Em resposta ao Friedmann Wendpap, juiz federal em Curitiba
Quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Em resposta ao Friedmann Wendpap, juiz federal em Curitiba

Foto: Gabriel Rosa

Não o chamo de excelência, pois não és. Chamo-o, cordialmente, de senhor. E assim, senhor Wendpap, gostaria de dizer que li, com muito desgosto, o seu artigo publicado no ConJur intitulado de “É hora de tratar o marxismo-gramscismo como história, não como projeto político”.

Por que com desgosto? Porque esperei que o senhor fizesse uma análise do marxismo-gramscismo antes de justificar por que este deveria ir para a lata do lixo da história. Pensei: vai vir um referencial teórico muito bom sobre o assunto, ele vai mostrar a fragilidade do Marx e do Gramsci, vai dizer onde cada um falhou em sua proposta teórica e vai mandar tudo, de forma fundamentada, para um museu. Pensei isso porque imaginei: veio de um juiz? Vai estar fundamentado. Qual não foi minha surpresa…

Para falar a verdade, eu nem sei por que me surpreendo ainda com o que vem de Curitiba. Há tempos que fundamentação não têm sido o forte do que sai daí!

Como o senhor se propõe a jogar para a lata da história algo que o senhor nem analisou? Ficamos sem saber o que o senhor entende do Marx ou do Gramsci. Ficamos sem saber quais leituras desses autores o senhor já fez. Ficamos sem saber se o senhor compreendeu o que leu sobre eles. Cadê as provas que o senhor conhece o projeto político que se propôs a analisar e a dar um destino? Cadê as provas?!

Quando o senhor fala em 1968 e que é preciso acabar com o projeto político do marxismo-gramscismo – termo que o senhor usou sem fundamentar, sem esclarecer – o senhor está fazendo referência à ditadura que, em 1968, sob atropelos do poder judiciário, chegou à tortura para que “o marxismo-gramscismo” fosse tratado como história?

Honestamente, não entendi absolutamente nada do que o senhor quis propor no artigo. Falou de um monte de coisa que não tem nada a ver com nada – muito menos com “marxismo-gramscismo”. O artigo foi, como diríamos aqui na Bahia, “papo de cachaceiro”. Parece papo para impressionar garotas no Tinder: – “vou usar uns termos bonitos, porque sei que ela não vai perguntar o significa mesmo…”

Pergunto eu: o que diabos o senhor quis dizer com tudo aquilo? O que é marxismo-gramscismo? Quais livros o senhor leu do Marx e do Gramsci?

Não espero a sua resposta, mas permita-me, de forma educada, lhe dizer uma coisa:

O senhor vai passar e ninguém vai se lembrar, mas o Marx e o Gramsci continuarão. A história já provou esse acontecimento inúmeras vezes!

E se o senhor está, de algum modo, preocupado com Gramsci, tenho uma péssima notícia para lhe dar.  Dizia Gramsci:

Instrui-vos,

porque teremos necessidade de toda vossa inteligência.

Agitai-vos,

porque teremos necessidade de todo vosso entusiasmo.

Organizai-vos,

porque teremos necessidade de toda vossa força.”

Estamos nos instruindo, nos agitando e nos organizando. A história seguirá junto com o nosso projeto político, porque o que o senhor defende está falido.

Dá próxima vez, por favor, ao se propor falar de alguma coisa, fale dessa coisa. Caso contrário, só estará se propondo a falar da maçã que dá no pé de laranja.

Wagner Francesco é bacharel em Teologia e Direito.

Quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
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