligadas ao combate ao trabalho escravo. 

De experiência e trabalho reconhecido na área, Roston havia irritado o governo federal ao afirmar que a fiscalização contra o trabalho escravo estava parada por falta de recursos. Vale lembrar que Temer atendeu nessa semana ao agrado a bancada ruralista e altera conceitos de ‘trabalho escravo’, dificultando ainda mais o enquadramento jurídico desse tipo de prática.

Nesse sentido, a exoneração de Roston tem sido encarada como mais um retrocesso na pauta, bem como conveniente para o presidente negociar sua permanência no cargo com a mesma bancada responsável pelas alterações no conceito de trabalho escravo.

A medida revoltou entidades ligadas à pauta. Em nota, o Ministério Público do Trabalho (MPT) repudiou o ocorrido. “Testemunhas do trabalho sério, engajado e transparente realizado pela coordenação do combate ao trabalho escravo, estamos convictos de que a exoneração compromete a erradicação dessa violação aos direitos humanos e revela a inexistência de vontade política e o descompromisso do atual Governo com o enfrentamento do problema” afirmou a nota.

Já o Sindicato Nacional dos Auditores do Trabalho (Sinait) afirmou que a medida beneficia apenas empresários que não seguem a legislação “o veto foi, claramente, uma medida que continua a permitir as investidas políticas sobre a fiscalização, sempre com objetivos de enfraquecer, desestabilizar ou neutralizar ações que contrariem o poder econômico incomodado com a ação dos Auditores-Fiscais do Trabalho. A medida apenas beneficia maus empresários que não cumprem a legislação”.

“É público e notório o esforço desenvolvido pelas bancadas ruralista e empresarial no Congresso Nacional para alterar a lei que pune os escravocratas da atualidade, diminuindo o poder de atuação dos Auditores-Fiscais do Trabalho” concluiu o sindicato.

Quarta-feira, 18 de outubro de 2017
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