Texto favorável à intervenção e repleto de senso comum escrito por advogado gera críticas
Quarta-feira, 14 de março de 2018

Texto favorável à intervenção e repleto de senso comum escrito por advogado gera críticas

Após Ricardo Hasson Sayeg, presidente da comissão de direitos humanos do Instituto dos Advogados de São Paulo e figura carimbada nas eleições para presidente da OAB/SP, publicar um artigo favorável à intervenção militar no tendências e debates do jornal Folha S. Paulo, uma série de respostas com críticas ao conteúdo da publicação tomara as redes.

Repleto de senso comum, texto de Sayeg se vale na publicação de passagens típicas de senso comum como “reis do crime”; “armados até os dentes”; “terroristas”; “horda de facínoras”, “pessoas de bem” e “direito dos manos”, entre outras, no sentido de desumanizar e desqualificar a população dos bairros ocupados, como também enaltecer a decisão de Michel Temer. Além disso, o advogado admitindo e absolvendo desde já mortes de civis pelas forças armadas – “significa, portanto, que temos que apoiar as Forças Armadas nesta guerra, admitindo a possibilidade de confronto armado. Assim, infelizmente, pessoas podem ser abatidas —inclusive com a possibilidade de mortes de civis” – afirma o advogado no texto.

Para o Professor Doutor de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas, Frederico de Almeida: “o advogado Ricardo Hasson Sayeg provavelmente bateu algum recorde nacional ao entulhar tantos lugares comuns em tão pouco espaço de texto. Suspeito que tenha superado as caixas de comentários dos grandes portais de notícias ou do Facebook, embora tenha tido ao menos a fineza de não escrever em caixa alta”.

Em artigo para o Justificando, Almeida ressaltou: “se juntarmos o uso que Sayeg faz da expressão ao uso que fez da palavra “comunidade” (malicioso, entre aspas) e à sua valorização da defesa de Ipanema, é impossível não enxergar racismo e preconceito social na sua argumentação. É impossível não ver qual a verdadeira base social da distinção que faz entre pessoas “de bem” e “do mal””.

Em carta enviada ao mesmo jornal, no dia seguinte, os criminalistas Fábio Tofic Simantob Augusto Arruda Botelho repudiaram a fala: “Ao escrever sobre a intervenção no Rio de Janeiro, Ricardo Sayeg recorre à expressão “defensores dos direitos dos manos” contra os que se preocupam com a integridade física dos moradores de áreas controladas pelo tráfico e sugere que as Forças Armadas devem ter salvo-conduto caso matem inclusive civis inocentes. Como desabafo, o texto tem seu público, mas abraça desvio ético lamentável. Nada justifica a predisposição de abençoar o assassinto de inocentes por “um objetivo maior”.

Em nota, a Rede Feminista de Juristas também condenou a fala do advogado:

“Em um texto repleto de frases sensacionalistas, sem qualquer fundamentação jurídica e que alimenta uma narrativa falaciosa da situação da segurança pública na cidade do Rio de Janeiro, o advogado insiste na máxima do “direitos humanos para humanos direitos”.

O advogado demonstra um discurso absolutamente preconceituoso, traçando uma linha clara entre cidadãos merecedores de direitos e não merecedores de direitos, em uma clara afronta à Constituição Federal.

Como um profissional que se refere de modo chulo a cidadãos e comunidades em condições de vulnerabilidade sócio-econômica, ou seja, a população mais atingida pela ausência e violações do Estado, pode ocupar o cargo de presidente de uma comissão de direitos humanos?”

Procurado pelo Justificando, o IASP não se pronunciou até a publicação dessa matéria.

Quarta-feira, 14 de março de 2018
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