À minha família: também sou Marielle
Quinta-feira, 15 de março de 2018

À minha família: também sou Marielle

Foto: Mídia Ninja

Mataram uma vereadora negra do PSOL. Ela integrava a comissão que irá investigar a intervenção no Rio e denunciava as violências da PM nas favelas, como invasões de domicílio e mortes.

Espero que todo mundo saiba o que isso significa. É um cala a boca. É um cala a boca com respaldo do interventor, que espera “não viver outra comissão da verdade”.

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Eu espero que cada um que apoia o Bolsonaro, que chama o golpe de 64 de “””revolução””” saiba que todos os que denunciam as violências do estado estão sob ameaça.

Eu espero que vocês saibam que eu, enquanto ativista de direitos humanos, também posso morrer caso essa tendência de matar quem expõe violência continue.

Defender ditadura, defender político “linha dura” não é defender a paz, o fim da violência, a saúde ou a educação. É defender cala a boca com sangue. As mãos dos apoiadores do Bolsonaro estão sujas de sangue, e não é de hoje.

Ontem foi Marielle, mas semana passada foram os moradores de Acari, trabalhadores inocentes mortos na intervenção federal.

Eu estou extremamente triste com essa situação. Mas mais triste de ver comentários de pessoas achando que ela merece por “defender bandidos”.

Pra mim, qualquer comentário nesse sentido é um ataque pessoal contra mim. Eu me identifico muito com a Marielle. Não sou vereadora, mas atuo politicamente onde posso: em escolas, faculdades, nas ruas, ou com o meu trabalho. Eu processo homens agressores, homicidas de mulheres. Eu grito na USP contra os cortes. Eu marcho na rua contra a violência racista do Estado.

Então quero que a minha família, que eu tanto amo, saiba que eu sou como Marielle. E que eu também posso sumir. Saibam disso. E parem de proferir discurso de ódio.

Julia Drummond é advogada, mestranda em direitos humanos pela USP e membra da DEFEMDE – Rede Feminista de Juristas

Quinta-feira, 15 de março de 2018
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