Os problemas de um feminismo para consumo imediato
Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Os problemas de um feminismo para consumo imediato

Foto: Wallpaper da série “Girls” da HBO

O feminismo parece estar, definitivamente, na moda: o termo foi eleito “A Palavra do Ano” pelo dicionário norte-americano Merriam-Webster por ter sido a mais buscada em 2017. Canecas com imagens estilizadas da pintora Frida Kahlo e camisetas com palavras de ordem e dizeres tais como “The future is female” ocupam as páginas de anúncios na internet ao lado de notícias sobre o discurso viral de Oprah Winfrey agradecendo sua premiação no Golden Globe pelo conjunto de sua obra (íntegra disponível aqui) e a “Carta das Francesas” (que acabou atribuída a uma das subscritoras mais famosas, Catherine Deneuve, protagonista, entre outros, de filmes com temática sexual considerada de vanguarda nos anos 1960, como A Bela da Tarde, de Luis Buñuel e Repulsa ao sexo, de Roman Polanski).

Acredito que a disputa de discursos entre as norte-americanas e as francesas sobre os limites da interação sexual e assédio, bem como a inconteste importância das denúncias dos crimes sexuais praticados no meio artístico (ou qualquer outro ambiente de trabalho), já estão sendo suficientemente discutidas – e isso me parece o maior ganho no ocorrido, por enquanto (para quem quiser uma dica de leitura sobre o assunto, sugiro essa entrevista da professora Heloísa Buarque de Almeida para o Nexo Jornal). Por isso, escolhi contribuir para o debate falando de outro ponto: o lugar onde tem se dado essas discussões sobre feminismo(s) e luta(s) das mulheres, que é a indústria cinematográfica norte-americana – uma das mais rentáveis do mundo, com grande impacto não só econômico, mas também cultural. Embora relevante, o fato de grandes empresas e entidades do ramo de entretenimento e comunicação – como a Hollywood Foreign Press Association[1] e o Le Monde[2] – se ocuparem desse tema, seu poderio inegável exige cautela com a militância exercida nesses espaços.

Hollywood não é o único lugar onde grandes agentes de poder econômico da iniciativa privada vem demonstrando interesse pelos direitos das mulheres e feminismo: a partir dos anos 2000, as grandes corporações internacionais ingressam no campo do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Isso se dá de forma evidente em relação aos direitos humanos das mulheres, com a criação da ONU Mulheres em 2010[3], subdivisão da ONU financiada por corporações do porte de Coca-Cola, Unilever e Microsoft[4]. Este processo de associação dos direitos humanos das mulheres com questões econômicas encontra suas origens no final dos anos 1970, quando os países da África e Ásia, integrantes do então chamado “Terceiro Mundo”, se libertam dos grilhões coloniais e ingressam na ONU como nações independentes. Nesse novo contexto global, a pobreza passa a ser vista como um problema político. Desde essa época, a maior parte da população pobre é composta por mulheres, e, assim, os direitos humanos das mulheres passam a ser fortemente associados ao desenvolvimento econômico.

O discurso que equipara igualdade de gênero a igualdade econômica é explícito nos documentos sobre direitos humanos das mulheres produzidos a partir de então: nos anos 1970 e 1980, declarava-se que era necessário desenvolver os países pobres para que as mulheres se emancipassem. Com o ingresso de Ban-Ki Moon como Secretário-Geral da ONU em 2007 – e a fundação da ONU Mulheres em 2010 – o discurso inverte sua direção: as mulheres devem ter poder econômico para que as nações sejam prósperas [5]. Em outras palavras, a emancipação das mulheres expressamente deixa de ser uma finalidade em si mesma para se tornar um meio de desenvolvimento econômico de países pobres. E então têm início, no plano do Direito Internacional dos Direitos Humanos, a promoção de programas de empresas de grande porte nesses lugares, impulsionados pelo pretexto de melhorar as condições de vida das mulheres a fim de assegurar a riqueza dos países (e, claro, das empresas envolvidas).

A hipótese que mais me convence como uma possível explicação para este fenômeno é o fato de que a “minoria” composta pelas mulheres guarde a peculiaridade de corresponder a 50% da população mundial – ou seja, excluir as mulheres das relações de trabalho e consumo implica abrir mão de uma parcela expressiva de consumidoras e trabalhadoras. E não acho que isso seja necessariamente (ou exclusivamente) negativo: creio serem possíveis várias formas de agência nesse cenário. Se mulheres consomem, é necessário que haja produtos direcionados para elas, e que serão anunciados por mulheres vendendo não só esses produtos, mas estilos de vida e de comportamento compatíveis – afinal, é disso que vive a propaganda, de vender jeitos de ser que ampliem os desejos de ter.

Uma das grandes fontes produtoras de comportamentos e estilos de vida para vender é a indústria cinematográfica e televisiva norte-americana – e dizer isso não é inédito, e é até mesmo um tanto óbvio. Do “mito do cowboy” (falo um pouco sobre isso neste texto sobre Western), até a rebeldia da “juventude transviada” do pós-guerra representada na imagem de James Dean, a indústria do entretenimento mostra sua faceta de indústria do comportamento, sempre pronta a domesticar estilos de vida para torná-los atraentes de vendáveis. E Hollywood parece já ter sacado que as mulheres são um público pagante interessante, e não é de hoje: no ano de 2015, a atriz norte-americana Viola Davis foi premiada pelo Emmy Awards como a melhor atriz de série dramática. Premiação, aliás, histórica, pois em pleno século XXI ainda passamos a vergonha de precisar noticiar que mulheres negras ainda estão conquistando algumas coisas pela primeira vez – o que só reforça a importância da representatividade das minorias nesses contextos.

Viola recebeu o prêmio pela interpretação da personagem principal da série “How to get away with murder”, a advogada criminalista Annalise Keating, representada na série como uma mulher poderosa, de personalidade forte e caráter ambíguo, além de sofisticada e sexy. A atriz fez referência a estas características da personagem em seu discurso de agradecimento (acesse a íntegra aqui), ressaltando a importância de se abrir a oportunidade a uma mulher negra de interpretar um papel que fuja dos estereótipos tradicionais de como essas pessoas são usualmente representadas nesse tipo de obra .

Fora da indústria do cinema, a Mattel, pertencente à não menos lucrativa indústria de brinquedos e fabricante da boneca Barbie, anunciou em 2016 sua nova linha de bonecas, contemplando 4 tipos de corpo, 7 tons de pele, 22 cores de olhos, 24 penteados (veja aqui). Muitos aplaudiram o que foi lido como um movimento em nome da diversidade atingida pela inclusão de várias representações diferentes de mulheres – especialmente quando se trata de um brinquedo que pretende representar “tudo o que você quer ser” para as meninas de seu público-alvo. Houve quem questionasse, porém, a persistência de modelos de brinquedo como a Barbie, que trazem em si ideologias de consumismo exacerbado. Além disso, segundo os críticos, seria evidente que a Mattel estaria em busca apenas de adequação de seu produto a mudanças perceptíveis no mercado consumidor, pois já datam de algumas décadas as queixas sobre o “Barbie Life Style”, tão influente na formação de padrões de beleza e modos de vida[6].

Ou seja: no limite, a Mattel pouco se importaria com a representatividade de vários corpos femininos no corpinho da Barbie. O que a Mattel pretende, na verdade, é lucrar, da mesma forma que os executivos do ABC Studios (produtores de “How to get away with murder”) tinham mais interesse em arrebanhar o maior número possível de anunciantes (e de audiência) do que em propor quebra de estereótipos da representação de mulheres negras na mídia.

Retrocedendo alguns séculos nessa linha de raciocínio, é razoável supor que os revolucionários burgueses na França do século XVIII fossem movidos antes pelo interesse do livre comércio e da hegemonia econômica do que pelo sincero desejo de ver realizado o lema da “liberdade, igualdade e fraternidade”. Ou ainda, já no recente século XX, o quanto havia de progresso moral real nos valores filosóficos propostos pela ONU em sua fundação em 1948 ao lado das polêmicas políticas da fundação do Estado de Israel e da manutenção dos vencedores da 2ª Guerra Mundial como membros permanentes do Conselho de Segurança.

Retomo estes exemplos históricos para lembrar que não houve ainda (ao menos na minha leitura) uma situação de luta e reconhecimento de direitos que tenha sido levada a cabo motivada pela nobreza de valores morais genuínos por parte de quem exerce o poder hegemônico. Ainda assim, mesmo que os bastidores dessas lutas revelem interesses políticos e econômicos até mesmo contraditórios em relação aos direitos reconhecidos, o fato é que em todas essas ocasiões foram construídos novos paradigmas de relações sociais, em que se empoderaram segmentos sociais anteriormente excluídos.

O que vale lembrar aqui é que, no sistema capitalista, “ter poder” corresponde, em grande medida, a “poder consumir”. Como já disse no texto “Consumo, logo existo”, talvez esse ethos do consumo (e do consumismo como ideologia) não seja, em termos de valoração moral, o mais ideal a se perseguir, especialmente porque nas democracias falhas ser cidadão se confunde com ser consumidor (falei sobre a mercantilização dos direitos econômicos e sociais neste texto aqui no blog). Porém, independentemente de todas as críticas que possamos tecer nesse sentido, este é o ethos existente e é nele que vivemos, e isto não se pode ignorar. Ser consumidor é ser incluído dentre aqueles que detém o poder, e daí a importância de grupos historicamente vulneráveis serem retratados enquanto consumidores.

Nessa linha de raciocínio, uma personagem como a Annalise Keating de “How to get away with murder” pode ilustrar bem este argumento: ao mesmo tempo em que se vende um estilo de vestir e pentear (e todos os produtos daí decorrentes), vende-se um estilo de mulher que inclui ser uma baita advogada criminalista e professora universitária de Direito Penal das mais competentes. E a importância de a indústria do entretenimento vender este comportamento como desejável e, principalmente, atingível por meninas (não apenas, mas principalmente) negras, é inegável. Como a própria Viola afirma em seu discurso no Emmy de 2015, é preciso ver mulheres negras (e latinas, e indígenas, e todas as demais identidades) como alguém que merece/pode/deve estar nos lugares onde mais circula o poder – ou, nas palavras dela, ao agradecer aos roteiristas da série, de ter a oportunidade de “ser bonita, ser sexy, ser protagonista, ser negra”. Atributos estes que se inserem em um universo de consumo, e, nesses lugares, ser visto como um consumidor é ser visto como alguém empoderado – ao menos economicamente, o que não é pouca coisa.

Mas o modelo da vez na indústria do entretenimento parece ser a heroína feminista: desde filmes como A Mulher Maravilha (2017), Mad Max- Estrada da fúria (2015) e As Caça-Fantasmas (2016), a oferta de protagonistas femininas/feministas tem se mostrado um marketing interessante. E é importante a cultura pop oferecer esses modelos (falo sobre isso aqui). Mas me pergunto o real potencial de mudança social quando se transforma o feminismo em um produto para consumo imediato: quais serão os riscos, para além do reconhecimento da mulher “livre para trabalhar” e “livre para consumir”, de que o próprio movimento feminista (ou ao menos uma de suas vertentes) esteja sendo apropriado como objeto de consumo? Justamente por temer os efeitos desta apropriação por uma indústria tão poderosa (e que por tantas vezes se mostrou perversa), creio ser importante questionar esse espaço como locus de militância.

Talvez hoje nem todos se lembrem de que em 1985 a indústria fonográfica norte-americana produziu a canção We are the world [7] como forma de luta contra a fome na África: slogans potentes – “USA for Africa!”-, trilha sonora com time matador, uma boa causa e milhões de dólares revertidos em seu favor com os direitos autorais. Todos sabemos como a África se encontra ainda hoje. Porém acredito que, assim como acontece comigo, a memória daquela união dos poderosos do mundo da música cantando um refrão chiclete faça mais eco na memória do que uma melhora na situação socioeconômica do continente africano desde então.

Os slogans #MeToo e Time’s up now[8] me remeteram, inevitavelmente, a We are the World , com seus slogans sob medida e protagonistas carismáticos. E me fizeram pensar: assim como aconteceu com “a causa da fome na África” nos anos 1980, quando – e por que – a denúncia de assédio sexual no meio cinematográfico se tornou lucrativa? Ser incorporado por uma indústria a ponto de se tornar capa da Revista Time [9] revela, antes de mais nada, existir um mercado pronto para consumir o discurso ali comercializado.

E me preocupa que o feminismo (assim como outros ativismos) se transforme em uma peça de marketing norte-americana, cuja cultura pop é tão afeita a mocinhos e bandidos construídos da forma mais palatável possível para consumo imediato – bem como para descarte assim que necessário. Assim como já aconteceu com O Homem de Marlboro, primeiro aclamado como caubói exterminador de índios e depois transformado no símbolo dos malefícios do cigarro (mais do que do genocídio, vale dizer). Ou com Elvis Presley, que após tomar a coroa de Rei do Rock (Branco) de artistas como Chuck Berry e Little Richard, foi protagonista de uma série de filmes em Hollywood, inclusive um em que se emula seu alistamento no exército da vida real (“Saudades de um pracinha”) – e deixo aqui em aberto para quem quiser refletir sobre essas fascinantes imbricações entre ídolo pop/Forças Armadas/cinemão blockbuster nos EUA.

A narrativa que agora nos vendem elegeu um vilão principal – Harvey Weinstein – e uma protagonista negra – Oprah Winfrey, sobre quem já foram lançados boatos de uma possível participação na corrida presidencial norte-americana em 2020. Sem minimizar nem a gravidade das acusações dirigidas contra Weinstein, nem a relevância do sucesso de Oprah, sinto um misto de curiosidade e angústia em relação aos desdobramentos dessas histórias na História.

Quero encerrar essa conversa (por enquanto!) declarando que acho importante não jogar fora o bebê com a água do banho: creio estarmos no meio de uma revolução em que, enfim, mulheres poderosas e feministas parecem ter chegado a lugares de poder nunca antes atingidos. No caso do imenso contingente de mulheres classificadas por tantos séculos como “não brancas” (com todos os estigmas daí decorrentes), suas imagens envergando vestidos luxuosos transmitidas para o mundo inteiro e tendo sua voz ouvida em discursos politizados, essa revolução é ainda mais profunda e (espero) irreversível.

Mas justamente dada a importância de todos esses acontecimentos, a “Fábrica de Sonhos” hollywoodiana me inspira receios ao se apropriar do feminismo como um produto lucrativo: para continuar a ser um produto vendável é preciso que o machismo e a discriminação continuem, pois só faz sentido vestir a fantasia de heroína contra a opressão onde a opressão existe. E, até onde sei, Hollywood nunca teve grandes preocupações morais com transformações sociais – a não ser que estas lhe interessem economicamente.       

Se o feminismo vende, é porque tem público, e isso pode ser muito positivo: significa dizer que muitas pessoas estão interessadas no assunto, o tema se populariza, a discussão se amplia e as tomadas de consciência também. Mas é preciso estarmos todas e todos atentos ao grande dilema que reside em qualquer militância: forjar a própria identidade e força motriz da própria vida em uma causa que, para dar certo, precisa se tornar desnecessária. Quando aquilo que defendemos se torna realidade, precisamos abrir mão da identidade de heroínas e heróis transformadores do mundo, o que nem sempre é fácil.

Que tenhamos sabedoria de tirar partido disso.        

Maíra Zapater é Doutora em Direito pela USP e graduada em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. É especialista em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, Professora e pesquisadora. Autora do blog deunatv.

# feminismo:

#1 Por que o feminismo é tão necessário?

#2 Por que o feminismo é tão importante no contexto atual brasileiro?

#3 O que é Sororidade e por que precisamos falar sobre?

#4 Um pouco da história de conquistas dos direitos das mulheres e do feminismo

#5 Violência contra mulheres, violência doméstica e violência de gênero: qual a diferença?

#6 Pelo fim da cultura do estupro

#7 Do que estamos falando quando queremos legalizar o aborto?

#8 Tirem o racismo do feminismo: mulheres negras vão passar

#9 Transfeminismo: a pauta que nos ensina ir além do binarismo homem e mulher

#10 Meu cérebro, minhas ideias

#11 Homens, vocês têm medo de quê?

#12 Os problemas de um feminismo para consumo imediato


[1] Em português, Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, conhecida por ser a responsável pela premiação do Globo de Ouro

[2] Tradicional jornal impresso francês.

[3] Estes foram alguns dos resultados obtidos em minha pesquisa realizada ao longo da produção de minha tese de doutorado, “A constituição do sujeito de Direito mulher no Direito Internacional dos Direitos Humanos”, defendida em março de 2017. Ainda não está disponível on line, mas posso disponibilizar o texto a quem se interessar.

[4] http://www.unwomen.org/en/partnerships/businesses-and-foundations/major-partners

[5] Esse discurso expresso pode ser constatado em falas de Ban-Ki Moon, tais como: “Nos lugares onde mulheres são educadas e empoderadas, as economias são mais produtivas e fortes”. Esta e outras falas estão transcritas nesta brochura e outros materiais de divulgação da UNWomen: http://www.unwomen.org/-/media/headquarters/media/publications/en/unwomenbrochureen.pdf?la=en&vs=948  

[6] Vale a pena ler o contraponto neste sentido desenvolvido na ocasião por Eliane Brum aqui: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/01/opinion/1454337243_379959.html.

[7] Assista ao clipe aqui: https://www.youtube.com/watch?v=M9BNoNFKCBI

[8] Que dá nome ao fundo de apoio às vítimas de assédio na indústria cinematográfica: https://www.timesupnow.com

[9] A Time elegeu as mulheres que denunciaram suas histórias de assédio como Personalidades do Ano: http://time.com/time-person-of-the-year-2017-silence-breakers/ . Aliás, as novas bonecas barbie mencionadas mais acima também foram capa da Time em 2016 (http://time.com/barbie-new-body-cover-story/?xid=time_socialflow_twitter)


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