“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”
Quinta-feira, 15 de março de 2018

“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”

A noite de ontem (14/3) foi sombria. Marielle Franco foi executada. Juntamente com a vereadora, foi assassinado Anderson Pedro Gomes. Por quem? Ainda não sabemos.

Marielle Franco, vereadora (PSOL-RJ), mãe, negra, socióloga, moradora da Maré, militante por direitos humanos e pela igualdade social. Mas, acima de tudo, Marielle era uma mulher como milhões de Marias, que no dizer do poeta merecia “viver e amar como outra qualquer do planeta”.

Marielle Franco e seus quase 50 mil eleitores foram vítimas do Estado de exceção, do autoritarismo, do ódio e da intolerância. Os tiros que ceifaram sua vida e de Anderson, motorista, abateram a democracia.

Alguns fatos: minutos antes de ser sumariamente executada a vereadora Marielle estava participando de um evento no glamoroso bairro da Lapa na capital fluminense, intitulado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”.

Um dia antes de sua morte a guerreira Marielle, referindo-se a violência da Polícia Militar, postou no Twitter: “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?

No último domingo (10), Marielle denunciava uma ação do 41º BPM (Irajá) na Favela do Acari. Segundo a socióloga e vereadora, moradores reclamavam da truculência dos policiais durante abordagem a moradores naquela comunidade.

Precisamos gritar para que todos saibam o que está acontecendo em Acari neste momento. O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão (…)”, escreveu a guerreira Marielle.

Marielle, não sabemos quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe. Talvez, desgraçadamente, ela esteja apenas começando. Não sabemos quantos miseráveis, jovens e negros serão jogados em um valão ou encarcerados. Não sabemos quantos mulheres brancas ou negras serão vítimas da violência. Marielle, não sabemos quase nada, em tempos sombrios nossa visão fica turva. Mas, uma coisa sabemos:

“É preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, MARIELLE

Mistura a dor e a alegria”

Marielle, Presente!

Leonardo Isaac Yarochewsky é Advogado e Doutor em Ciências Penais (UFMG)

Quinta-feira, 15 de março de 2018
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