A esquerda e o policial militar
Quinta-feira, 29 de março de 2018

A esquerda e o policial militar

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A esquerda não é contra os policiais militares, muito pelo contrário! Quem é contra é a direita que inventa uma guerra às drogas e coloca o policial com a instituição toda sucateada para ir subir morro.

Enquanto quem inventou a guerra contra as drogas dá a ordem de dentro de um gabinete com ar condicionado, o policial iludido, achando que está servindo a pátria, fica morrendo – e matando! -em confronto por uma guerra que:

  1. nem deveria ter existindo; e
  2. está perdida.

… isso quando há confronto, não é? Há os casos em que estes são forjados.

A esquerda não é a favor de bandido e contra o policial. A esquerda só não apoia o discurso de que “bandido bom é bandido morto”, porque não se pode naturalizar a morte. Como dizia Hannah Arendt: quando o mal se banaliza perdemos a capacidade de indignação.

E enquanto o policial acha que bandido bom é bandido morto, o bandido – seja lá o que isto signifique – acha que policial bom é policial morto. Pronto: está feita a bola de neve. 

A esquerda não é contra o policial. Ao contrário, queremos que recebam melhores salários, melhores condições de trabalho. E principalmente: que tenham direito à greve. Mas para ter direito à greve não podem ser militares – e, também por isso, é que somos a favor da desmilitarização da PM.

Leia também: Por que o militarismo é inadequado para a função policial?

O que significa desmilitarizar?

Eu não contra nenhum policial, agora é claro que sou crítico da Instituição. E outra coisa que o policial precisa mudar: vocês não são a instituição. A instituição Polícia é uma organização Estatal e, como tal, “instituída para gerenciar os interesses da burguesia”.

Todas as vezes que vocês saem de casa “para garantir a ordem e proteger os bens mais relevantes”, vocês deveriam se perguntar: “a ordem de quem?” “os bens de quem”?

Precisamos de uma sociedade mais justa e igualitária – e isto passa por uma polícia mais bem remunerada, mais humana e sem compromisso com os discursos daqueles que lhes dão ordem, lhes colocam em situação de perigo por uma luta imbecil e, pior ainda: lhes tiram o direito de reivindicar melhorias pelo mais eficaz meio de protesto: a greve.

O policial precisa entender que a guerra contra às drogas não é uma guerra sua. Aliás, a guerra às drogas sequer existe, pois o que existe é um discurso para ganhar eleição – e que está matando gente de um lado e de outro.

Agora: nessa coisa toda tem gente vestindo uma farda e indo matar pessoas pobres. É o Estado quem atira. E aí não me peçam, nunca, para ficar a favor do Estado e contra as pessoas pobres, marginalizadas por este Estado.

Wagner Francesco é bacharel em Teologia e Direito.

Quinta-feira, 29 de março de 2018
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