Organizações do Complexo da Maré se revoltam contra assassinato brutal de Marielle Franco
Quinta-feira, 15 de março de 2018

Organizações do Complexo da Maré se revoltam contra assassinato brutal de Marielle Franco

Foto: Mídia Ninja

O brutal assassinato de Marielle Franco, morta a tiros junto com seu motorista, na zona central do Rio de Janeiro ontem, 14, repercutiu intensamente no Complexo da Maré, comunidade que reúne centenas de milhares de pessoas e onde Marielle nasceu e surgiu na política. Organizações lamentaram intensamente, homenagearam o legado de Marielle e afirmaram determinação em prosseguir na luta.

A movimentação já tomou as redes momentos após ser divulgado após a execução da vereadora por nove disparos por arma de fogo. Anderson Gomes, motorista, foi atingido por três disparos e também faleceu. A assessora de Marielle foi a única sobrevivente do atentado.

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À minha família: também sou Marielle

Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016, com mais de 46 mil votos. Nascida no Complexo da Maré, era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em sua dissertação de mestrado, a parlamentar criticou veementemente as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) nas favelas, em especial ao complexo, de onde veio e sempre teve profundos laços.

Nas redes, organizações da comunidade enalteceram seu legado e anunciaram que a luta será ainda maior. A rede Maré Vive, Canal de mídia independente e colaborativa feita por moradores de diversas partes do Complexo da Maré, pronunciou-se nas redes sociais:

“Marielle Franco, cria da Maré, negra, mulher, nossa grande amiga de longa data e vereadora do Rio de Janeiro, foi morta a tiros por pistoleiros. Assassinato. Crime Politico. Uma covardia sem fim.

Mari vive. E vai viver!

Continuaremos a sua luta e vai ser maior a cada dia. É o que podemos dizer neste momento de muita dor. Pedimos orações e energias positivas para familiares e amigos.

Eu sou porque nós somos”.

– Maré Vive, sobre Marielle Franco

Já a Redes da Maré, importante organização de moradores que lutam por direitos e levantam dados de denúncia à série de violações decorrentes de UPP’s, Intervenções militares e afins, divulgou uma tocante e potente mensagem em homenagem a quem “nem faz tanto tempo assim, brincava pelas ruas e vielas, exibia o seu sorriso confiante, seus traços de princesa nagô; e fazia a gente pensar que tudo é possível e que essa cidade, esse estado, esse país tem jeito”.

Na nota, a Redes da Maré afirmou-se determinada em prosseguir na luta: “vamos enxugar as lágrimas e estancar o sangue.  Manter Marielle e seus sonhos vivos é prosseguir na luta. Não queremos heróis, queremos direitos, cidadania, democracia. E esses bens inalienáveis do ser humano, para chegar aos becos pelos quais trafegamos hoje entristecidos, abalados; terão que ser conquistados, arrancados com garra, suor e lágrimas. Não vamos nos deixar abater”.

Veja a nota na íntegra:

“Quem vai responder a essa pergunta que desde ontem à noite povoa nossos sonhos e pesadelos?  Sim, vivemos um pesadelo na cidade do Rio de janeiro, antes maravilhosa e hoje capital da Intervenção Federal. As investigações estão em curso mas a incômoda certeza de que Marielle foi executada não nos abandona e certamente vai nos acompanhar pelo resto das nossas vidas; seja qual for a conclusão do inquérito policial. É um sinal poderoso. Um aviso. Negros, pobres, de periferia, “a justiça é para todos”. A Maré perdeu uma filha, o conjunto sangra, com suas 16 favelas e seus 147 mil moradores. Marielle que, nem faz tanto tempo assim, brincava pelas ruas e vielas, exibia o seu sorriso confiante, seus traços de princesa nagô; e fazia a gente pensar que tudo é possível e que essa cidade, esse estado, esse país tem jeito. E que a Justiça, um dia, ainda que distante, ia estender sobre nós o seu manto, que a todos iguala. Ledo engano. Mas vamos enxugar as lágrimas e estancar o sangue.  Manter Marielle e seus sonhos vivos é prosseguir na luta. Não queremos heróis, queremos direitos, cidadania, democracia. E esses bens inalienáveis do ser humano, para chegar aos becos pelos quais trafegamos hoje entristecidos, abalados; terão que ser conquistados, arrancados com garra, suor e lágrimas. Não vamos nos deixar abater. Marielle merece viver como um símbolo que, nos seus poucos 38 anos, fez sua vida a vida valer à pena representando 46 mil eleitores, 140 mil moradores da Maré, milhares de jovens negros mortos, mulheres violentadas, trabalhadores sem direitos, homens e mulheres agredidos por suas escolhas. E pra nós, que tivemos o privilégio de conviver com essa mulher inesquecível“.

– Redes da Maré

Quinta-feira, 15 de março de 2018
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