Morre primeira mulher a ingressar no Ministério Público
Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Morre primeira mulher a ingressar no Ministério Público

Foto: Zuleika Sucupira Kenworth, em 19 de maio de 2011/MPSP.

A pessoa para ser Promotor tem que ter gosto e vocação“. Quem cravou essa célebre frase foi Zuleika Sucupira Kenworthy, a primeira mulher a ingressar no Ministério Público no Brasil e na América Latina.

Na noite da última quarta-feira (13), Zuleika faleceu aos 105 anos, deixando um legado imprescindível para a história das mulheres no Ministério Público. Segundo os familiares, a procuradora de Justiça aposentada morreu de causas naturais, em sua casa, na cidade de Sorocaba (SP). 

Com o sonho de ser promotora, Zuleika se formou em Direito na Universidade de São Paulo (USP), em 1942. Após três tentativas em concursos públicos, foi aprovada em 1948, tornando-se pioneira em um universo que, até então, era exclusivo dos homens. De posicionamento firme, ela construiu sua carreira com atuação marcante junto à Curadoria de Menores. 

Zuleika sempre esteve à frente do seu tempo. Isso porque, além de disputar um lugar na carreira do Direito, apresentou-se como voluntária para combater as tropas de Getúlio Vargas na Revolução Constitucionalista de 1932.

Segundo o acervo do Ministério Público de São Paulo, Zuleika ingressou como estagiária em 1941, na capital. Atuou como curadora de Menores e em 1963, representou o MPSP no Grupo de Trabalho Latino Americano de Peritos para a Prevenção do Crime e Tratamento de Delinquentes, na Venezuela. Durante dois anos, esteve à frente do Instituto Latino Americano de Criminologia. Além disso, entre 1969 e 1970, foi diretora do Serviço Social de Menores da então Secretaria de Promoção Social.

Em 1975, chegou ao topo da carreira, sendo promovida ao cargo de procuradora de Justiça, além de representar a instituição no Conselho Estadual de Menores. Após 32 anos de história, aposentou-se em fevereiro de 1976.

Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, em maio de 2009, Zuleika contou que ficou sabendo que as mulheres proibiam os maridos de falar com ela: “achavam que advogada não era boa coisa, era mulher livre”

A primeira promotora de Justiça do Estado, no Brasil e da América Latina, Zuleika enfrentou preconceitos, quebrou tabus e abriu caminho para tantas outras mulheres, deixando um legado de excelência prestada ao Ministério Público de São Paulo. 

Em uma entrevista para o Memorial MPSP, narrou a reação das pessoas quando chegou à cidade de Capivari, no interior do estado, como promotora interina. “Nunca recebi uma palavra indiscreta ou alguma ofensa dos promotores. (…) Quando eu estava na cidade, os advogados perguntavam [entre eles] como eu era e diziam sossegada. As mulheres também espiavam pela janela para ver a moda como eu estava vestida”, contou a promotora.

Em agosto deste ano, foi homenageada em um evento organizado por Promotoras, Procuradoras de Justiça e Professoras que se reuniram na Escola Superior do Ministério Público de São Paulo (ESMP) para discutir a presença de mulheres na instituição.

A promotora Fabíola Sucasas apontou que “Zuleika permaneceu oito anos sozinha como promotora de Justiça mulher. (…) Até 1964, o Ministério Público tinha apenas oito mulheres!”. Para ela, “é preciso repensar o conteúdo do edital do concurso público para acrescentar a história das mulheres do órgão”.

Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
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